domingo, 23 de setembro de 2007

Sistema Articular: Talo - Crural

TALO-CRURAL
Sistema Articular - Articulações Sinoviais (Diartroses)




Articulação do tornozelo, é uma articulação uniaxial. Envolve a extremidade inferior da tíbia e seu maléolo medial, o maléolo lateral da fíbula e o corpo do tálus.
- Ligamento medial
- Complexo ligamentar medial
- Complexo ligamentar lateral
Ligamentos do Tornozelo (Talo-Crural)
Fonte: NETTER, Frank H.. Atlas de Anatomia Humana. 2ed. Porto Alegre: Artmed, 2000.

Sistema Articular: Tibio - Fibular

TIBIO-FIBULAR
Sistema Articular - Articulações Sinoviais (Diartroses)




Dividida em proximal e distal. As duas são sinoviais. Todas elas possuem um ligamento tibiofibular anterior e tibiofibular posterior.
Ligamentos do Tornozelo (Tibio-fibular)
Fonte: NETTER, Frank H.. Atlas de Anatomia Humana. 2ed. Porto Alegre: Artmed, 2000.

Sistema Articular: Joelho

JOELHO
Sistema Articular - Articulações Sinoviais (Diartroses)




A maior das articulações humanas. É uma articulação sinovial composta, condilar dupla com a existência de meniscos articulares. Possui uma parte selar, referente a articulação com a patela.
- Cápsula fibrosa
- Membrana sinovial
- Ligamento da patela
- Ligamento poplíteo oblíquo
- Ligamento poplíteo arqueado
- Ligamento colateral fibular
- Ligamentos transverso anterior
- Ligamentos transverso posterior
- Ligamento menisco femoral
- Ligamento transverso do joelho
Ligamentos do Joelho
Fonte: NETTER, Frank H.. Atlas de Anatomia Humana. 2ed. Porto Alegre: Artmed, 2000.

Ligamentos do Joelho
Fonte: Imagens cedidas pelo Laboratório de Anatomia.

Sistema Articular: Quadril

QUADRIL
Sistema Articular - Articulações Sinoviais (Diartroses)




Esta articulação é multiaxial e do tipo esferóide. A cabeça do fêmur articula-se com o acetábulo.
- Cápsula fibrosa
- Membrana sinovial
- Ligamento ileofemoral
- Ligamento pubofemoral
- Ligamento isquiofemoral
- Ligamento da cabeça do fêmur
- Ligamento transverso do acetábulo
Ligamentos do Quadril
Fonte: NETTER, Frank H.. Atlas de Anatomia Humana. 2ed. Porto Alegre: Artmed, 2000.

Sistema Articular: Coluna Vertebral

COLUNA VERTEBRAL
Sistema Articular - Articulações Sinoviais (Diartroses)




Articulações dos corpos vertebrais
Os corpos vertebrais estão unidos pelos ligamentos longitudinais anterior e posterior e pelos discos intervertebrais cartilagíneos.
Ligamento longitudinal anterior - Se estende ao longo das faces anteriores dos corpos das vértebras.
Ligamento longitudinal posterior - Localizado no canal vertebral, nas faces posteriores dos corpos vertebrais.

Os discos intervertebrais
Localizam-se entre as faces adjacentes do áxis até o osso sacro. Ficam entre as cartilagens hialinas dos corpos das vértebras. Possuem um núcleo pulposo e um anel fibroso.
Articulações dos arcos vertebrais as articulações entre os processos articulares vertebrais, zigapófises, como são chamadas, são sinoviais e variam com a vértebra.



Articulações zigoapofisárias
Cápsulas Articulares - são finas e frouxas e inseridas nas facetas articulares das zigoapófises adjacentes.
Ligamentos amarelos - são ligamentos que unem as lâminas das vértebras adjacentes no canal vertebral.
Ligamento supraespinhal - Corda fibrosa resistente que une os ápices dos processos espinhosos a partir da 7ª vértebra cervical até o sacro.
Ligamento da nuca - septo intermuscular fibroelástico bilaminado, é homólogo ao ligamento supraespinhal.
Ligamentos interespinhais - finos e quase membranáceos, unem os processos espinhosos adjacentes.
Ligamentos intertransversários - entre os processos transversos, consistem, nos níveis cervicais, em poucas fibras irregulares, grandemente substituídos pelos músculos intertransversários. Na região torácica, eles são cordas intimamente misturadas com os músculos adjacentes, na região lombar, são finos e membranáceos.

Articulações lombossacrais
São as articulações entre a 5ª vértebra lombar e o osso sacro. Seus corpos são unidos por uma sínfise, incluindo um disco intervertebral.
Ligamento ileolombar – inserido na face ântero-inferior da Quinta vértebra lombar e irradia na pelve por meio de dois feixes: um inferior, o ligamento lombossacral que insere-se na face ântero-superior do sacro e um feixe superior, a inserção parcial do músculo quadrado do lombo, passando para a crista ilíaca anterior à articulação sacroilíaca, continua acima com a fáscia toracolombar.

Articulação sacrococcígea
Esta é uma sínfise entre o ápice do sacro e a base do cóccix, unidos por um disco fibrocartilagíneo.
Ligamento sacrococcígeo anterior - fibras irregulares que descem sobre as faces pélvicas tanto do sacro como do cóccix.
Ligamento sacrococcígeo posterior - superficial passa da parte posterior da Quinta vértebra sacral par o dorso do cóccix.
Ligamento sacrococcígeo lateral – liga um processo transverso do cóccix ao ângulo ínfero-lateral do osso sacro.
Ligamentos intercornais – unem os cornos do sacro e do cóccix.

Articulações atlanto-axiais
Compreende três articulações sinoviais. Duas dessas articulações compreende um par entre as faces articulares inferiores das massas laterais do atlas e as faces articulares superiores do áxis. A outra articulação é a atlanto-axial mediana que compreende a face articular do dente do áxis, a face articular do arco anterior do atlas e o ligamento transverso.

Articulações atlanto-occipitais
Articulações elipsóides correspondente as faces articulares das massas laterais do atlas e os côndilos do occipital.
As cápsulas fibrosas circundam os côndilos do occipital e as facetas articulares das massas laterais do atlas.
A membrana atlanto-occipital anterior larga e de fibras densamente entrelaçadas une a margem anterior do forame magno com a borda superior do arco anterior do atlas.

Ligamentos que unem o áxis ao occipital
A membrana tectórica é uma extensão do ligamento longitudinal posterior.
Ligamentos alares - Começam de cada lado do ápice do dente do áxis e inserem-se na parte medial rugosa dos côndilos do occipital.
Ligamento apical do dente - estende-se do ápice do dente do áxis até a margem posterior do forame magno, entre os ligamentos alares.
Ligamento apical do dente - estende-se do ápice do dente do áxis até a margem posterior do forame magno, entre os ligamentos alares.

Articulações costovertebrais
Articulações das cabeças das costelas – As costelas típicas articulam-se com as hemifacetas das vértebras numa articulação sinovial dupla do tipo plana. A 1ª a 10ª até 12ª articulam-se com uma faceta completa numa articulação sinovial simples.
Cápsulas fibrosas - unem as cabeças das costelas às faces articulares das vértebras.
Ligamentos radiados das cabeças das costelas - une as partes anteriores das cabeças das costelas aos corpos de duas vértebras e seus discos.
Ligamento intra-articular da cabeça da costela - é um feixe curto, achatado, inserido lateralmente na crista entre as facetas articulares e, medialmente no disco intervertebral, dividindo a articulação.

Articulações costotransversárias
Articulação entre a faceta articular do tubérculo da costela e o processo transverso da vértebra correspondente.
Cápsula fibrosa é fina e inserida nos perímetros articulares com um revestimento sinovial.
Ligamentos esternocostais radiados - feixes finos e radiados que se irradiam a partir da frente e atrás das extremidades esternais.
Ligamentos esternocostais intra-articulares - constante apenas na Segunda costela. Estende-se a partir da cartilagem da costela até a fibro cartilagem que une o manúbrio ao corpo do esterno.
Ligamentos costoxifóides - ligam as faces anterior e posterior da sétima costela às mesmas no processo xifóide.
Articulações intercondrais - articulações entre as cartilagens costais.
Articulações costocondrais - entre as costelas e as cartilagens costais.
Articulações esternais:
* Manúbrio-esternal - entre o manúbrio e o corpo do esterno, é geralmente uma sínfise.
* Xifoesternal - entre o processo xifóide e o corpo do esterno, é geralmente uma sínfise.

Músculos do Dorso

MÚSCULOS DO DORSO





Região Posterior do Tórax

Região Posterior do Pescoço
Trapézio
Latíssimo do Dorso
Rombóide
Levantador da Escápula
Serrátil Póstero-Superior
Serrátil Póstero-Inferior

Esplênio da Cabeça
Esplênio do Pescoço
Semi-Espinhal da Cabeça
Semi-Espinhal do Pescoço
Semi-Espinhal do Tórax

Goteira Vertebral

Triângulo Suboccipital
Eretores da Espinha
Rotadores
Multífidos
Intertransversais
Interespinhais

Reto Posterior Maior da Cabeça
Reto Posterior Menor da Cabeça
Oblíquo Superior da Cabeça
Oblíquo Inferior da Cabeça




TRAPÉZIO
Região Posterior do Tórax
Inserção Medial: Linha nucal superior, ligamento nucal e processos espinhosos da C7 a T12

Inserção Lateral: : Borda posterior da clavícula, acrômio e espinha da escápula

Inervação: Nervo Acessório (XI par craniano) e nervo do trapézio (C3 - C4)

Ação:

* Fixo na Coluna: Elevação do ombro, adução das escápulas, rotação superior das escápulas e depressão de ombro

* Fixo na Escápula:
Contração Unilateral: Inclinação homolateral e rotação contralateral da cabeça
Contração Bilateral: Extensão da cabeça

LATÍSSIMO DO DORSO
Região Posterior do Tórax
Inserção Medial: Processos espinhosos da 6ª últimas vértebras torácicas e todas lombares, crista do sacro, 1/3 posterior da crista ilíaca e face externa da 4 últimas costelas

Inserção Lateral: Sulco intertubercular

Inervação: Nervo Toracodorsal (C6 - C8)

Ação: Adução, extensão e rotação medial do braço. Depressão do ombro

ROMBÓIDE
Região Posterior do Tórax
Inserção Medial: Processos espinhosos da C7 á T5

Inserção Lateral: Borda medial da escápula

Inervação: Nervo dorsal da escápula (C5)

Ação: Adução e rotação inferior das escápulas e elevação do ombro

LEVANTADOR DA ESCÁPULA
Região Posterior do Tórax
Inserção Inferior: Ângulo superior da escápula

Inserção Superior: Processo transverso do atlas ate à C4

Inervação: Nervo dorsal da escápula (C5)

Ação: Elevação e adução da escápula. Inclinação e rotação homolateral da coluna cervical e extensão da cabeça

SERRÁTIL PÓSTERO-SUPERIOR
Região Posterior do Tórax
Inserção Medial: Processos espinhosos da C7 à T3

Inserção Lateral: Borda superior e face externa da 2ª a 5ª costelas

Inervação: Ramos dos 4 primeiros nervos intercostais

Ação: Elevação das primeiras costelas (ação inspiratória)

SERRÁTIL PÓSTERO-INFERIOR
Região Posterior do Tórax
Inserção Medial: Processos espinhosos da T11 à L3

Inserção Lateral: Borda inferior e face externa da 4 últimas costelas

Inervação: 9º ao 12º nervos intercostais

Ação: Depressão das últimas costelas (ação expiratória)

ERETORES DA ESPINHA
Músculos da Goteira Vertebral - Paravertebrais

ESPINHAL (+ Medial)


Porção da Cabeça: Ligado ao semi-espinhal da cabeça

Porção do Pescoço:
Origem: Ligamento nucal e processos espinhosos de C7 a T2
Inserção: Processos espinhosos C2 a C4

Porção do Tórax:
Origem: Processos espinhosos T11 a L2
Inserção: Processos espinhosos das torácicas superiores (varia de 4 a 8)

Inervação: Nervos espinhais (ramos dorsais)

Ação: Extensão da coluna vertebral


DORSAL LONGO (Intermédio)


Porção da Cabeça:
Inserção Superior: Processo mastóide
Inserção Inferior: Processos transversos de T1 até T4 e processos articulares de C4 até C7

Porção do Pescoço:
Inserção Superior: Processos transversos de C2 à C6
Inserção Inferior: Processos transversos de T1 à T4

Porção do Tórax:
Inserção Superior: Processos transversos das vértebras torácicas e das 10 últimas costelas
Inserção Inferior: Processos transversos das vértebras lombares e aponeurose lombocostal

Inervação: Nervos espinhais (ramos dorsais)

Ação: Extensão e inclinação homolateral da coluna vertebral


ILIOCOSTAL (+ Lateral)


Porção Cervical:
Inserção Superior: Processos transversos de C4 à C6
Inserção Inferior: Ângulo da 3ª à 6ª costelas

Porção Torácica:
Inserção Superior: Ângulo da 6 primeiras costelas e processo transverso de C7
Inserção Inferior: Ângulo das 6 últimas costelas

Porção Lombar:
Inserção Superior: Ângulo das 6 últimas costelas
Inserção Inferior: Face dorsal do sacro

Inervação: Nervos espinhais (ramos dorsais)

Ação: Extensão e inclinação homolateral da coluna vertebral

ROTADORES
Músculos da Goteira Vertebral - Paravertebrais
Inserções: Estende-se do sacro até a C2. Ligam o processo transverso de uma vértebra com o processo espinhoso da vértebra suprajacente

Inervação: Nervos espinhais do segmento correspondente

Ação: Extensão e rotação contralateral da coluna vertebral

MULTÍFIDOS
Músculos da Goteira Vertebral - Paravertebrais
Origem: Dorso do sacro, EIPS, processos mamilares das lombares, processo transverso das torácicas e processos articulares da C4 à C7

Inserção: Processo espinhoso de 3 a 5 vértebras acima

Inervação: Nervos espinhais do segmento correspondente

Ação: Estabilização e extensão da coluna vertebral

INTERTRANSVERSAIS
Músculos da Goteira Vertebral - Paravertebrais
Inserção Superior: Processo transverso da vértebra superior

Inserção Inferior: Processo transverso da vértebra inferior

Inervação: Nervos espinhais do segmento correspondente

Ação: Inclinação homolateral da coluna vertebral

INTERESPINHAIS
Músculos da Goteira Vertebral - Paravertebrais
Inserção Superior: Processo espinhoso da vértebra superior

Inserção Inferior: Processo espinhoso da vértebra inferior

Inervação: Nervos espinhais do segmento correspondente

Ação: Extensão da coluna vertebral

ESPLÊNIO DA CABEÇA
Região Posterior do Pescoço
Inserção Superior: 1/3 lateral da linha nucal superior e processo mastóide do osso temporal

Inserção Inferior: Processos espinhosos da C7 à T4

Inervação: Nervos espinhais do segmento correspondente

Ação: Extensão, inclinação e rotação homolateral da cabeça

ESPLÊNIO DO PESCOÇO
Região Posterior do Pescoço
Inserção Superior: Processo transverso das 3 primeiras vértebras cervicais

Inserção Inferior: Processo espinhoso da T3 à T6

Inervação: Nervos espinhais do segmento correspondente

Ação: Extensão, inclinação e rotação homolateral da cabeça

SEMI-ESPINHAL DA CABEÇA
Região Posterior do Pescoço
Inserção Superior: Entre a linha nucal superior e inferior

Inserção Inferior: Processo transverso da T1 à T7 e processos articulares da C5 a C7

Inervação: Nervos espinhais do segmento correspondente

Ação: Extensão da cabeça e inclinação homolateral da cabeça

SEMI-ESPINHAL DO PESCOÇO
Região Posterior do Pescoço
Inserção Superior: Processo espinhoso da C1 à C7

Inserção Inferior: Processos transversos das T1 à T6

Inervação: Nervos espinhais (ramos dorsais)

Ação: Extensão e rotação contralateral do pescoço

SEMI-ESPINHAL DO TÓRAX
Região Posterior do Pescoço
Inserção Superior: Processo espinhoso C6 a T4

Inserção Inferior: Processos transversos das T6 à T10

Inervação: Nervos espinhais (ramos dorsais)

Ação: Extensão e rotação contralateral do pescoço

RETO POSTERIOR MAIOR DA CABEÇA
Suboccipitais - Trígono Suboccipital
Inserção Superior: Linha nucal inferior

Inserção Inferior: Processo espinhoso do áxis

Inervação: Plexo Cervical (C1)

Ação: Extensão da cabeça e rotação contralateral

RETO POSTERIOR MENOR DA CABEÇA
Suboccipitais - Trígono Suboccipital
Inserção Superior: Linha nucal inferior

Inserção Inferior: Tubérculo do arco posterior do atlas

Inervação: Plexo Cervical (C1)

Ação: Extensão da cabeça

OBLÍQUO SUPERIOR DA CABEÇA
Suboccipitais - Trígono Suboccipital
Inserção Superior: Entre as linhas nucais superior e inferior

Inserção Inferior: Processo transverso do atlas

Inervação: Plexo Cervical (C1)

Ação: Extensão, inclinação homolateral e rotação contralateral da cabeça

OBLÍQUO INFERIOR DA CABEÇA
Suboccipitais - Trígono Suboccipital
Inserção Superior: Processo transverso do atlas

Inserção Inferior: Processo espinhoso do áxis

Inervação: Plexo Cervical (C2)

Ação: Extensão e rotação homolateral do atlas
Ilustrações

Músculos do Dorso - Vista Posterior (Camada Superficial)
Fonte: NETTER, Frank H.. Atlas de Anatomia Humana. 2ed. Porto Alegre: Artmed, 2000.


Músculos do Dorso - Vista Posterior (Camada Intermédia)
Fonte: NETTER, Frank H.. Atlas de Anatomia Humana. 2ed. Porto Alegre: Artmed, 2000.


Músculos do Dorso - Vista Posterior (Camada Profunda)
Fonte: NETTER, Frank H.. Atlas de Anatomia Humana. 2ed. Porto Alegre: Artmed, 2000.

Resumo de Biomecânica

1 - CONDIÇÕES DE EQUILÍBRIO ESTÁTICO

Um corpo submetido à ação de forças pode estar em repouso, em movimento de translação, em movimento de rotação, ou em movimento que seja a combinação de translação e rotação.

Se o corpo estiver em movimento sem rotação, a soma dos torques produzidos por todas as forças externas em relação a um ponto qualquer deve ser nula.

Diz-se que o corpo está em equilíbrio estático se a soma das forças externas e de seus torques forem nulas, isto é,


A soma das forças externas, a primeira equação, pode ser decomposta em soma das componentes em x e y:


A ação da Terra sobre os corpos na sua superfície se estende às partículas e às moléculas que os constituem. Assim , a força peso não atua numa única partícula, mas em todas, e a resultante P é a soma dessas forças. Existe, entretanto, em todos os corpos, um único ponto em relação ao qual o torque de sua força peso é sempre nulo. Tal ponto é conhecido como centro de gravidade CG do corpo. Uma conseqüência imediata é o fato de que o ponto de aplicação da força peso resultante sobre o corpo é o centro de gravidade.

A COLUNA VERTEBRAL

Os ossos fornecem o principal suporte estrutural para o corpo (Fig. 2.20). Exames desta figura mostram que a área seccional transversal dos ossos de suporte geralmente aumentam da cabeça para os pés. Estes ossos fornecem um suporte para os músculos adicionais e tecidos contidos no corpo quando ele se move para baixo.


A coluna vertebral é dividida em quatro partes: sete vértebras cervicais, logo abaixo da caixa craniana, doze vértebras torácicas, seguidas de cinco vértebras lombares, que estão imediatamente acima do sacro contendo o cóccix. A ordenação das vértebras é de cima para baixo; assim, a primeira vértebra cervical está sustentando a cabeça e a quinta vértebra lombar é a última antes do sacro, que, por sua vez, está rigidamente ligado à pelve. A linha definida pela coluna de uma pessoa em pé não é reta, mesmo em posição normal, mas curva “em S” com variação de concavidade, como ilustra a Figura 2.21 . A coluna vertebral faz parte do esqueleto e participa da sustenção do corpo.

As vértebras são exemplos da capacidade de carregamento dos ossos. Note que as vértebras aumentam na espessura e área de seção transversal quando você vais da região do pescoço (cervical) para a região inferior (lombar). Uma área superficial maior é necessária para suportar a massa adicional do corpo acima de cada vértebra. Existem discos fibrosos entre as vértebras que amortecem as forças para baixo e os outros impactos na coluna vertebral. Entretanto, a pressão ( força/área) permanece aproximadamente constante para todos os discos. O disco rompe numa pressão de cerca de 107 Pa (100 atmosferas).

O comprimento da coluna vertebral pode encurtar o seu comprimento normal de cerca de 70 cm (homem) de até 1,5 cm durante o curso de um dia ativo. Isto não é permanente e o comprimento é restabelecido durante o sono noturno. Entretanto, a coluna vertebral encolhe permanentemente com a idade devido a osteoporose, que é particularmente comum em mulheres idosas. Osteoporose faz o osso enfraquecer e encolher. Isto é discutido no final deste capítulo.




A coluna vertebral tem uma curvatura normal para a estabilidade. Vista do lado direito a porção mais baixa da coluna tem a forma da letra “S” como mostrado na Fig. 2.21. Lordose, cifose e escoliose são desvios na forma da coluna. Lordose, muita curvatura, freqüentemente ocorre na região lombar. Uma pessoa com esta condição é algumas vezes chamada de “dorso curvado” (ver Fig. 2.22a). Cifose é uma curvatura irregular da coluna vertebral quando vista de lado; freqüentemente ela leva a uma corcunda atrás. Uma pessoa com esta condição é freqüentemente referida como “corcunda”. (Fig 2.22b). Escoliose é uma condição a coluna curva na forma de “S” quando vista de trás (Fig. 2.22c). Postura normal é mostrada na Fig. 2.22d.

A curvatura da lordose lombar é determinada pelo ângulo lombossacral, que é o ângulo definido entre a linha horizontal e a superfície superior do sacro. Normalmente o ângulo lombossacral é cerca de 30º. Uma inclinação para frente aumenta o ângulo, enquanto que uma inclinação para trás o diminui, como mostra a Figura 2.22. A curvatura anômala da lordose lombar pode causar dores na parte inferior das costas. Seu desvio do valor normal pode ser provocado por muitos fatores, entre os quais o enfraquecimento dos músculos flexores da bacia ou dos músculos abdominais.

Os principais músculos que comandam os movimentos para curvar as costas ou levantar objetos do chão são os músculos eretores da espinha. Eles ligam o íleo e a parte inferior do sacro a todas as vértebras lombares e a quatro vértebras torácicas. Observações de chapas de raios-X mostram que, durante uma flexão das costas, as forças dos músculos eretores da espinha podem ser representadas por uma única força sobre a coluna, considerada como um corpo rígido, num ponto a 2/3 do seu comprimento em relação ao sacro, e formando um ângulo de aproximadamente 12º com a mesma.

ESTABILIDADE NA POSIÇÃO VERTICAL

Um humano ereto visto de trás , o centro de gravidade (C.G.) está localizado na pélvis na frente da parte superior do sacro a cerca de 58% da altura da pessoa do chão. Uma linha vertical do cg passa entre os pés. Controles musculares pobres, acidentes, doenças, gravidez, condições de sobrecarga ou mudanças erradas de posturas mudam a posição do cg para uma localização não natural no corpo como mostrado na Fig. 2.24. Uma condição de sobrecarga (ou um abaixamento pronunciado) leva a um deslocamento para frente do cg, movendo a projeção vertical na base dos pés onde o balanço é menos estável. A pessoa pode compensar voltando-se ligeiramente para trás.

Para manter a estabilidade na posição vertical, você deve fixar a projeção vertical do seu cg dentro da área coberta pelo seus pés (Fig. 2.25a). Se a projeção vertical do seu cg cai fora desta área você cairá. Quando seus pés estão muito juntos (Fig. 2.25a) você está menos estável do que quando eles estão separados (Fig. 2.25b). Por outro lado, se o cg é abaixado, você torna-se mais estável. Uma bengala ou muleta também melhora sua estabilidade (Fig. 2.25c) . Comparando a estabilidade de um humano com os animais de quatro pernas, é claro que o animal é mais estável porque a área entre seus pés é maior que para os humanos de duas pernas. Assim é que se entende porque os bebês humanos levam cerca de dez meses antes de serem capazes de ficarem em pé enquanto um animal de quatro pernas consegue isto em cerca de dois dias, este último por uma condição necessária de sobrevivência.

O corpo compensa sua posição quando ergue uma mala pesada. O braço oposto move para fora e o corpo tomba para o lado do objeto para manter o cg apropriadamente colocado para o balanço. Pessoas que tiveram um braço amputado estão numa situação semelhante que uma pessoa carregando uma mala. Elas compensam o peso do seu braço restante curvando o torso; entretanto, curvatura continuada do torso freqüentemente leva à curvatura da coluna. Uma prótese comum é um braço artificial com uma massa igual ao braço perdido. Muito embora o braço falso não funciona, ele evita a distorção da coluna.


LEVANTAMENTO E AGACHAMENTO

A medula espinhal está envolvida e protegida pela coluna vertebral. A medula espinhal fornece o principal caminho para a transmissão dos sinais nervosos de e para o cérebro. Os discos separando as vértebras podem ser lesados; uma doença comum nas costas é chamada de “deslocamento de disco”. A condição ocorre quando as paredes do disco enfraquece e rasgam, levando a um inchaço que algumas vezes empurra contra os nervos que passam através dos buracos especiais (foramina) nos lados de cada vértebra. Repousos extensos, algumas vezes trações e cirurgias são terapias usadas para aliviar a condição.

Uma parte freqüentemente abusada do corpo é a região lombar (inferior das costas) mostrada esquematicamente na Fig. 2.26. As vértebras lombares estão sujeitas a forças muito grandes – aquelas resultantes do peso do corpo e também por qualquer força que você submete a região lombar por um levantamento indevido de peso. A Fig. 2.26 ilustra a grande força compressiva (rotulada po R) na quinta vértebra lombar (L5 na Fig. 2.26). Quando o corpo é curvada para frente em 60º da vertical e existe um peso de 225 N nas mãos, a força compressiva R pode atingir 3 800 N (aproximadamente seis vezes o peso do seu corpo).

Não é surpreendente que levantamento de objetos pesados nessa posição incorreta é suspeitado ser a principal causa das dores lombares. Desde que a dor lombar é muito séria e não muito bem entendida, os fisiologistas estão interessados em encontrar exatamente quão grande são as forças nas regiões lombares das costas. Medidas de pressão nos discos tem sido feitas. Uma agulha oca conectada a um transdutor de pressão calibrado foi inserida no centro gelatinoso de um disco invertebral. Esta máquina mediu a pressão dentro do disco. A pressão no terceiro disco lombar para um adulto em diferentes posições estão mostradas na Figura 2.27a e b. Mesmo mantendo-se ereto existe uma pressão relativamente grande no disco devido ao efeito combinado do peso e tensão muscular. Se o disco está sobrecarregado como pode ocorrer num levantamento impróprio ele pode se romper (ou deslizar), causando dor pela ruptura ou permitindo materiais irritantes do interior do disco sejam expostos.

FORÇAS NO QUADRIL E COXA

Os músculos glúteo médio, glúteo mínimo e tensor fascia femuris são os responsáveis pela força abdutora que controla o deslocamento não rotacional do fêmur (e da perna) em relação ao eixo mediano do corpo humano. Eles ligam o íleo ao grande trocanter do fêmur. A cabeça do fêmur, por sua vez, está alojada no acetábulo do osso ilíaco. A Figura 2.31 mostra um diagrama da perna direita e dos quadrís com as indicações das forças e as distâncias entre os pontos de aplicação de cada uma das forças.


Quando você está andando existe um momento quando somente um pé está no chão e o C.G. do seu corpo está diretamente sobre aquele pé. A Fig. 2.32a mostra as forças mais importantes atuantes naquela perna. Estas forças são 1) força vertical para cima no pé, igual ao peso do corpo P, 2) o peso da perna PL, que é aproximadamente igual a P/7; 3) R, a força de reação entre o fêmur e o quadril, e 4) T, a tensão no grupo muscular entre o quadril e o grande trocanter no fêmur, que estabelece a força para manter o corpo no balanço.

As várias dimensões e o ângulo mostrado na Figura 2.32 foram tomadas das medidas de cadáveres. Neste exemplo, T é cerca de 1,6 P (onde P é o peso do corpo) e existe uma força de reação (R) na junta do quadril igual a 2,4 P. A cabeça do fêmur para um homem de 70 kg tem uma força de cerca de 1 600 N sobre ele.

O que acontece quando há uma lesão no grupo muscular no quadril ou ferimento na junta do quadril? O corpo reage tentando reduzir as forças T e R. Ele faz isto inclinando o corpo de modo que o C.G. fique diretamente sobre a bola do fêmur e pé (Fig. 2.32b). Isto reduz a força muscular T para aproximadamente zero. A força de reação R é aproximadamente igual ao peso do corpo acima da junta mais a perna (ou 6P/7). R aponta verticalmente para baixo. Isto reduz a força T e R e ajuda o processo de cura. Entretanto, força de reação para baixo faz a cabeça do fêmur crescer para cima, enquanto a bola do fêmur na outra perna não muda. Eventualmente isto conduz a um crescimento desigual na junta do quadril e uma possível curvatura permanente da coluna.

O uso de muletas e bengalas reduz as forças nas juntas do quadril. A física do uso de uma bengala está mostrada esquematicamente na Fig. 2.32c. Nesta figura existem três forças atuando no corpo. – o peso P, a força Fc empurrando a bengala para cima, a força para cima no pé igual a P – Fc. Note que a bengala está na mão oposta ao quadril lesado. Sem a bengala, T = 1,6 P e R = 2,4 P como mostrado na Fig. 2.32a. A bengala reduz estas forças permitindo o pé mover da posição sob a linha central do corpo como na Fig. 2.32a para uma nova localização mais perto ao being sob a cabeça do fêmur e sem a curvatura da espinha como na Fig. 2.32b. Na Fig. 2.32c, a bengala está localizada 0,3 m da linha de projeção vertical do C.G.. Assumiremos que a bengala suporte cerca de 1/6 do peso do corpo. Para as condições dadas na Fig. 2.16c, T = 0,65 P e R = 1,3 P, que é uma redução maior que aquela mostrada na Fig. 2.32a. Embora a natureza humana leva-nos a ocultar nossos defeitos, o uso de uma bengala pode ajudar consideravelmente no processo de recuperação das lesões nas juntas dos quadrís.

sexta-feira, 14 de setembro de 2007

Músculos Agonistas e Antagonista




Um estudo cinesiológico

1)Inervação recíproca e co-contração

A grande maioria dos movimentos humanos é realizada de forma irrestrita e perfeitamente ordenada; isso acontece em decorrência de reflexos existentes em nosso corpo durante o movimento resultantes de um processo conhecido com inervação recíproca. Neste processo acontece o seguinte: proprioceptores presentes no músculo conhecido pelo nome de fusos musculares são sensíveis ao grau de estiramento das fibras musculares. Portanto quando há um estiramento destas fibras o fuso muscular detecta a modificação e também sofre distensão, o que ativa o neurônio 1-a (neurônio anuloespiralado) presente em sua região central. Este neurônio ramifica-se e atinge a região anterior da substância cinzenta medular, local onde estão os motoneurônios. Algumas ramificações do neurônio 1-a mandam PPSE'S (potenciais pós-sinápticos excitatórios) para motoneurônios alfa que inervam o músculo, provocando assim a contração muscular. Porém, outras ramificações do neurônio 1-a estabelecem sinapses com interneurônios inibitórios presentes na medula que, por sua vez, enviam PPSI'S (potenciais pós-sinápticos inibitórios) para motoneurônios dos antagonistas aos músculos que se contraíram, provocando sua inibição. Assim, o estiramento muscular dá origem a um reflexo que gera a contração dos músculos agonistas e relaxamento dos músculos antagonistas.

Sherrington observou que em animais descerebrados ou anestesiados nos quais os controles voluntários está abolidos impulsos neurais aferentes que estimulam os neurônio motores de dado músculo inibem reflexamente os neurônios motores dos músculos antagonistas.Este efeito é conhecido como inervação recíproca, e o mecanismo pelo qual ele funciona e a inibição recíproca do músculo antagonistas.Um movimento incoordenado pode sobrevir se é excitação do agonista não for acompanhada dessa inibição reflexa correspondente do antagonista. Sherrington também observou que os músculos antagonistas podem contrair-se simultaneamente com os agonistas, o que ele atribuiu a uma inervação recíproca dupla. Estudos sobre o papel dos fusos musculares na produção de um reflexo de estiramento sugerem que essa teoria não é mas defensável.

Sherrington verificou também que após ser submetida a inibição reflexa, a estimulação neural para um músculo esquelético tende a aumentar (descarga rebote). Em conseqüência, a aplicação de estimulo que causa flexão (ou extensão) de um membro tende a ser seguida de extensão (ou flexão) ativa do membro (indução sucessiva) quando o efeito inibitório é suspenso. Já em 1925, Tilney e Pike concluíram que sobre condições normais não eram capazes de observar os fenômenos de Sherrington que a “coordenação muscular depende principalmente da relação de co-contraçao sincrônica nos grupos de músculos antagonista”. Sugeriram que um possível resultado do distúrbio dessa relação de co- contração fosse hiperextensão pelos agonista, seguida hipercorreção pelos antagonista. Sobreviria uma serie irregular de oscilações, o que pode explicar os sintomas clínicos de ataxia.

Somente os músculos que atuam sobre uma única articulação são considerados antagonistas verdadeiros. Os músculos que atuam sobre, mas de uma articulação agem às vezes como antagonista e outras vezes como sinergistas. O músculo reto da coxa normalmente atua como antagonista dos músculos do jarrete, mas se o quadril e o joelho são fletidos simultaneamente, o músculo reto da coxa atua sinergicamente com eles. Em alguns músculos multipenados , uma parte pode atuar como antagonista e a outra como sinergista.

Quando um agonista atinge a amplitude final da contração, ele começa a causar estimulação proprioceptiva do músculo antagonista . A contração resultante do antagonista, então, oferece resistência a fase final do movimento agonista. A posição do movimento onde essa resistência ocorre varia com articulação e músculos envolvidos.

É possível demonstrar a inervação recíproca no homem em movimentos voluntários sem resistência, movimentos reflexos como o reflexo patelar e, em caso de espasticidade, uma condição que leva a um encurtamento estrutural dos músculos envolvidos. Mostrou-se que a estimulação elétrica de músculos antagonistas aqueles em espasmos resulta em relaxamento dos músculos espásticos.Alguns investidores acreditam que, no movimento voluntário normal, a co-contraçao é antes a regra do que a exceção, e faltam evidências satisfatórias de que a inervação recíproca exerce o papel geralmente atribuído a ela cinesiologistas;outros afirmam que durante o movimento o antagonista se relaxa completamente, com uma única exceção – o final de um movimento semelhante a uma chicotada e uma articulação em dobradiça.

As evidências sugerem que os músculos antagonistas comportem-se de três maneiras distintas:

1) Quando há resistência externa é tão grande que a articulação não consegue se mover, os antagonistas se relaxam.

2) Quando os músculos estão atuando contra uma resistência moderada, os antagonistas tornam-se ativos para desacelera o movimento.

3) Quando não há resistência externa a ser superada e o membro deve move-se com grande precisão, a tensão tende a ser mantida nos grupos agonistas e antagonistas, com o primeiro predominando.

(...) "este tipo de organização em que há ativação de um conjunto de neurônios e inibição dos neurônios antagonistas é designado por inervação recíproca"(...) (Guerra, Falcão e Moreira,2001, pág. 3)

Um bom exemplo de inervação recíproca acontece no movimento de musculação conhecido pelo nome de flexão do cotovelo. Neste movimento o músculo bíceps braquial age como agonistas ao realizar sua contração no movimento do antebraço em direção antero-posterior, ao mesmo tempo que o músculo tríceps braquial age como antagonista, já que se relaxa durante o movimento. Falando de músculos agonistas e antagonistas, o presente artigo passará a partir de agora a descrever com maior riqueza de detalhes como ocorre a relação entre estes dois agentes durante o movimento.


2) Inibição


Exemplos de inibição graduada são vistos na maioria dos movimentos voluntários. O conceito de co-contração estabelece que o movimento geralmente envolve a contração simultânea de grupos musculares antagonistas, embora possa haver uma nítida diferença nas forças exercidas pelos membros do par. Quando a resistência externa aos agonistas é grande, a co-contração dos antagonistas é mínima, um efeito inibitória central atua sobre os antagonistas para reduzir a resistência ao movimento. Essa inibição ocorre em reflexos involuntários, embora talvez aprendidos. È controlada na medula espinhal e níveis inferiores do cérebro e é aproximadamente proporcional à quantidade de força necessária para que os agonistas realizem o movimento.

Um fisioterapeuta,administrador de primeiros socorros ou atleta eventualmente pode fazer uso do fenômeno de inibição de antagonistas. As cãibras e espasmos musculares, especialmente quando agudos, as vezes são aliviados por uma forte estimulação voluntária ou elétrica do antagonista do músculo.

Como em outros reflexos, a inibição de antagonista pode ser sobrepujada ou modificada sob certas condições. Por exemplo, na amplitude máxima de movimento o antagonista inibido pode ser alongado o suficiente para iniciar uma contração miotática.

Uma tensão geral excessiva associada ao estresse emocional também modifica a inibição reflexa de antagonistas. Nos estágios inicias do aprendizado motor, fatores como o medo, constrangimento e motivação intensa podem resultar em contrações indiscriminadas de grupos musculares, interferindo assim um movimento regular e eficaz. Atletas treinados aprenderam padrões coordenados de contração e inibição;estas foram tão fortemente condicionadas que apenas estresses intensos são capazes de interferir .Em qualquer atleta, a remoção da tensão geral excessiva minimiza a produção de impulsos motores e irrelevantes, permitindo que ocorram os reflexos condicionados para a contração e inibição. Os técnicos, professores e fisioterapeutas que enfatizam o relaxamento geral, minimizam o medo e têm cautela no emprego de estresses para motivação durante o processo de aprendizado, estão agindo com base em princípios fisiológicos e psicológicos.


3) Classificação dos músculos

Anatomicamente, os músculos podem ser classificados obedecendo a diversos critérios. Nesta seção vamos falar sobre a classificação dos músculos quanto à sua função. Lembrando sempre que tal classificação refere-se apenas aos músculos esqueléticos.

Foi visto anteriormente que os músculos envolvidos em um movimento qualquer não se contraem independentemente uns dos outros. Na verdade eles estão interligados por um processo conhecido por inervação recíproca, onde cada músculo tem uma função diferente. De acordo com Dangelo e Fattini (2000) os músculos podem ser classificados em três categorias quanto à sua função: agonistas, antagonistas e sinergistas.

3.1) Os músculos agonistas :

são os agentes principais na execução de um movimento. Geralmente são os músculos que se contraem ativamente, sendo que além daqueles que produzem movimentos, também são considerados agonistas os que se contraem para permitir a manutenção de uma postura. Um exemplo de músculo agonista é o glúteo médio no movimento de abdução da coxa.

3.1.1) O papel do agonista :

quando um músculo sofre uma contração com encurtamento,diz-se que ele é agonista para as ações articulares resultantes.Por exemplo, o tríceps do braço é um agonistas para a extensão do cotovelo.Alguns músculos são agonistas para mais de uma ação numa dada articulação;muitos tem uma ou mais ações sobre cada uma de duas ou mais articulações que eles por acaso atravessam. O bíceps do braço, por exemplo, é agonista para a flexão do cotovelo e supinação rádio-ulnar, e, além disso, é agonista para várias ações da articulação do ombro, devido a sua inserção proximal por duas cabeças da escápula.O agonista causa um movimento, algumas vezes, é denominado músculo principal do movimento.

3.2) Os músculos antagonistas:

são aqueles que possuem ação anatômica oposta à dos agonistas, seja para regular a rapidez ou a potência desta ação. Usualmente os antagonistas são músculos que não estão se contraindo e que nem auxiliam nem resistem ao movimento, mas que passivamente, principalmente em atletas mais experientes e habilidosos, se relaxam permitindo a maior facilidade do movimento (Bompa, 1993). Um exemplo de músculo antagonista é o adutor magno na abdução da coxa.

3.2.1) O papel do antagonista:

um antagonista é um músculo cuja contração tende a produzir uma ação articular exatamente oposta a uma ação articular dada de outro músculo especificado.Um músculo extensor é, potencialmente, antagonista de um músculo flexor. Assim, o bíceps do braço é antagonista do tríceps do braço com relação à extensão do cotovelo, e do músculo pronador redondo com relação a pronação rádio-ulnar. O bíceps do braço não é antagonista do músculo braquial, pois ele não se opõe a nenhum movimento para o qual o braquial seja agonista. O antagonista tem o potencial de se opor ao agonista, mas geralmente se relaxa enquanto o agonista trabalha.Quando o agonista se contrai ao mesmo tempo que o antagonista, ocorre uma co-contração.

3.3) Os músculos sinergistas:

os quais podem ser conceituados como sendo os músculos que se contraem ao mesmo tempo dos agonistas, porém não são considerados os principais responsáveis pelo movimento ou manutenção da postura.

3.3.1)O papel do sinergista:

é um termo usado por alguns autores para determinar o papel dos músculos agonistas secundários. A desvantagem deste termo é que, embora indique que um músculo está em ação, não especifica como essa ação ocorre.

Normalmente os músculos sinergistas sempre estão em número maior do que um. Por exemplo: os músculos sinergistas no movimento de abdução da coxa são o reto femoral, o glúteo máximo, tensor da fáscia lata, glúteo mínimo, sartório e piriforme.

Uma vez que os movimentos são inteiramente influenciados pela interação entre grupos musculares agonistas e antagonistas, um movimento espasmódico ou realizado rigidamente, pode resultar de uma interação inapropriada entre os dois grupos (ibdem, ). Daí a importância do treinamento no que diz respeito a proporcionar um relaxamento mais eficiente dos músculos antagônicos e desta maneira melhorar a suavidade da contração muscular


4) Ações agonistas, antagonistas e sinergistas

A classificação anatômica das ações musculares ocorre quando o músculo atua sozinho, sua fixação proximal é estabilizada (por outros músculos ou pelo peso corporal), e a fixação distal move-se em movimento de cadeia aberta com uma contração concêntrica contra a gravidade ou muito leve resistência.Assim não é surpreendentes que as definições agonistas,antagonistas e sinergistas não sejam constantes para os músculos mas variam com a movimentação e as forças impostas que ocorre em função.


5) Tipos de contração muscular

A maior e mais freqüente fonte de força gerada no corpo humano é pela contração dos músculos, sendo que estes nunca se contraem isoladamente pois isto produziria um movimento não funcional estereotipado. Por exemplo, a contração isolada do bíceps braquial produziria flexão no cotovelo, supinação no antebraço e flexão do ombro. Ao invés disso, diversos músculos em uma refinada combinação de forças contribuem para produzir a força desejada e o resultante movimento. Existem três tipos de contração muscular: isotônica, isométrica e isocinética.

5.1) As contrações isotônicas:

consistem no tipo mais conhecido de contração muscular. Caracterizam-se principalmente pelo encurtamento do músculo com tensão constante ao levantar uma carga (ibdem, ). Dividem-se em dois subtipos: as contrações concêntricas e as contrações excêntricas. As contrações isotônicas concêntricas são aquelas onde as extremidades aproximadas. Já com a contração isotônica excêntrica fenômeno oposto ocorre, ou seja, a resistência ao músculo (peso) supera a força muscular e as extremidades do músculo são afastadas. Na rosca direta este tipo de contração fica caracterizado quando o peso levantado volta a sua posição inicial, fazendo com que as extremidades do bíceps braquial sejam afastadas.

5.2) As contrações isométricas:

neste tipo de contração o músculo produz força sem alteração macroscópica no ângulo da articulação, ou seja, não há mudança no comprimento do músculo. A sua aplicação se dá contra uma resistência (peso) irremovível como, por exemplo, uma parede, e sua finalidade normalmente é de manutenção da postura e estabilização das articulações. Na prática sugere-se trabalhar este tipo de contração com o número de 5 a 10 repetições, com o tempo de 5 a 7 segundos por contração e freqüência de 3 a 5 vezes por semana em um trabalho com 50% da força máxima.

5.3) As contrações isocinéticas:

Neste tipo de contração a força gerada pelo músculo ao encurtar-se com velocidade constante teoricamente é máxima durante toda a amplitude do movimento (Fox, 2000). O trabalho com este tipo de contração normalmente exige um equipamento especial criado para permitir uma velocidade constante de contração, não importando a carga (Bompa, 1993).


6) Considerações finais

O presente texto teve por objetivo o "Estudo Cinesiológico dos Músculos" referindo-se aos agonistas e antagonistas, uma vez que os mesmos atuam através de mecanismos que foram amplamente descritos e exemplificados ao longo desta apresentação. Para este trabalho foram utilizados arquivos bibliográficos diversos, sites de busca da internet e ainda algumas consultas a profissionais desta área de atuação. Procuramos abordar o maior número possível de exemplos e de situações prático-teóricas, com o intuito de florescer o nosso conhecimento e também, como não poderia deixar de ser, deixar-nos em condições de melhor discutir os referidos assuntos, tornando-nos ainda mais capazes na arte da fisioterapia.

Por fim, entendemos que exercícios desta natureza devam ser realizados com freqüência, pois a elucidação da investigação científica age como elemento fundamental no processo de desenvolvimento profissional em que estamos inseridos.


Referências bibliográficas:

1)GUYTON, Arthur C. Fisiologia humana. Traduzido por Charles Alfred Esberard. 6.ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1998.

2)GUERRA, Miguel, FALCÃO, Manuel, MOREIRA, Adelino Leite. Reflexos osteotendinosos. [on line] Disponível na internet. URL: http://www.Fisiologia.med.up.pt/textos-apoio/reflexos. Pdf.14.dez.2002.

3)MAUGHAN, Ron, GLEESON, Michael, GREENHAFF, Paul L. Bioquímica do exercício e do treinamento. Traduzido por Elisabeth de Oliveira e Marcos Ikeda. São Paulo: Manole, 2000.

4)DANGELO, José Geraldo, FATTINI, Carlo Américo.Anatomia Humana Sistêmica e Segmentar. 2.ed.São Paulo: Atheneu, 2000.

5)FOSS, Merle L., KETEYIAN, Steven J. Bases fisiológicas do exercício e do esporte. Traduzido por Giuseppe Taranto. 6.ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2000.

6)RASCH, Philip J.,Cinesiologia e anatomia aplicada.7.ed.Guanabara Koogan.


Fonte: http://www.wgate.com.br/conteudo/medicinaesaude/fisioterapia/cinesio/agonista_antagonista.htm

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