Mostrando postagens com marcador ღ♥ஜ(¸.•"´Doença de Crohn. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador ღ♥ஜ(¸.•"´Doença de Crohn. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Compreendendo a vivência do paciente portador de doença de Crohn*


Estou em crise de Crohn agora, também depois de tanta loucura que foi este início de ano (tragédia em Nova Friburgo) agora estou tomando cortisona, estive internada na semana de 28 de março até 01 de abril (em dieta zero), quase fui submetida a uma cirurgia de emergência pois estava com o intestino sub-ocluido, tive que fazer dieta liquida/pastosa durante todo o mês de abril e até 09 de maio, quando foi liberada a dieta normal, sem frituras, mas tudo bem cozido. Ainda bem porque cortizona dá uma fome! rsrsrsrs não aguentava mais ficar de sopinha!
 Estou me sentindo bem agora, toda inxada, cheia de espinhas, tremedeira, acho que isso tudo é consequencia da cortisona, mas estou cheia de disposição e sem dor, que é o mais importante agora (Estava sentindo dores abdominais terríveis desde dezembro).

Encontrei este artigo que retrata bem como nós portadores de crohn nos sentimos, além de fazer um apanhado da doença.

Espero que gostem assim como eu gostei!

Um abração a todos e muito obrigada por todo carinho!

Luciane

Comprendiendo la vivencia del paciente portador de enfermedad de Crohn


Roberta Soares SarloI; Carolina Ribeiro BarretoI; Tânia Arena Moreira DominguesII
IEnfermeira do Hospital Alemão Osvaldo Cruz – São Paulo (SP), Brasil
IIProfessora Adjunto do Departamento de Enfermagem da Universidade Federal de São Paulo - UNIFESP – São Paulo – (SP), Brasil

Autor Correspondente



RESUMO
OBJETIVO: Compreender o significado de ser portador da doença de Crohn.
MÉTODOS: Estudo qualitativo, com abordagem Hermenêutica. Foram realizadas oito entrevistas com pacientes com diagnóstico confirmado da doença, tendo como questão norteadora "como é ser portador de doença de Crohn?"
RESULTADOS: Foi identificada a seguinte categoria: Alteração no projeto de vida, a qual teve como principais fatores modificadores: ser doença crônica, alimentação, medo, falta de liberdade, prevenção de complicações e esperança. Os pacientes utilizam para isso algumas estratégias para superar as dificuldades e desenvolver habilidades próprias para seguir em frente.
CONCLUSÃO: Tentar compreender a natureza humana e conhecer o ser e sentir da pessoa é uma construção que precisa ser melhorada nos cursos da área de saúde para que os profissionais possam dar o suporte necessário aos pacientes e oferecer uma assistência de enfermagem adequada.

Descritores: Doença de Crohn/psicologia; Doença de Crohn/enfermagem; Doença crônica; Pesquisa qualitativa

RESUMEN
OBJETIVO: Comprender el significado de ser portador de la enfermedad de Crohn.
MÉTODOS: Estudio cualitativo, con abordaje Hermenéutico. Fueron realizadas ocho entrevistas a pacientes con diagnóstico confirmado de la enfermedad, teniendo como pregunta norteadora "¿cómo es ser portador de la enfermedad de Crohn?"
RESULTADOS: Fue identificada la siguiente categoría: Alteración en el proyecto de vida, la cual tuvo como principales factores modificadores: ser enfermedad crónica, alimentación, miedo, falta de libertad, prevención de complicaciones y esperanza. Los pacientes utilizan para eso algunas estrategias para superar las dificultades y desarrollar habilidades propias para seguir adelante.
CONCLUSIÓN: Intentar comprender la naturaleza humana y conocer el ser y sentir de la persona es una construcción que precisa ser mejorada en los cursos del área de la salud para que los profesionales puedan dar el soporte necesario a los pacientes y ofrecer una asistencia de enfermería adecuada.

Descriptores: Enfermedad de Crohn/psicología; Enfermedad de Crohn/enfermería; Enfermedad crónica; Investigación cualitativa



INTRODUÇÃO
A doença de Crohn (DC) é uma doença inflamatória intestinal de gênese desconhecida que pode acometer qualquer segmento do trato gastrintestinal(1-2). O quadro clínico se caracteriza por manifestações intestinais muito variáveis com períodos de remissão e exacerbação(3).
As principais características clínicas incluem: febre, dor abdominal, mais freqüentemente do tipo cólica de localização comumente difusa, diarréia e fadiga generalizada. Pode ocorrer também perda de peso. A diarréia e a dor são mais freqüentes quando há envolvimento colônico(4). O prognóstico da DC não é favorável(5). Na maioria dos pacientes, o curso é crônico e intermitente, independente do segmento acometido.
Devido a etiologia desconhecida, o tratamento clínico da DC é, em grande parte empírico, visando à redução da inflamação(6).
Os corticosteróides, que foram as primeiras medicações avaliadas sistemicamente são eficazes. Porém, seus efeitos tóxicos e problemas relacionados à corticorresistência muitas vezes limitam seu uso(7). Quanto à antibioticoterapia, o metronidazol é eficaz no tratamento da doença perianal, sendo tão efetivo quanto à sulfassalazina(8). A manutenção do tratamento em longo prazo pode ser necessária, pois é comum haver recidiva após sua interrupção. Entretanto, o uso prolongado desses fármacos implicam em risco de neuropatia periférica(9).
Existem duas fases da doença, a ativa e a silenciosa. Na fase ativa, os portadores tendem a alimentar-se cada vez menos devido a náuseas, cólicas e distensão abdominal, podendo desenvolver anorexia. O comum aparecimento de fístulas, diarréia e fadiga compromete as ações da vida diária do paciente. A fase silenciosa compreende o portador com a doença em remissão ou controlada farmacologicamente, e tem como foco minimizar a tensão emocional desses pacientes, visto que tal tensão pode desencadear a fase ativa da doença(10).
As respostas físicas e emocionais dos pacientes à doença são muito variáveis. A DC, caracterizada como crônica, pode trazer inúmeras perturbações para os acometidos, tanto pelo tratamento, que nem sempre é efetivo, quanto pelas alterações psicológicas, pois se trata de uma doença que tem várias repercussões na vida social do paciente(11).
O aumento da incidência da doença contribui para aproximar os profissionais de enfermagem dos portadores da doença, devido ao maior contato no tratamento ambulatorial e internações(12).
Um estudo realizado nos Estados Unidos da América observou a importância da enfermeira especialista em doenças inflamatórias intestinais. Os pacientes que eram acompanhados por essas enfermeiras apresentaram uma significante melhora da auto-imagem, de problemas psicológicos e do relacionamento social, quando comparados aos pacientes submetidos apenas ao acompanhamento habitual nos grupos de apoio para portadores de Crohn, sem a presença de uma enfermeira especialista atuante(13-14). Os benefícios dessa intervenção foram claros: a necessidade de consultas médicas diminuiu aproximadamente 40% e a permanência no hospital foi reduzida em 20%.
Enfermeiras que trabalham com pacientes portadores de DC devem começar a compreender os desafios que o paciente enfrenta e os sintomas físicos que levam a grande impacto psicológico e social. Uma necessidade da enfermagem nesta área, a ser alcançada pelos profissionais é entender a experiência do paciente com DC oferecer apoio e expressar simpatia de forma que o paciente possa vir a aceitar a doença simpatizar e confiar na assistência prestada, contribuindo para sua melhora(15)
Apesar de novos estudos estarem sendo desenvolvidos, poucos abordam a vivência do paciente portador, de maneira a compreender as modificações ocorridas em sua vida por causa da doença. Acreditamos que não somente o tratamento medicamentoso clínico e cirúrgico deve ser estabelecido para tais pacientes, mas também uma assistência que leve em consideração fatos que o próprio paciente acha importantes para a sua melhora.
Assim, este estudo foi elaborado com o objetivo de compreender o significado, para o paciente de ser portador da doença de Crohn.

MÉTODOS
Para compreender o significado de ser portador da DC, buscamos um método que fosse mais adequado a esse entendimento. Desse modo, optamos pela pesquisa qualitativa, pois "trabalha com o universo dos significados, motivos, crenças, valores e atitudes, o que corresponde a um espaço mais profundo das relações"(16). Os questionamentos desta pesquisa precisam ser respondidos mediante uma análise que leve em consideração a realidade dos significados, dos valores, da história e da cultura, enfim, do próprio homem(17). Nesse contexto, a pesquisa qualitativa vem se mostrando como uma forma promissora de investigação científica por assumir uma visão diferente do positivismo, ou seja, compreensiva ou interpretativa.
Além disso, uma das principais características é trabalhar com dados subjetivos, pois os métodos estatísticos não permitem alcançar os significados que permeiam as relações sociais. A pesquisa qualitativa busca compreender o ser humano, situando-o como um ser integrante do universo, com o qual se encontra em constante relacionamento(16).
Com o objetivo de compreender os significados e analisar esses significados no campo da linguagem, optou-se pela pesquisa qualitativa com abordagem da Hermenêutica. Embora não haja uma definição universalmente aceita, hermenêutica refere-se à compreensão e interpretação. Podemos dizer que os seres humanos são geradores de significados e que seu mundo é construído no intercâmbio entre as pessoas por meio de linguagem e, dessa forma, os significados podem ser compreendidos como um discurso decorrente do diálogo(18).
A hermenêutica contemporânea propõe que o significado é compreendido a partir de pré-estruturas de compreensão, o intérprete pertence a um determinado campo de conhecimento e de cultura, não chegou vazio onde se encontra, veio trabalhando, condicionado pelo ser histórico que é e, conseqüentemente, dirige-se ao texto com seus preconceitos, pré-julgamentos, questões e suposições, o que possibilita um diálogo perfeito entre o intérprete e a obra. Esse processo denominou-se de fusão de horizontes(18).
Dessa forma, pode-se dizer que há um ato de mediação entre um intérprete e um interpretado, ou seja, o significado não pode ser atribuído nem ao intérprete, nem ao interpretado, mas ao resultado dessa intervenção. O significado resulta de um ato interpretativo, e é descoberto na distância da compreensão, mas decorre da participação na história efetiva, de modo que aquilo que se compreende vem a fazer sentido, fundamentado em um enlace circular com o que já sabemos(18).
Assim, aquele que se propõe a compreender alguém deve abrir-se para a escuta do outro, mas isso só pode ser feito com base no horizonte significativo do ouvinte; parece que não há como compreender alguém, pertencendo ou não à nossa cultura, senão a partir de nossos próprios significados. Compreender é sempre mais do que a mera recriação do significado de alguém, pois a compreensão envolve um projetar-se do intérprete sobre o objeto de sua compreensão, com base em expectativas relacionadas a algum sentido(19). A linguagem é o meio através do qual a hermenêutica opera. Segundo Ricoeur, o homem é linguagem e, é através dela que o ser humano expressa sua curta consciência e sua visão crítica do mundo(20).
O estudo foi realizado no Ambulatório de Gastroenterologia do Hospital São Paulo e os dados foram coletados nos meses de março e abril de 2007. Participaram da pesquisa oito pacientes, de ambos os sexos e com idade entre 20 e 59 anos. Os critérios de inclusão foram: o paciente ter diagnóstico confirmado de doença de Crohn e ser maior de 18 anos O número dos sujeitos foi determinado pelo critério de saturação dos dados coletados.
Após a aprovação do projeto pelo Comitê de Ética em Pesquisa da UNIFESP (Parecer nº 0153/07), os sujeitos foram esclarecidos quanto aos objetivos e finalidade do estudo e assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido.
Os dados foram coletados pelas pesquisadoras por meio de entrevista, a qual foi gravada e posteriormente transcrita na íntegra. A questão norteadora foi: Como é para a senhor(a) ser portador da doença de Crohn?"
A análise dos dados seguiu o método proposto por Giorgi(21), que propõe quatro passos para a análise: leitura geral da descrição, para obter um sentido geral do que foi colocado; releitura com o objetivo de discriminar as "unidades de sentido", dentro da perspectiva que lhe interessa, sempre com foco no fenômeno do estudo; expressar, de forma direta, o conteúdo das unidades de sentido e, por ultimo, o pesquisador sintetiza uma declaração consistente com relação ao sentido maior da experiência do sujeito a formação de categorias, agrupando as idéias significativas assimiladas de cada entrevista.

RESULTADOS
A apresentação é feita a partir de uma categoria que surgiu ao final do agrupamento das idéias significativas, que foi a alteração no próprio projeto de vida. Ao final das descrições são utilizados trechos dos depoimentos dos pacientes entrevistados, para exemplificar. Nesses depoimentos, as entrevistas são numeradas de E1 a E8 para manter o anonimato dos pacientes, sem perder a identificação de cada entrevista realizada.
A alteração no projeto de vida é a situação na qual os sujeitos da pesquisa se vêem obrigados a mudar seus hábitos, costumes e comportamentos a longo, médio e curto prazo, devido à doença. Isso acarreta grandes alterações em seus modos de pensar e agir, em relação à alimentação, ao componente emocional, ao fato de ser uma doença crônica, às mudanças físicas, e mudanças, também, positivas em suas atitudes.
No discurso dos sujeitos foram encontradas duas maneiras distintas de enfrentamento da nova situação de saúde. Uma delas mais relacionada às complicações advindas da doença que, como em qualquer outra, existem e muitas vezes são mais marcantes em suas vidas. Essas implicações giraram em torno principalmente da alimentação, que se alterou do medo de sentir mais dores, de transmitir a doença para os descendentes, das alterações no relacionamento com a família, companheiros e filhos, do fato de a doença ser crônica e da falta de liberdade que causa.
A outra maneira, porém, foi positiva, na qual o paciente começa a se alimentar de uma forma mais saudável, praticar esportes, fazer a prevenção de complicações e ter uma visão otimista da doença e de seu futuro, além de nutrir a esperança de ser curado.
A informação de que a DC crônica é uma das primeiras que o paciente recebe de seu médico. O fato de a doença não ter cura faz com que o paciente se assuste muito com o diagnóstico, pois muitos nunca apresentaram nenhuma outra doença, e a partir desse momento terão que fazer acompanhamento médico, tomar remédios, fazer exames periódicos e freqüentar ambientes hospitalares e consultórios.
É foi um baque porque a primeira vez que eu vim aqui que eu fiquei internado tal que eles descobriram, principalmente quando falaram que é uma doença crônica entendeu... Crônica... aí foi pior ainda porque, crônica é uma coisa que é pro resto da vida, entendeu... crônica... ainda quando falaram "medicamento você vai ter que tomar pro resto da vida", entendeu, então é uma coisa, foi um choque..." (E2)
A alteração na alimentação se mostrou muito presente em alguns pacientes, que mudaram seus hábitos, quase que obrigatoriamente. Por isso, sentem dificuldades com relação à alimentação, pois sentem falta dos alimentos anteriormente permitidos e se desanimam frente às restrições alimentares impostas pela doença. Outros, por sua vez, têm medo de comer e apresentar sintomas como dor ou vômito, por isso não ingerem a quantidade de alimentos necessária, na freqüência adequada para manter seu organismo em bom funcionamento. Isso porque associam o alimento a episódio de dor.
Alguns tentam prevenir as dores causadas pela alimentação inadequada evitando ingerir os alimentos que causam dores. Eles acreditam que esta é a melhor forma de continuarem se alimentando bem, sem sentir dores.
Não participar das atividades sociais como jantares e festas causa uma grande tristeza no paciente, que se deixa abater nestas ocasiões.
Alguns deles, porém, percebem as alterações alimentares como um fator positivo, pois agora se alimentam de maneira mais adequada e natural. Acreditam que a doença promoveu o autocuidado e uma preocupação com a saúde que antes não existia.
O que mudou foi assim, porque eu tinha muitas coisas que eu gostava de comer e hoje eu não posso mais. Aí tem vezes assim, que eu vou pra uma festa, aí eu vou prum casamento ou aniversário e tem muitos salgados, muitas coisas e tudo isso eu tenho que evitar de comer. Tem horas que eu fico assim desanimada, vendo todo mundo comer, eu fico só olhando. (E3)
Eu também emagreci muito, eu não era assim, no começo eu até achei bom, eu pensei 'pelo menos eu vou ficar magra'. Mas é outro tipo de magreza, é triste. (E7)
O medo é um sentimento muito presente na vida dos pacientes portadores de DC. A possibilidade de sentir dores tão intensas e precisar ir ao hospital e fazer uma cirurgia é muito assustadora.
Sim, eu tenho muito medo de piorar de ter que fazer cirurgia, de tirar o intestino e fazer as necessidades pela barriga, acho que se isso acontecer eu prefiro morrer, isso eu não vou agüentar...é muito difícil... (E7)
Uma preocupação que também existe é com a auto-imagem. O paciente sente que seu corpo já não é atraente o bastante, pois sofreu com cirurgias ou com algum problema de nutrição inadequada, como o emagrecimento. Começam a ter uma baixa auto-estima e acreditam que as outras pessoas observam seus corpos. Nos pacientes mais jovens, o medo de não conseguirem continuar com seus planos de vida de constituir uma família (casar e ter filhos) foi muito marcante.
A auto-estima é também afetada porque o paciente começa a sentir-se diferente e, muitas vezes, inferior às outras pessoas por ser portador de uma doença. Essa baixa auto-estima se reflete em seus relacionamentos, pois sentirem uma grande culpa por não fazerem o parceiro feliz, além de muita solidão por terem que encarar sozinhos, muitas vezes, os problemas relacionados à doença.
Ah, eu fico triste né, porque a gente tá andando todo mundo olha. Ah, lógico, todo mundo olha, se você vê uma pessoa magrinha, ou gordinha, você vai olhar, as outras pessoas vão olhar, não tem jeito de não querer. Sua visão está ai, você olha se você vê uma pessoa obesa você vai olhar para ela, se você vê uma pessoa magrinha.... Mas a gente não sabe o que aquela pessoa vai sentir. (E1)
O medo de transmitir a doença para os descendentes, principalmente os filhos e parentes mais próximos, também é muito importante para os pacientes. Sentem-se culpados e têm medo que sua doença cause a de outras pessoas da família.
Muitos acreditam que a instabilidade emocional pode piorar as crises e levá-los a um período de atividade da doença.
Além disso, a inconstância do próprio estado de saúde faz com que os pacientes não saibam exatamente o que lhes pode acontecer, por isso, sentem-se frágeis, susceptíveis e não têm segurança de marcar compromissos com antecedência. Muitas vezes sentem a sensação de prisão devido à doença e isto lhes causa nervosismo e revolta. A falta de liberdade para decidirem o que podem ou não fazer em suas vidas é uma das queixas apresentadas pelos pacientes.
Eu tenho medo de muita coisa, medo de não poder ter filhos, de ter dor com meu namorado, quando eu namoro eu tenho medo de doer, não sei se é minha cabeça mas às vezes dói mesmo, agente quase se separou, mas ele é muito bonzinho comigo. A vida muda, você nunca mais é a mesma, tudo que você faz você fica com medo, é uma doença muito triste. (E7)
Há pacientes que encaram esse processo pelo qual estão passando como uma situação positiva em suas vidas, que melhorou sua saúde e mostrou que mesmo sendo portador de uma doença crônica, a vida pode ser normal.
Alguns desses pacientes já se encontraram em momentos difíceis e, por vezes, sentiram-se desanimados, mas encontraram algo positivo na doença.
Para alguns, o inicio da doença foi doloroso e com muito sofrimento. Porém, ao tomarem conhecimento do diagnóstico e iniciarem o tratamento, passaram a se sentir melhor. Perceberam que as limitações existiam, mas deram início a um processo de adaptação às limitações e aprenderam a conviver com as mesmas.
Não tem nada pra eu reclamar, eu to bem, to feliz, me acertei com os remédios e com o resto do tratamento, ta tudo muito bom. Eu sei que eu tenho minhas limitações, que não posso sair por aí comendo um monte de porcaria, ou ficar sem ir no banheiro porque isso piora tudo, mas nem por isso é motivo pra eu ficar deprimida em casa. No fundo, acho que comecei a encarar a vida de outro jeito, de uma maneira mais positiva. (E5)
Além disso, alguns pacientes acreditam que ter uma doença crônica é um desafio, sendo necessário que haja uma adaptação, e aceitar a doença faz parte dste processo. Alguns relatam que a doença fez com que houvesse um amadurecimento pessoal, pois foi necessário compreender o funcionamento da doença em seus corpos para conseguirem tomar as decisões corretas quanto a sua adaptação, escutar outras pessoas que estavam dispostas a ajudar e tomar atitudes concretas para que houvesse melhora.
Outro fator que foi importante na vida de alguns pacientes foi procurar e encontrar outras pessoas com o mesmo diagnóstico, para que pudessem compartilhar seus medos, inseguranças, trocar experiências positivas e se apoiarem.
Alguns pacientes lêem, se informam, procuram se auto cuidar para que possam prevenir as complicações decorrentes da doença. Eles têm ações que visam à prevenção de possíveis crises e alterações no estado geral, para que possam conviver com a doença de maneira mais equilibrada, sem medo das complicações.
Eles percebem que a doença trouxe diversas modificações, porém a maioria delas serviu para que se tornassem pessoas melhores, menos estressadas, mais alegres, mais corajosas para lutar contra os problemas, mais felizes em suas famílias e com seus amigos, e mais saudáveis. Por isso acreditam que a doença pode ter sido em grande parte boa, pois trouxe mudanças positivas que todas as pessoas deveriam promover em suas vidas, mesmo sem a doença.
Eu comecei a aproveitar mais a vida, de forma saudável. Na verdade a doença foi até boa no fundo, comecei a cuidar muito de mim e isso me deixa feliz. (E8)
A alimentação mudou um pouco, mas mudou pra melhor porque agora eu como coisas mais saudáveis e isso faz bem pra qualquer pessoa, tendo a doença ou não. (E6)
Muitos pacientes têm esperança de que a cura da doença seja encontrada; outros acreditam que sem a doença será mais fácil continuar vivendo. Outros, porém vêem na esperança de cura uma maneira de continuar vivendo, ou seja, é ela que mantém viva a vontade de viver. Muitos não querem perder essa expectativa, senão será muito difícil encontrar forças para lutar contra a doença.
É bom saber que o pessoal tá pesquisando a doença, eu tenho esperança que achem uma cura logo, que eu possa ficar sem a doença. Essa coisa de ter esperança eu acho que também ajuda, e como eu tô me sentindo bem acho que fico mais animado pra continuar levando a vida. Mas é isso aí, importante mesmo é se sentir bem né? (E4)

DISCUSSÃO
A DC compromete muito além do que apenas a esfera biológica. Ela interfere de diferentes formas no próprio estilo de vida das pessoas acometidas, do seu grupo familiar e social.
Ao tomarem conhecimento do diagnóstico, a maioria deles vivenciou sentimentos intensos de desorganização emocional. Foi a partir deste momento que começaram a sentir que ocorria grande mudança nas suas trajetórias de vida.
Os portadores de DC passam a experimentar diferentes sentimentos e comportamentos decorrentes de alterações na capacidade física e emocional, como foi observado na análise das entrevistas, e um dos fatores é saber que é uma doença crônica.
A complexidade e a extensão da problemática inerente à vivência da cronicidade da doença têm levado muitos autores a desenvolverem estudos com o objetivo de analisar o impacto desta condição na transformação de vida das pessoas acometidas por doença crônica, sobre diferentes aspectos, tais como: medo, auto-controle, auto-imagem, mudanças familiares, alimentação(22).
A este respeito, Autores observaram que, a partir do diagnóstico de doença crônica, os indivíduos acometidos passam a ter novas incumbências. Uma delas é fazer regime de tratamento, o que implica no uso de medicações para o resto da vida, conhecer a doença e lidar com incômodos físicos e sociais. O indivíduo sofre perdas nas relações sociais, trabalho e lazer, além de ameaças na aparência(23).
Somando-se a isso, há a modificação das relações familiares, as quais são dependentes da carga e estrutura familiar singular de cada indivíduo. A família se transforma juntamente com o paciente, em busca da estabilidade do processo de aceitação da doença(24).
O medo é um sentimento comum para o portador de uma doença crônica, que pode ser manifestado de diversas maneiras. Entre elas está o medo da incapacidade e da piora do quadro clínico, o que também pode gerar ansiedade. O medo é um "sentimento de grande inquietação ante a noção de um perigo real ou imaginário, de uma ameaça"(25). O paciente começa a ter medo de sentir dores ou de piorar o estado geral, e se sente inseguro com seu estado atual de saúde. Muitas vezes, enfrenta os seus medos e os supera, outras acaba por aceitá-lo e alterar sua vida em decorrência dele.
Além das dificuldades emocionais, existem alterações físicas, que prejudicam o convívio social. Uma, em especial, foi muito relatada e é muito comum para o portador de DC: o emagrecimento. A pessoa, não raramente, sente-se muito diferente das outras e até mesmo algumas vezes excluída. Isso ocorre porque todo ser humano constrói, ao longo de sua vida, uma imagem de seu próprio corpo, que se ajusta aos costumes, ao ambiente em que vive e que atende às suas necessidades para se sentir situado em seu próprio mundo(26).
A restrição e mudança de hábitos alimentares é uma das causas do emagrecimento, bem pontuada por pacientes portadores. O surgimento da privação alimentar é associado, pelo portador, como à "vontade de comer normal" e ao entendimento de que essas restrições dietéticas são como um "castigo", causando sentimento de "revolta". Polivy (27) explicou que a privação alimentar parece resultar em manifestações psicológicas, como preocupação com comida e em comer, aumento da instabilidade emocional e mudanças de humor e distração(28). Isso, por sua vez, causa um agravo da situação do estresse nesses pacientes.
O estresse é composto por um conjunto de reações fisiológicas que se exageradas em intensidade ou duração, podem levar a um desequilíbrio no organismo(29), afetando-o e seus sintomas podem variar de pessoa para pessoa. Existe uma sensibilidade pessoal que reage quando enfrentamos um problema, e essa particularidade explica como lidamos com situações desafiadoras, decidindo enfrentá-las ou não. Todas as grandes mudanças que passamos na vida são situações estressantes, mesmo se elas forem boas e que estejam nos fazendo felizes(30).
Dessa forma, é possível compreender que ser portador da DC e ter uma doença crônica, com singularidade frente à maneira de adaptação de cada um. Assim, para adaptar-se à nova realidade, os pacientes usam algumas estratégias para superar as dificuldades, desenvolvendo habilidades próprias para seguir em frente.
Parece haver uma busca de recursos, quando os pacientes explicitam que a doença crônica trouxe aspectos positivos como, por exemplo, o fato de passarem a ter uma preocupação maior com a saúde e com o corpo, além de potencializarem o autocuidado e a busca de informações.
Esses resultados parecem ir ao encontro da teoria de Coping, a qual identifica que uma das formas das pessoas reagirem a situações de estresse é a busca de alternativas, a fim de suportar ser portador de uma doença crônica. O paciente busca recursos internos para se esquivar dos problemas, e acaba por enxergar os pontos positivos e conviver com os negativos(31).

CONCLUSÃO
Percebemos que as mudanças que ocorrem nos pacientes portadores da DC são extremamente importantes, sendo capazes de alterar, muitas vezes por completo, seu estilo de vida e transformá-los em pessoas diferentes do que eram antes de terem conhecimento de seu diagnóstico. Isso porque o paciente apresenta alterações físicas nos processos de emagrecimento, nutrição inadequada e procedimentos cirúrgicos, e também psicologicas, inclusive pelos medos e apreensões que não existiam antes da doença.
Pudemos, perceber, ainda, que as mudanças não acometem somente os portadores da DC, mas também as respectivas famílias e o seu meio social, pois começam a ter atitudes que interferem nestes ambientes, e também no processo de vida das outras pessoas.
São pacientes que fazem tratamento e acompanhamento por um longo período e, muitas vezes, não têm oportunidade de se expressarem livremente com seus médicos e outros profissionais, os quais podem deixar de compreender as necessidades e adequar os tratamentos, de maneira a melhorar sua qualidade de vida.
Compreender a natureza humana e conhecer o ser e o sentir da pessoa, através de ciências como a filosofia e a psicologia, é uma construção que deve ser melhorada nos cursos da área da saúde, para que os profissionais possam dar o suporte necessário aos pacientes.
O enfermeiro é, por vezes, o profissional que se encontra mais próximo do paciente. Sendo assim, é necessário introduzir, na sua formação conceitos que facilitem o auto-conhecimento e o conhecimento do outro, para melhor compreensão das necessidades e vivências dos pacientes.
A formação mais humanística se faz necessária para melhor qualificação do profissional de enfermagem e também contribuir para uma melhor assistência ao paciente portador de doença crônica.

REFERÊNCIAS
1. Dani R, Castro LP. Gastroenterologia clínica. 3a ed. Rio de Janeiro (RJ): Guanabara Koogan; 1993.         [ Links ]
2. Glickman RM. Inflammatory bowel disease, ulcerative colitis and Crohn's disease. In: Isselbacher KJ, Braunwald E, Wilson JD et al. editors. 13th ed. Harrison's principles of internal medicine. New York: McGraw-Hill;1991.p.1269-81.         [ Links ]
3. Matos D, Saad SS, Fernandes LC. Coloproctologia. São Paulo: Manole; 2004        [ Links ]
4. Faria LC, Ferrari MLA, Cunha AS. Aspectos clínicos da doença de Crohn em um centro de referência para doenças intestinais. GED Gastroenterol Endosc Dig. 2004; 23 (4):151-64.         [ Links ]
5. Fielding JF, Prior P, Waterhouse JA, Cooke WT. Malignancy in Crohn's disease. Scand J Gastroenterol. 1972;7(1):3-7.         [ Links ]
6. Feagan BG, McDonald JW, Rochon J, Laupacis A, Fedorak RN, Kinnear D, et al. Low-dose cyclosporine for the treatment of Crohn's disease. The Canadian Crohn's Relapse Prevention Trial Investigators. N Engl J Med. 1994 Jun 30;330(26):1846-51.         [ Links ]
7. Best WR, Becktel JM, Singleton JW, Kern F Jr. Development of a Crohn's disease activity index. National Cooperative Crohn's Disease Study. Gastroenterology. 1976;70(3):439-44.         [ Links ]
8. Irvine EJ, Feagan B, Rochon J, Archambault A, Fedorak RN, Groll A, et al. Quality of life: a valid and reliable measure of therapeutic efficacy in the treatment of inflammatory bowel disease. Canadian Crohn's Relapse Prevention Trial Study Group. Gastroenterology. 1994;106(2):287-96.         [ Links ]
9. Modigliani R, Mary JY, Simon JF, Cortot A, Soule JC, Gendre JP, et al. Clinical, biological, and endoscopic picture of attacks of Crohn's disease. Evolution on prednisolone. Groupe d'Etude Thérapeutique des Affections Inflammatoires Digestives. Gastroenterology. 1990;98(4):811-8.         [ Links ]
10. Gamble JR, Smith WB, Vadas MA. TNF modulation of endothelial and neutrophil adhesion. In: Beutler B, editor. Tumor necrosis factors: the molecules and their emerging role in medicine. New York: Raven Press; 1992. p.72-3.         [ Links ]
11. Derkx B, Taminiau J, Radema S, Stronkhorst A, Wortel C, Tytgat G, et al. Tumour-necrosis-factor antibody treatment in Crohn's disease. Lancet. 1993;342(8864):173-4.         [ Links ]
12. Fiocchi C, Collins SM, James SP, Mayer L, Podolsky DK, Stenson WF. Immune/non-immune cell interactions in intestinal inflammation workshop [abstract]. Inflamm Bowel Dis. 1997; 3:133.         [ Links ]
13. Gower-Rousseau C, Salomez JL, Dupas JL, Marti R, Nuttens MC, Votte A, et al. Incidence of inflammatory bowel disease in northern France (1988-1990). Gut. 1994;35(10):1433-8.         [ Links ]
14. Mincis M. Gastroenterologia e hepatologia. 3a ed. São Paulo: Lemos; 2002.         [ Links ]
15. Damião AOMC, Habi-Gama A. Retocolite ulcerativa idiopática. In: Danni R, Castro LP, editores. Gastroenterologia clínica. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan;1983.         [ Links ]
16. Minayo MC, Sanches O. Quantitativo-qualitativo: oposição ou complementaridade? Cad Saúde Pública. 1993; 9(3): 239-48.         [ Links ]
17. Bogdan RC, Biklen SK. Investigação qualitativa em educação: uma introdução à teoria e aos métodos. Porto: Porto; 1994.         [ Links ]
18. Grandesso M. Sobre a reconstrução do significado: uma análise epistemológica e hermenêutica da prática clínica. São Paulo: Casa do Psicólogo; 2000.         [ Links ]
19. Matheus MC. Os fundamentos da pesquisa qualitativa. In: Matheus MC, Fustinoni SM. Pesquisa qualitativa em enfermagem. São Paulo: Livraria Médica Paulista; 2006. p.17-22.         [ Links ]
20. Franco SG. Hermenêutica e psicanálise na obra de Paul Ricoeur. São Paulo: Loyola; 1995.         [ Links ]
21 Giorgi, A. Phenomenological and psychological research. Pittsburgh: Duqueine University Press; 1985.         [ Links ]
22. Trentini M, Silva DGV, Martins CR, Antônio MC, Tomaz CE, Duarte R. Qualidade de vida dos indivíduos com doenças cardiovasculares crônicas e diabetes mellitus. Rev Gaúch Enferm. 1990; 11(2): 20-7.         [ Links ]
23. Costa VT, Alves PC, Lunardi VL. Vivendo uma doença crônica e falando sobre ser cuidado. Rev Enferm UERJ. 2006; 14(1) 27-31.         [ Links ]
24. Trentini M, Silva DGV. Condição crônica de saúde e o processo de ser saudável. Texto & Contexto Enferm. 1992; 1(2):76-88.         [ Links ]
25. Ferreira ABH. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro: Nova Fronteira; 1986.         [ Links ]
26. Assis MA, Nahas, MV. Aspectos motivacionais em programas de mudança de comportamento alimentar. Rev Nutr. 1999; 12(1):33-41.         [ Links ]
27. Polivy J. Psychological consequences of food restriction. J Am Diet Assoc. 1996;96(6):589-92        [ Links ]
28. Macedo LET. Estresse no trabalho, problemas de saúde e interrupção de atividades cotidianas: associação no estudo pró-saúde. [Dissertação]. Rio de Janeiro: Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca; 2005.         [ Links ]
29. Gomes VF, Bosa C. Estresse e relações familiares na perspectiva de irmãos de indivíduos com transtornos globais do desenvolvimento. Estud Psicol (Natal). 2004; 9(3):553-61.         [ Links ]
30. Pinheiro FA, Tróccoli BT, Tamayo MR. Mensuração de coping no ambiente ocupacional. Psicol Teor Pesqui. 2003; 19(2):153-8.         [ Links ]
31. Pinheiro FA. Teoria do stress. Psicologia: Teor e Pesq. 1999;15(2):124-32.         [ Links ]


Autor Correspondente:
Tânia Arena Moreira Domingues
R. Napoleão de Barros, 754 - Vila Clementino
São Paulo - SP - CEP. 04024-002
E-mail: denise@denf.epm.br

Artigo recebido em 15/07/2008 e aprovado em 21/10/2008

domingo, 6 de junho de 2010

Doença de Crohn: Algumas doenças poderão ser prevenidas a partir da flora intestinal, estudo


Doença de Crohn, colite ulcerosa


Algumas doenças podem ser prevenidas a partir da flora intestinal. A conclusão é de um estudo realizado por cientistas europeus. De acordo com os investigadores, uma análise aos intestinos pode ajudar a distinguir entre pessoas saudáveis e doentes.

rtp.pt | 2010-03-30
Powered by ScribeFire.

Morte de celebridades alerta para uso abusivo de medicamentos


Apresentação 


Dependente de remédios, actor Corey Haim morreu a cerca de 5 semanas.

Nos Estados Unidos, onde tem sido frequente a morte de celebridades devido ao uso abusivo de medicamentos, a banalização do consumo de remédios já é um “problema grave” de saúde pública.





Em todo o mundo, o uso abusivo de remédios já supera o consumo somado de heroína, cocaína e ecstasy, de acordo com relatório do Departamento Internacional de Controle de Narcóticos, ligado à Organização das Nações Unidas (ONU). Só nos Estados Unidos, havia em 2008 6,2 milhões de pessoas dependentes de remédios – cerca de 2% da população norte-americana.
De acordo com médicos consultados pelo site G1.globo.com são três as principais classes de remédios que podem causar dependência: benzodiazepínicos (calmantes), anfetaminas (inibidores de apetite) e opióides (analgésicos).
Fonte: G1.globo.com
Powered by ScribeFire.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Doença de Crohn: O que Você Precisa Saber


Em 1932, o médico americano Burril B. Crohn publicou um artigo com alguns colegas descrevendo uma intrigante doença crônica que manifestava-se, principalmente, por surtos de inflamação intestinal. O distúrbio, mais tarde denominado Doença de Crohn (DC), na verdade trata-se de uma doença complexa que em geral acomete várias partes do corpo e não apenas o intestino.

Classificada no grupo das Doenças Inflamatórias Intestinais (DII), juntamente com a Retocolite Ulcerativa, a DC afeta cerca de 1 milhão de pessoas nos EUA anualmente - a maioria, adultos jovens antes dos 30 anos de idade. No Brasil, não existe estatísticas relacionadas às DII e provavelmente a incidência da DC é bem menor em comparação aos EUA. Entretanto, é possível que médicos pouco familiarizados com as manifestações da doença respondam por uma porcentagem significativa de casos não-diagnosticados, prejudicando o levantamento estatístico da doença no país.

O que sente uma pessoa com Doença de Crohn?

Cólicas intestinais logo após as refeições, em especial em torno do umbigo, é uma das manifestações mais freqüentes. A inflamação causada pela DC é mais comum na parte final do intestino delgado (íleo) e começo do intestino grosso (cólon ascendente), e distúrbios nestes segmentos provocam dor que é referida no meio da barriga ou próxima à virilha direita. Também pode ser observado raias de sangue nas fezes (ou mesmo sangue vivo), náuseas, perda de apetite, febre baixa e persistente, calafrios, fraqueza, desânimo, dores articulares e queda de peso.

Cerca de 1/3 dos pacientes apresentam complicações próximas ao ânus, como fístulas perianais (comunicações anômalas entre o reto e a pele em torno do ânus), fissuras e abscessos. As fístulas perianais recorrentes são tão comuns que a possibilidade de Doença de Crohn deve ser levada em conta em todos os pacientes com este distúrbio. Outro problema grave da DC é a formação de estenoses (estreitamentos) intestinais secundária à inflamação. Estes estreitamentos podem causar obstrução intestinal e necessidade de tratamento cirúrgico de urgência.

O processo inflamatório, contudo, não se restringe ao intestino. A artrite (inflamação das articulações) é a complicação extra-intestinal mais comum da DC. Na maioria dos casos, a dor é mais localizada nas costas e na região lombar - 20% dos pacientes com DC apresentam um distúrbio chamado Espondilite Anquilosante (basicamente, uma inflamação nos locais de inserção ligamentar na coluna lombar).

Os olhos demonstram algum grau de acometimento em 10% dos pacientes com DC (principalmente Uveíte e Irite). O tratamento da doença, à base de corticóides, pode fazer com que o paciente desenvolva osteoporose (diminuição na concentração de cálcio nos ossos). Pacientes com DC apresentam uma incidência maior de cálculos na vesícula biliar e nos rins e vias urinárias, provavelmente devido à problemas de absorção ao longo do trato gastrointestinal. Anemia é comum. A transformação da doença para câncer, apesar de possível, não ocorre em 90% dos pacientes.

O que causa esta doença?

Ainda não se conhece a causa exata da DC. Especula-se sobre interação de bactérias da própria flora intestinal com alterações imunológicas de origem genética, mas nenhuma pesquisa produziu resultados conclusivos.

Como é dado o diagnóstico?

Inicialmente, é preciso que o médico suspeite da ocorrência da doença. Apenas isto já garante boa parte dos diagnósticos. O médico pode solicitar um exame endoscópico do intestino baixo (retossigmoidoscopia ou colonoscopia) para melhor avaliar a presença de lesões. Estenoses e granulomas inflamatórios podem ser observadas e áreas suspeitas devem ser biopsiadas. Fístulas comunicando segmentos intestinais com a vagina, bexiga, rins ou mesmo entre alças intestinais são melhor avaliadas através de estudos radiográficos: uma substância radiopaca (que aparece branca no raio-X) é injetada nas vias urinárias, vagina ou intestino (ou pode, ainda, ser ingerida pelo paciente ou administrada por via endovenosa) e uma série de radiografias é realizada para estudo do trajeto fistuloso.

Inflamações oculares, articulares, renais e outras formas de acometimento em outros sistemas do corpo são avaliadas seguindo protocolos adequados para o órgão ou local afetado.

Não existe um teste sangüíneo ou biópsia que sele o diagnóstico de Doença de Crohn. Esta moléstia é definida por um conjunto de alterações. Caso o médico não tenha a DC em mente, ele pode não relacionar devidamente as dores articulares de um determinado paciente às queixas crônicas de má-digestão do mesmo.

Como a DC é tratada?

A doença de Crohn é uma doença de tratamento difícil, exigindo uma grande harmonia na relação médico-paciente. As recidivas são relativamente comuns e mesmo pacientes fiéis ao tratamento instituído podem apresentar complicações que necessitem de tratamento cirúrgico (isto é esperado em algum momento da evolução da doença em 70% dos indivíduos que sofrem de DC). A cirurgia não significa insucesso ou incapacidade do médico em resolver o problema, mas faz parte do curso esperado da doença. Fístulas e estenoses muito intensas, por exemplo, normalmente precisam ser operadas.

A dieta é uma parte importante do tratamento. Alimentos muito condimentados costumam piorar o desconforto intestinal nas fases de atividade da doença. Uma dieta bem balanceada, com pouca gordura e rica em vitaminas é essencial, uma vez que a DC dificulta a absorção de muitos nutrientes. Suplementos vitamínicos podem ser indicados, mas não faça uso deles sem antes conversar com seu médico.

Vários medicamentos podem ser utilizados no tratamento clínico da DC. As drogas classificadas como Aminossalicilatos (Sulfassalazina e Mesalamina) representaram grande avanço na terapia da DC e têm sido empregadas há bastante tempo e com bom índice de sucesso. Ajudam a diminuir os sintomas e manter a doença em remissão.

Também podem ser empregados corticosteróides (ex: prednisona, hidrocortisona), imunomoduladores (ex: azatioprina, ciclosporina, 6-mercaptopurina, metotrexate) e antibióticos (ex: metronidazol, ciprofloxacin). Todos estes remédios são indicados para casos específicos e só devem ser consumidos sob orientação médica restrita.

Recentemente, foi aprovada uma nova e promissora droga nos EUA para combater a DC. Este medicamento, chamado Infliximab, na verdade é um anticorpo monoclonal produzido por engenharia genética. Ainda não disponível no Brasil, tem mostrado resultados surpreendentes, com excelente resposta na redução dos sinais e sintomas da doença - uma única dose parece produzir benefícios por 8 a 12 meses. Estão sendo realizados vários estudos para avaliar a segurança deste medicamento a longo prazo, bem como possíveis interações medicamentosas perigosas, mas a engenharia genética já abriu uma janela importante para o tratamento da Doença de Crohn, trazendo mais esperança e conforto para milhões de pessoas que sofrem deste distúrbio no mundo todo.

Referências Bibliográficas:

1. Boletins online da Crohn´s & Colitis Foundation of America.
2. Boletim online da Conferência sobre Doença de Crohn promovida pelo National Institutes of Health (NIH) em Bethesda (Maryland, EUA), 14 de dezembro de 1998.

3. Doença de Crohn / parte I. http://www.bibliomed.com.br
4. Doença de Crohn / parte II - Complicações. http://www.bibliomed.com.br
5. Doença de Crohn / parte III - Tratamento. http://www.bibliomed.com.br

Copyright © 2000 eHealth Latin America

terça-feira, 1 de julho de 2008

Anvisa aprova o primeiro medicamento biológico para retocolite ulcerativa

Remicade (infliximabe) é uma nova arma para pacientes que não respondem aos tratamentos convencionais.

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) aprovou em outubro a indicação de Remicade (infliximabe) para o tratamento da retocolite ulcerativa, doença inflamatória intestinal (DII) que tem como principais sintomas cólicas, perda de peso e diarréias com sangramento. Remicade é o primeiro agente biológico aprovado para essa doença no Brasil. A droga também é a única que tem aprovação da Anvisa para Doença de Crohn, outro tipo de doença inflamatória intestinal.

"Remicade é uma poderosa alternativa para os casos graves da doença ou que não respondem aos tratamentos convencionais", afirma Flávio Steinwurz, gastroenterologista e presidente da ABCD (Associação Brasileira de Colite Ulcerativa e Doença de Crohn).

Como a doença é crônica e não tem cura, o principal objetivo do tratamento é induzir a remissão, isto é, a ausência total de sintomas e mantê-la por um longo prazo. "Remicade é capaz de prolongar a remissão, ajudando na cicatrização da mucosa intestinal. Essa melhora, em alguns casos, pode evitar a necessidade de cirurgia para retirada de uma parte do intestino", diz Steinwurz. Além disso, Remicade possibilita a redução do uso de corticóides, um dos tratamentos mais comuns, que causam sérios efeitos colaterais quando utilizados por um longo período.

Os estudos clínicos ACT 1 e ACT 2, randomizados e controlados por placebo, comprovaram a eficácia e segurança de Remicade no tratamento da retocolite ulcerativa. Foram investigados 728 pacientes com retocolite ulcerativa moderada ou grave, que não responderam anteriormente ao tratamento convencional, à base de imunossupressores e corticóides.

Em ambos os estudos, mais de 65% dos pacientes atingiram melhora clínica expressiva na oitava semana de tratamento, após três aplicações de Remicade. Esta resposta é mantida por um longo prazo com as doses de manutenção. Além disso, 35% e 31% dos pacientes que participaram do estudo ACT 1 e ACT 2, respectivamente, alcançaram a remissão dos sintomas após oito semanas.

De modo geral, Remicade apresentou o dobro de resultados em resposta e remissão clínica, cicatrização da mucosa intestinal e redução do uso de corticóides em comparação com o placebo.

Impacto na qualidade de vida

Estima-se que mais de um milhão de pessoas tenham doenças inflamatórias intestinais (doença de Crohn e colite ulcerativa) na Europa e dois milhões nos Estados Unidos. Não há dados sobre a incidência desses problemas no Brasil.

Os tratamentos convencionais para as doenças inflamatórias intestinais, à base de corticóides, imunossupressores e derivados da sulfa, ajudam no alívio dos sintomas. Para os pacientes que não respondem a esses tratamentos, os medicamentos biológicos são novas armas que podem prolongar a remissão dos sintomas, reduzir a necessidade de internações e procedimentos.

As doenças inflamatórias intestinais estão associadas a uma piora da qualidade de vida dos pacientes, restringindo suas atividades sociais e profissionais. A tendência é que o paciente leve uma vida mais regrada, permaneça mais em casa, falte com maior freqüência ao trabalho ou até abandone sua atividade profissional. A piora dos rendimentos somada aos gastos com exames, internações e procedimentos geram um grande impacto financeiro para os portadores, principalmente nos casos em que a doença não está sendo acompanhada e tratada por um especialista (gastroenterologista ou coloproctologista).

Segundo dois estudos publicados recentemente, a utilização de Remicade na retocolite ulcerativa melhorou a qualidade de vida dos pacientes, elevou sua produtividade e proporcionou um aumento de quatro horas de trabalho na semana.

Mais informações sobre a colite ulcerativa e a doença de Crohn podem ser obtidas nos sites www.abcd.org.br e http://cvdii.bireme.br .

Sobre Remicade

Remicade é um medicamento biológico da classe dos anti-TNF indicado para o tratamento da artrite reumatóide, psoríase, artrite psoriásica, espondilite anquilosante, doença de Crohn e retocolite ulcerativa. Apesar de distintas, essas doenças têm em comum o fato de serem consideradas auto-imunes - quando o sistema imunológico tem seu papel invertido e começa a atacar o próprio organismo.

Remicade atua diretamente no bloqueio de uma substância chave no processo inflamatório, a citocina TNF-α (Fator de Necrose Tumoral). Líder da categoria, Remicade já foi usado por quase 700 mil pacientes no mundo, sendo o agente biológico com maior experiência mundial.

Os pacientes que utilizam Remicade recebem entre 6 e 8 aplicações endovenosas do medicamento anualmente, assistidas por um profissional de saúde. Esse tipo de tratamento, segundo pesquisa, é preferido pelos brasileiros em relação aos que exigem injeções subcutâneas quase toda semana - como é o caso de outros agentes biológicos ainda não aprovados no Brasil para o tratamento das doenças inflamatórias intestinais.

Fonte: http://cvdii.bireme.br/tiki-read_article.php?articleId=201

domingo, 29 de junho de 2008

Doença de Chron - Meu relato de caso

Irei contar todo o meu caso, espero que não se cansem pois irei detalhar bem rsrs:

O início...

Em 2001, tinha 22 anos, estava passando por sérios problemas pessoais e fazendo terapia, estava deprimida, foi nessa época (mais ou menos setembro de 2001) que comecei a apresentar os primeiros sintomas da doença de Chron, comecei a ter diarréias ininterruptas, a partir daí começou toda uma história de dor e sofrimento pois essa diarréia foi diária, culminando com uma internação no hospital de minha cidade 9 meses após.

No início eu achei que essa diarréia iria passar sozinha e que era psicológica, dada a fragilidade em que eu me encontrava... eu sequer tinha coragem de me abrir com ninguém, eu tinha vergonha de expor meu problema...

Eu trabalhava o dia todo e estava começando a me sentir mais fraca, sem apetite, perdendo peso, comecei a sentir um desequilíbrio no meu corpo, (quando pisava, parecia que meus pés nunca iam achar o chão) como se eu estivesse levemente embriagada.
Sete meses depois num desses episódios de "embriaguez" eu fui ao hospital (sozinha) e declarei a atendente que eu estava me sentindo mal e que estava com diarréia há sete meses.
rsrs
Lembro-me bem como foi insensível aquela moça, pois ela riu e disse: "Se você tivesse há sete meses com diarréia já teria morrido"...

Eu não fui atendida por nenhum médico naquele dia, ela falou que era para eu procurar um posto de saúde pois ali era somente emergências (como se o meu caso não fosse uma emergência...).

Fui embora e no dia seguinte (03 de abril de 2002) procurei pelo clínico geral, que eu geralmente ia uma vez por ano para fazer exames de rotina, antes de ficar doente . Cabe ressaltar aqui que esses exames sempre estavam muito bons eu sempre tive boa saúde, antes disso eu nunca estive necessitando de cuidados médicos para nada.

Expliquei que além da diarréia, sentia fraqueza e fortes dores na região abdominal.Foi quando comecei a me tratar, mas, sem nenhum diagnóstico. Estava com anemia grave, anorexia e continuando a perder peso,ele me receitou Debridat (antiespasmódico) e pediu alguns exames como:
  • Clister opaco com duplo contraste - normal;
  • Endoscopia - Gastrite Enantematosa Moderada de Antro;
  • Biópsia de mucosa do antro gástrico: Gastrite Crônica Moderada em atividade com presença de H. Pylori;
Apesar de estar sendo acompanhada pelo médico meu quadro só piorava, agora a fraquesa era maior, vivia sonolenta, dormia onde me encostava, e para piorar a situação estava sentindo fortes enjôos.
O médico receitou Omeprazol (para a gastrite) e Metaclopramida (para os enjôos;)
Não adiantou nada e chegou ao ponto de eu não conseguir mais me alimentar.

(Início de Junho de 2002) Fiquei uma semana sem conseguir reter nenhum tipo de alimento (inclusive água) no estômago. Ia para a emergência do hospital a noite e tomava soro e de manhã ia trabalhar na confecção onde permanecia até as 17:00 horas. Certa vez quando após ter passado a noite no hospital fui trabalhar e chegando lá ao explicar meu problema para a patroa tive que correr e vomitei muito sangue, foi quando ela me orientou a voltar para casa e ir ao médico. Segui seu conselho e quando o médico me viu me encaminhou para a internação urgente. Eu não queria ir mas meus familiares me levaram e foi quando fiquei internada.

A internação
Eu estava já há uma semana sem comer, desnutrida e desidratada. Meu sistema imunológico baixou e com dois dias que estava internada, peguei pneumonia. Essa pneumonia foi muito intensa e permaneci sem melhoras por uns 17 dias a ponto de fazer exame de tuberculose de tanto que eu tossia.

Agora 12 kilos mais magra, passei a pesar 40 kg. continuava a não reter o alimento por sentir muito enjôo, tendo febres altíssimas diariamente na parte da tarde, e toda medicação que eu tomava não surtiam efeito benéfico, parecia que quanto mais eu tomava remédios sentia-me pior.

Fiz uma série de exames para descobrir a causa de todos aqueles sintomas e daquela inflamação, sem nenhum sucesso. Repeti o Clister Opaco, a endoscopia, houve suspeita de tuberculose intestinal, fiz até teste de HIV que graças a Deus deu negativo.

A médica que me acompanhava já estava ficando intrigada e um dia numa de suas visitas desabafou: "Seu problema só pode ser psicológico pois se todo mundo melhora com todos esses antibióticos que vc tomou, porque você não melhora?". Mais tarde recebi a visita da psicóloga, ela me fez algumas perguntas e nunca mais voltou.
Cheguei ao ponto de não conseguir pentear meus cabelos (que são compridos) e a tomar banho sentada tal a minha fragilidade.

Dia marcante...
Já havia se passado 23 dias da minha internação... naquela manhã não estava sentindo muitas dores, só sentia sono, muito sono, adorava visita, aliás era a hora mais esperada do dia, mas naquele dia, eu não via a hora de acabar logo para eu continuar a dormir.
Todos me acharam "coradinha" Achando que eu estava melhorando...

Ao terminar a visita a enfermeira achou estranho aquele sono todo e resolveu aferir minha pressão e temperatura. Ela ficou surpresa ao perceber que eu estava com uma febre altíssima, tal que não conseguiu disfarçar e começou a agitar, 5 minutos depois chegou a médica que estava de plantão que descobriu minhas pernas e fez uma espécie de palpação.
Logo após a enfermeira pendurou um monte de frascos no meu soro e um deles era envolvido num plástico preto que me deixou muito curiosa! Até hoje não sei o que é! Mas o importante é que depois disso eu comecei a sentir uma sensação horrível como sensação de falta de ar, taquicardia, meu corpo ficou totalmente descontrolado, não conseguia nem falar direito, foi muito assustador...

Uma acompanhante de outra paciente ficou preocupada e me pediu o telefone de casa para ligar para meu esposo, eu falava número por número descansando um tempo entre um e outro, como numa angústia de morte...
Meu marido chegou desesperado chorando muito a minha cama já estava bem inclinada para facilitar minha respiração, tomei 3 litros de soro naquela noite, pela manhã ao me olhar no espelho não reconhecia meu rosto, pois estava sem cor pálido e edemaciado. Foi meu pior dia ali...

Decisão difícil
Eu comecei a refletir e resolvi tomar uma decisão muito drástica após esse episódio, eu resolvi não aceitar mais nenhum tipo de medicação e eu sou muito teimosa, logo ninguém conseguiu me convencer do contrário. Disse que assinaria o que quisessem mas que daquele dia em diante eu só aceitaria o soro se eles abrissem a embalagem na minha frente.

A médica já não me visitava há uns quatro dias + ou - então a decisão foi minha com às enfermeiras. E assim foi, na primeira noite eu nem dormi direito para vigiar e quando via alguma enfermeira logo falava: "A mim você não vai medicar!". Eu sentia pavor quando via os remédios!

No dia seguinte a esta decisão eu acordei me sentindo melhor e pela primeira vez consegui tomar o café da manhã direitinho, estava com fome e comi dois pãezinhos. Passei o dia bem as enfermeiras estavam surpresas, a noite a médica veio muito chateada comigo e disse que eu não deveria interromper pois eram antibióticos e eu não queria nem saber, continuei me negando a tomar, então ela mandou eu fazer mais um exame de sangue para ver a inflamação e a anemia e depois me daria alta. Eu parei de tomar a medicação no domingo e na quarta-feira recebi a alta hospitalar por me negar a continuar o tratamento. Fiquei internada 30 dias exatos e não saí com nenhum diagnóstico a não ser o "psicológico"!!!
Abaixo estão listados os CIDs da folha de alta:

A 09 - Diarréia e gastroenterite de origem infecciosa presumível
R 11 - Náusea e vômitos
K 29.7 Gastrite não especificada
R 52.9 Dor não especificada Dor generalizada SOE
R 68.8 Outros sintomas e sinais gerais especificados
J18.9 Pneumonia não especificada

Após isso voltei a trabalhar, continuei passando mal, fraca, mas a vida tinha que continuar. Ia de vez em quando pra emergência para tomar soro ou quando meu abdômen ficava super distendido e com dor.
Eu permaneci freqüentando o clínico geral de antes, tomei bastante ferro, ácido fólico para a anemia (Hematócrito 31 %), continuei com Omeprazol e buscopam em quadros de dor.

Uma noite numa crise eu senti muita dor abdominal tal era a intensidade que eu não aguentava e rolava, deitei no chão do box e liguei o chuveiro pois a água aquecida fazia me sentir melhor. Eu não conseguia tomar o analgésico pois estava com náusea e não retia a água.

Isso era de madrugada + ou - 1 hora da manhã. Eu suportei essa dor até dar 6 horas e ir ao meu médico pois ele só ouvia minhas queixas, não havia visto ainda o meu estado.
Foi uma decisão acertada pois foi aí que ele suspeitou do Chron. No dia 13/12/2002 eu fiz um SEED + TRÂNSITO DELGADO que elucidou finalmente meu caso! Foi diagnosticado:

Compatível com enterite regional (doença de CHRON).

Fiquei assustada com isso, mas ao mesmo tempo aliviada pois agora sabendo o que eu tinha poderia me tratar corretamente!

Fístula
Nesse mês também tive coragem de falar da fístula que surgiu, ao médico, pois eu tinha vergonha e não sabia se tinha alguma coisa a ver;

O tratamento comecei em (27/12/2002)
O clínico me encaminhou para um gastroenterologista para seguir com o tratamento correto e no início eu tomei: Meticortem 20 mg e micostatin. Continuei tomando Omeprazol. Passei também a cuidar de minha dieta tomando leite de soja e não comendo alimentos fritos, enlatados e embutidos, produtos com conservantes. Passei a comer apenas alimentos muito bem cozidos e sem gorduras.

Complicações:
  • Litíase renal E em 24/01/2003;
  • Eritema nodoso em MIS em Junho/2003;
  • Enxaqueca em Junho/2004; (Tomei Tenliv e neosaldina)
  • Segunda Pneumonia setembro/2004; (tomei Azitromicina 500 mg)

Passei a melhorar significativamente, ganhei peso rapidamente e meu apetite aumentara muito, eu estava animada pois meu médico é muito competente, dedicado e atencioso comigo!

Em Junho/2003:
Passei a tomar IMURAN;
Sulfasalazina 3 vezes ao dia;
Prednisona foi diminuído até que parei de tomar;
Comecei a tomar também Nutrimaiz SM; Depois CENTRUM;

Permaneci apenas com o Imuran e com a Sulfa até + ou - início de 2007 quando permaneci somente com o Imuram. Tive uma crise em Janeiro de 2007 e fiquei internada 10dias, tive outra crise em dezembro de 2008.


Agradeço a visita de vocês ao blog um abraço a todos e torçam por mim!!!

Atenção:
Quero deixar claro que as decisões que relatei ter tomado aqui são escolhas que eu fiz em determinadas situações e que em nenhum momento encorajo a ninguém a fazer as mesmas escolhas ou agir da maneira que eu agi. Lembrem-se que DIANTE DE CADA SITUAÇÃO, HÁ UMA DECISÃO, e que cada ser use o seu livre arbítrio para fazer o que lhe deixar feliz.



domingo, 13 de abril de 2008

Crohn - Algumas perguntas mais frequentes:

Gravidez e Crohn ?

Não há nenhum problema se da paciente de Crohn ficar grávida. Alguns remédios podem fazer mal ao feto, assim é recomendável informar o médico da gravidez.

Apesar de se achar que a doença é hereditária, não é comum os pais ( se o pai ou a mãe forem portadores da doença ) transmitirem a doença ao filho/filha. O que pode ocorrer é o seu irmão/irmã ou netos venham a ter a doença.

O que causa a doença ?

Há várias teorias sobre o que causa a Doença de Crohn, mas até agora nenhuma foi provada. Uma delas é que algum agente, talvez um vírus ou uma bactéria, afeta o sistema imunológico para desencadear uma reação inflamatória da parede do intestino. Apesar de saber-se que pacientes com essa doença tem o sistema imunológico com funcionamento anormal, os médicos não sabem se os problemas imunológicos são a causa ou o resultado da doença.

Quais os Sintomas?

Os sintomas mais comuns são, dor abdominal, freqüentemente na parte baixa e a direita do abdomen , diarréia ou constipação. Há também sangramento retal, perda de peso e febre. Se o sangramento for abundante e constante, leva a anemia. As crianças podem ter o seu desenvolvimento retardado.

Qual o melhor Tratamento?

Muitas drogas existem para ajudar no controle da doença, mas nenhuma leva a cura. · que se faz é usar uma dieta nutricional, controlar a inflamação e diminuir a dor abdominal, a diarréia e o sangramento retal. A sulfasalazina freqüentemente diminue a inflamação , especialmente a do colon. Pode ser usada por longos períodos e juntamente com outros remédios. · pacientes que não suportam a sulfasalazina, freqüentemente se dão bem com outras drogas como as mesalaminas ou 5-ASA · Ainda pode-se usar juntamente com esses medicamentos, drogas como corticóides, antibióticos ou aquelas que afetam o sistema imunológico como a azathioprina ou 6-MP.

Dietas ?

Dizem não existir dietas específicas para prevenir ou tratar a doença. Mas, algumas pessoas tem seus sintomas diminuídos evitando tomar álcool, leite e seus derivados, comidas apimentadas, frituras, ou fibras. Como cada pessoa reage diferente, é aconselhável que se procure um nutricionista que conheça bem a doença, e evitar as comidas que percebe fazerem mal. Não se deve tomar grandes doses de vitaminas, porque além de desnecessárias podem causar efeitos indesejáveis.

O paciente com doença crônica, precisa de uma boa alimentação, para que possam ser repostos no organismo nutrientes, vitaminas e minerais que são perdidos devido a dificuldade de absorção dos alimentos, diarréia, apetite reduzido.

Apesar dos médicos dizerem que o paciente de Crohn pode comer de tudo, aconselha-se que sejam evitados alimentos condimentados, com gordura, açucares, leite e seus derivados, alimentos que contenham fermento.

Existem Pesquisas ?

Existem alguns laboratórios pesquisando não só a cura da doença, como também remédios que tratem melhor os sintomas, tornando a vida do paciente mais fácil.

A Isis Pharmaceutical e a Boehringer Ingelheim possuem uma pesquisa sobre um antinflamatório chamado Isis 2302, na segunda fase de testes.

O Interleukin 10 que atua como imunossupressor e antinflamatório. Os resultados dos testes indicam que o IL10 administrado diariamente por uma semana é seguro e bem tolerado sendo clinicamente eficiente.

Mycobacterium, Paratuberculosis?

Existem várias frentes de pesquisas no sentido de se encontrar a causa da doença. Os tratamentos usados atualmente só tratam dos sintomas, tentando trazer aos pacientes um pouco mais de conforto. Em 1913, o cirurgião Dr.Dalziel, descreveu uma doença que se hoje chamamos de doença de Crohn. Ele acreditava que ela era originaria de uma bactéria chamada "Mycobacterium paratuberculosis". Essa bactéria causa tuberculose intestinal e paratuberculose, doenças com sintomas similares ao Crohn. No entanto, ele não pode provar a ligação . Em 1932, Burrill B.Crohn , o primeiro a documentar a doença de Crohn, não pode encontrar uma origem bacteriana da doença.

As pesquisas continuam ainda hoje, no sentido de se estabelecer uma ligação entre a citada bactéria e a doença.

Qual a relação de TENSÃO E ANSIEDADE com as doenças intestinais?

A ansiedade - problema causado pelas pressões da vida - é talvez a emoção que mais pesa nos indícios científicos que a ligam ao começo da doença e ao curso da recuperação. Quando a ansiedade serve para que nos preparemos para lidar com algum perigo (uma suposta utilidade na evolução humana) , está nos prestando um bom serviço. Mas a vida moderna a ansiedade é, na maioria das vezes, fora de propósito e dirigida para o alvo errado - a raiva se torna patológica quando ocorre em circunstâncias triviais ou quando é invocada pela mente como reação equivocada, dirigida ao alvo errado. Repetidos ataques de ansiedade indicam altos níveis de estresse. A mulher cuja preocupação constante lhe causa problemas gastrintestinais é um exemplo didático de como a ansiedade e o estresse exacerbam problemas clínicos. Num comentário de 1993, nos Archives of Internal Medicine, sobre a extensa pesquisa sobre a correlação estresse-doença, Bruce McEwen, psicólogo de Yale, observou um largo espectro de efeitos: comprometimento do sistema imunológico a ponto de disparar a metástese do câncer; aumento da vulnerabilidade a infeções virais,; exacerbação na formação de placas que levam à arteriosclerose e à obstrução do sangue que causa enfarte do miocárdio; aceleração do início da diabete Tipo I e do curso da Tipo II; e piora ou provocação de uma crise asmática. O estresse também pode levar à ulceração do trato gastrointestinal, provocando sintomas como colite ulcerativa e doenças inflamatórias do intestino. O próprio cérebro está sujeito aos efeitos de longo prazo do estresse constante, incluindo danos ao hipocampo e, portanto, à memória. De um modo geral, diz McEwen, "crescem os indícios de que o sistema nervoso está sujeito a "desgaste e rompimento"como resultado de experiências estressantes. Indícios particularmente fortes do impacto clínico da perturbação vieram de estudos sobre doenças infecciosas como resfriados, gripes e herpes. Vivemos constantemente expostos a esses vírus, mas em geral nosso sistema imunológico os mantém à distância - só que, sob estresse emocional, essas defesas na maioria das vezes falham. Em experimentos nos quais a robustez do sistema imunológico foi avaliada diretamente, descobriu-se que o estresse e a ansiedade o debilitam, mas a maioria desses estudos não deixa claro se a gama de enfraquecimento imunológico tem significado clínico - ou seja, se é suficientemente grande para abrir caminho à doença. Por esse motivo, mais fortes ligações científicas entre tensão e ansiedade com vulnerabilidade clínica vêm de estudos em perspectiva: aqueles que começam com pessoas saudáveis e monitoram primeiro um aumento de perturbação, seguido por um enfraquecimento do sistema imunológico e o início da doença. ( Inteligência Emocional - Daniel Goleman, PhD ) - Vale ler esse livro.


Viajar ?

Os portadores da doença de Crohn podem viajar para onde quiserem. Precisam somente ter a mão alguns recursos, tais como; levar os remédios não só em quantidade suficiente para o tempo da viagem, como também ter um pouco a mais, caso seja necessário aumentar a dose. A mudança de fuso horário, hábitos alimentares, stress de viagem podem gerar a necessidade de se ter a dose de medicamentos aumentada, durante esse período; ter o telefone do médico assistente para qualquer eventualidade; ter por escrito a medicação que usa, no caso de ter que procurar um médico local.


Stress e Crohn ?

Cientistas já relacionaram o stress com a doença. A tensão emocional pode influir no curso da doença. O acompanhamento de um psicoterapeuta, com conhecimentos das enfermidades intestinais é muito recomendado, ajudando no controle da doença e até fazendo com que os sintomas desapareçam.


Fonte: http://www.geocities.com/hotsprings/8065/paginas/perguntas.html



Bactérias vindas do leite seriam a causa do Crohn? Será Verdade?

A paratuberculose por microbactérias provoca uma doença bovina conhecida como "Mal de Johne". Vacas diagnosticadas com esta doença têm diarreia e intensa eliminação fecal de bactérias. Estas bactérias multiplicam-se no leite, e não são destruídas pela pasteurização. Por vezes as bactérias vindas do leite passam a crescer no hospedeiro humano, e daí resulta a síndrome do intestino irritável, ou doença de Crohn.

Fonte: http://www.centrovegetariano.org/Article-73-Lactic%25EDnios%2Be%2Ba%2Bsa%25FAde.html

Paratuberculose é ameaça e prejuízo certo para o rebanho leiteiro

"A paratuberculose é a mais recente e perigosa ameaça à sanidade dos rebanhos leiteiros. Não tem cura, e sua presença já está confirmada em cerca de 22% das fazendas dos EUA", declarou a médica veterinária Patty Scharko, da Universidade de Kentucky-EUA, ao abordar o tema durante o 4º Simpósio Internacional sobre Produção Intensiva de Leite, evento realizado em julho último, em Caxambu- MG. Como especialista, ela disse que o mais preocupante, da também conhecida como Doença de Johnes, é sua ação silenciosa, pois quanto mais tempo ela passa despercebida, maior é o número de animais que se tornam infectados. "Cada caso clínico confirmado dentro de um rebanho pode representar até 15 outros em estágio subclínico".

Segundo sua definição, a nova doença apresenta-se como uma infecção bacteriana contagiosa que ataca o trato intestinal dos ruminantes. A bactéria Mycobaterium paratuberculosis é o agente transmissor, sendo capaz de se desenvolver principalmente no interior do organismo dos animais. Contudo, se o solo ou água estiverem contaminados com esta bactéria, ela será capaz de sobreviver por período de até um ano, dada a sua alta resistência ao frio, calor e ressecamento. A veterinária conta ainda que geralmente a vaca se infecta quando bezerra, através do contato com esterco, leite e colostro contaminados ou, então, durante a vida intra-uterina. Um quadro que faz com que os animais com menos de seis meses de idade sejam os mais susceptíveis.

Diante disso, é comum a doença se incubar, mostrando os sinais somente aos três anos de idade, geralmente após situações de estresse, como a parição. Sua ação contagiosa, que causa sérios danos ao intestino, tem como principais sintomas a diarréia, perda progressiva de peso, sem perder o apetite, e queda na produção de leite. Um estudo recente realizado pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos anuncia que os prejuízos com a doença chegam a uma redução de 25% na produção de leite, sem contar os custos veterinários e o descarte prematuro de fêmeas em período de produção. Outra chance de se ter contato com a doença é através de aquisição de animais adultos infectados, sem sinais clínicos evidentes. Dessa forma, o produtor só se vai dar conta quando surgirem os primeiros sintomas da doença.

As vacas infectadas são capazes de eliminar a bactéria através do leite e das fezes. O Mycobaterium paratuberculosis leva a um espaçamento da parede intestinal do animal, reduzindo a capacidade absortiva de nutrientes e promovendo uma disfunção intestinal. A bactéria é extremamente resistente ao sistema imunológico do hospedeiro, mostrando-se por enquanto incurável. De acordo com a veterinária Scharko, alguns tratamentos possíveis foram realizados em cabritos e ovelhas, mas se mostraram inviáveis pelo seu alto custo. "O melhor, então, é se voltar para a prevenção", anuncia. A doença tem sinais positivos em várias regiões dos EUA e países da Europa, além de mostrar uma prevalência crescente nos rebanhos leiteiros da Nova Zelândia e da Austrália. No Brasil, o primeiro estudo foi realizado no início deste ano, e os resultados foram alarmantes.

Como a doença se desenvolve no animal? A resposta, dada pela veterinária de Kentucky, divide a paratuberculose em quatro estágios. O primeiro, quando os animais apresentam uma infecção inaparente (sub-clínica), o que acomete quase sempre bezerras e novilhas. Essa fase é muito difícil de ser identificável por exames. O segundo estágio, que acomete novilhas mais velhas, faz com que estes animais ainda saudáveis eliminem as bactérias pelas fezes. Isso significa um sério risco para o rebanho, pois os resultados dos testes diagnósticos são bastantes inconsistentes, variando em função do número de microorganismos disseminados. No terceiro estágio, os animais apresentam sinais clínicos evidentes como diarréia aquosa aguda e sistêmica, e as perdas em produção de leite são bastante aparentes. O diagnóstico laboratorial é preciso nesta fase. Em caso positivo, o quarto estágio é irreversível, e, ao atingi-lo, o animal morrerá em três semanas.

A DOENÇA NÃO TEM CURA, MAS TRÊS SÃO OS TESTES PARA O DIAGNÓSTICO

O médico veterinário Christian Campos Pereira, que vem estudando a doença no campus de Pirassununga-SP, da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia USP, alerta para os produtores atentarem especialmente para o caráter subclínico ou inaparente da doença. Conta que alguns estudos estimam que, num rebanho de 100 vacas adultas, a presença de um quadro clínico avançado (estágio quatro), indica a existência de um a dois animais no estágio três; quatro a oito no estágio dois e 10 a 14 animais na fase um, ou seja, no início do quadro subclínico. "Isso significa que para cada caso clínico agudo tem-se de 15 a 25 animais infectados dentro do rebanho", estima. Lembra que a doença tem um aspecto perverso, ao apresentar a forma sub-clínica por um longo período nos estágios iniciais da infecção, o que determina uma limitação para identificação dos animais.

O diagnóstico para certificar a presença da Doença de Johnes pode ser feito através de três testes: cultura de fezes, teste de DNA nas fezes e sorologia. O primeiro é bastante demorado e requer até 16 semanas para se obter o resultado. Já a utilização do DNA recombinante nesse mesmo teste pode ajudar a identificar as bactérias nas fezes, mas é preciso que haja um número expressivo de microorganismos e a fase da doença não seja inicial. Respectivamente, custam em média R$30 e 45, por amostra. A sorologia, por sua vez, é a opção mais recomendada para identificar a presença de anticorpos contra o agente causador. A melhor opção é o Elisa (Enzyne Linked Immunoabsorbent Assay), um teste bastante rápido, tendo uma especificidade de 95 a 99%, ou seja, com poucas chances de apresentar falso positivo.

"Entretanto, apresenta aproximadamente 56% de sensibilidade nos casos sub-clínicos e 85% em casos clínicos, o que significa que pode haver um número considerável de falso negativo quando se estiver fazendo uma análise sorológica de todo rebanho", observa Scharko, explicando que desta forma alguns animais positivos nunca serão positivos neste exame. Por outro lado, considera que tais testes são muito bons para diagnosticar animais afetados clinicamente, podendo subestimar o número de animais em estágios iniciais de controle. Em termos práticos, o teste Elisa é adequado para se fazer um levantamento inicial da prevalência da doença na propriedade, podendo-se utilizar a cultura de fezes ou o teste de DNA para confirmar a presença do agente apenas em animais positivos. Nos EUA, o Departamento de Agricultura recomenda que os testes sejam feitos a partir do segundo ano, e o produtor não paga nada por eles.

Para o médico veterinário Pereira, da FMVZ-USP, o produtor deve ter em mente que a paratuberculose é uma doença altamente contagiosa e que as vacinas existentes são ainda muito ineficazes. "Por isso, o controle da doença e suas chances de erradicação do rebanho devem se basear em estratégias de manejo e descarte de animais positivos", ensina. Concordando com ele, Patty Scharko discorre sobre sua identificação e o descarte mais rápido possível. A propósito, orienta para que a compra de gado seja feita somente de rebanhos livres da doença, não permitindo que vacas positivas venham a parir na fazenda. Outro alerta: "O criador não deve emprestar touros para outras propriedades. Há o risco de contágio, e o agente transmissor pode ser transmitido através do esperma". Tal possibilidade implica que o touro deve ser submetido periodicamente aos testes que detectam a doença. Sugere ainda que todo o instrumental utilizado em inseminação artificial e transferência de embriões deve ser cercado da máxima assepsia possível.

MANTER O REBANHO FECHADO: A PREVENÇÃO MAIS EFICAZ

Princípios de higiene devem também ser aplicados em todos os espaços da propriedade. Os alimentos, antes de serem fornecidos, devem ficar distantes dos animais e jamais deve se usar o mesmo equipamento para manejar fezes e comida. Ao mesmo tempo, deve-se estar atento a possível contaminação fecal da fonte de água. Outra boa dica é reduzir o contato entre animais adultos e bezerros, o que significa inclusive não fornecer sobras da dieta de um para o outro. O tratador deve estar sempre de botas limpas ao trabalhar com os bezerros e, principalmente, seguir atentamente o que determina o programa previamente preparado para o controle específico da paratuberculose na fazenda. Para isso, cabe ao produtor convocar um veterinário que conheça as técnicas de manejo de prevenção da doença.

"A manutenção de um rebanho fechado é o melhor método para evitar a contaminação do rebanho" , ressalta Patty Scharko. Diz isso, levando em conta que os atuais métodos diagnósticos não conseguem detectar todos os animais positivos. Nos Estados Unidos, o Sistema Nacional de Monitoramento da Saúde Animal mostrou que 22% das propriedades leiteiras apresentavam pelo menos 10% de vacas infectadas com Mycobacterium paratuberculis. Os resultados apontaram que a prevalência está relacionada com o tamanho do rebanho. Cerca de 40% dos rebanhos com mais de 300 vacas tinham taxas de infecção de pelo menos 10%. O mesmo estudo apontou que cada animal infectado causa um prejuízo em produção de leite de US$227 por vaca/ano, além de significar perda de animais geneticamente valiosos, gastos veterinários e dificuldades na comercialização de animais.

No Brasil, o único experimento realizado sobre a presença da paratuberculose foi realizado no primeiro trimestre deste ano por pesquisadores da FMVZ-USP em propriedades dos municípios de Pirassununga, Descalvado e São Carlos, no interior paulista. Foram escolhidos 20 rebanhos especializados de diferentes sistemas de exploração. Ao todo, o estudo envolveu 403 vacas, com duas ou mais lactações, as quais foram submetidas ao teste Elisa, para identificar através do sangue a presença de anticorpos contra o agente transmissor da doença. O médico veterinário Christian Pereira, um dos coordena dores do estudo, revela que 153 dos animais da amostra apresentaram resultados positivos, ou seja, 38% estavam infectados. E pior: das 20 fazendas visitadas, apenas uma delas não apresentou nenhuma vaca com a doença. Uma outra apontou 75% de animais infectados com o agente.

"O resultado é alarmante, mas deve-se considerar que é apenas o primeiro levantamento feito no país", observa o veterinário. Lembra, no entanto, que uma fazenda gaúcha de leite tipo A, próxima a Porto Alegre, encerrou as atividades no ano passado em virtude da disseminação da doença em seu rebanho Holandês. Destaca ainda que, ao contrário do que se pensa, a doença não é recente. "O primeiro registro de paratuberculose é datado de 1895, na Alemanha. Hoje, ela está espalhada no mundo inteiro, mas a mídia veterinária só veio valorizá-la nos últimos cinco anos", observa. Talvez por isso, muitos produtores e também veterinários ainda tenham dificuldades de identificar seus sintomas dentro do rebanho, confundindo-a com outras enfermidades.

Por exemplo, paratuberculose nada tem a ver com a tuberculose. Seus agentes causadores são diferentes. No primeiro caso, a ação se dá pelo Mycobacterium paratubeculosis, que se aloja no intestino, gerando diarréia e perda de peso, enquanto no segundo, pelo Mycobacterium tuberculosis, que se estabelece no pulmão, promovendo problemas respiratórios. O estudo da FMVZ-USP deve ter prosseguimento ainda este ano, voltando-se agora para o isolamento do agente infeccioso e para a identificação de novas recomendações de manejo que orientem a prevenção. Uma delas foi sugerida por Scharko, ao apontar experimentos realizados em Michigan (EUA), cujos resultados indicaram que a redução dos níveis de ferro no solo, elevando-se o pH, contribui para que as bactérias tenham dificuldades para se multiplicarem.

Por outro lado, Pereira lembra que a potencial ligação da paratuberculose com a Doença de Crohn, que acomete o homem, tem perturbado a comunidade científica. "O M. paratuberculosis tem sido isolado em 70% dos pacientes humanos com a Doença de Crohn, que é caracterizada por sintomas muito parecidos com os da doença de Johne, como diarréia e perda de peso", explica. A semelhança entre os dois processos patológicos não se resume apenas à sintomatologia, mas também à epidemiologia, pois ambas são de caráter crônico, promovendo lesões teciduais graves no epitélio intestinal, com os sinais iniciais nos primeiros anos de vida. "Se realmente houver uma relação direta entre as duas doenças, pode acontecer o mesmo que vem ocorrendo com a síndrome da vaca louca. Muitas pessoas vão deixar de beber leite, comer carne, e os prejuízos mais uma vez vão afetar os produtores", alerta a veterinária de Kentucky.

Mais informações sobre a Doença: ccpereira@yahoo.com

FONTE:
Revista Balde Branco – Número 419 – Set/99

R Gomes Cardim, 532 – CEP 03050-900 – São Paulo-SP

Médico brasileiro desenvolve tratamento para combater doenças degenerativas nos EUA uma grande esperança para quem tem ELA (Esclerose Lateral Amiotrófica)

O médico brasileiro Dr. Marc Abreu desenvolveu um tratamento para doenças degenerativas que impede seu avanço e reverte seus efeitos por mei...