domingo, 24 de maio de 2009

Prova comentada do Concurso da Rede Sarah 2009

Antes de começar a analisar as questões, vou chamar a atenção dos leitores para o fato da importância da leitura do enunciado. Muitas das questões pedem a alternativa incorreta, às vezes na pressa em responder o candidato deixa passar este detalhe essencial.


Quem quiser conferir o gabarito oficial acesse a seguinte página da rede sarah
Agora, conforme prometido: A prova para fisioterapeuta da Rede Sarah 2009

1- Em relação aos pares cranianos, assinale a alternativa incorreta.
A) A incapacidade de mover o olho lateralmente, com preservação dos outros movimentos oculares, sugere lesão do nervo abducente.
B) Os pares cranianos, a seguir relacionados, contém fibras destinadas à inervação da língua : o trigêmeo, o facial, o glossofaríngeo e o hipoglosso
C) A lesão do nervo oculomotor pode resultar em ptose palpebral, miose e estrabismo convergente
D) O nervo trigêmeo, V par craniano, é um nervo com fibras sensitivas motoras.


Em relação à alternativa A, o nervo abducente (VI par) inerva o músculo reto lateral, o qual gira o globo ocular externamente. No caso de lesão do nervo abducente, o reto lateral afetado não se opõe ao reto medial normal e o olho gira para dentro, restando um estrabismo convergente. Portanto, a alternativa A está correta.
A questão B está correta. Para quem duvida, a inervação da língua é a seguinte:
Nervo trigêmeo: responsável pela sensibilidade geral (temperatura, dor, pressão e tato) nos 2/3 anteriores.
Nervo facial: é responsável pela sensibilidade gustativa nos 2/3 anteriores.
Nervo glossofaríngeo: é responsável pela sensibilidade geral e gustativa no 1/3 posterior.
Nervo hipoglosso: é responsável pela motricidade.
A questão C é incorreta, pois lesões do óculo-motor (III par), determinam: ptose palpebral (o III par inerva do m. elevador da pálpebra), desvio lateral devido paralisia do reto medial, e midríase ( e não miose) pois o músculo esfinter da pupila é também inervado pelo óculo-motor. Aqui vale um lembrete: miose e midríase => miose é um nome pequeno, então está relacionado à contração da pupila (o olho encolhe) enquanto midríase é um nome comprido, relacionado à dilatação da pupila.
Quanto à questão D, o trigêmeo (V par) é um nervo misto, embora muita gente só lembre do componente sensitivo por causa da famosa nevralgia do trigêmeo, este par craniano também é responsável plea inervação motora dos músculos masticatórios. Portanto também está correta.

GABARITO: Alterantiva C

Guia rápido dos pares cranianos: tudo residência médica
Texto sobre lesões dos pares cranianos responsáveis pela inervação motora dos olhos do centro brasileiro de estrabismo
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2- Associe as colunas abaixo, relacionadas à manifestações decorrentes de uma lesão encefálica. Em seguida assinale a alternativa correspondente à seqüência correta.
I. Série de contrações musculares rítmicas involuntárias induzidas pela distenção passiva súbita de um músculo ou tendão.
II. Aumento da resistência à movimentação passiva, independente da velocidade, mais proeminente nos grupos flexores dos membros superiores e membros inferiores.
III. Podem ser abalos simples ou seqüência complexas de movimentos coordenados que aparecem de maneira súbita e intermitente.
IV. Aumento da resistência à movimentação passiva, velocidade-dependente, que afeta predominantemente os grupos flexores dos membros superiores e os grupos extensores dos membros inferiores.
V. Hipercinesias não rítmicas, involuntárias, irregulares, sem finalidade e ao acaso.

( ) Espasticidade
( ) Tiques
( ) Rigidez
( ) Coréia
( ) Clônus

A) IV – III – II – I –V
B) II – III – IV – V – I
C) IV – III – II – V – I
D) II –I – IV – III – V

Esta é uma questão sobre definições. Acredito que não haja dificuldade em identificar as definições de Clônus, Espasticidade e Rigidez.
Uma curiosidade: O candidato que soubesse bem a fisiopatologia do primeiro neurônio acertaria esta questão, pois o primeiro item corresponde à definição de clônus e último item corresponde à definição de espasticidade (sempre velocidade-dependente, nunca se esqueçam disso!!!). Entre as alternativas a única sequência que inicia-se com IV (espapsticidade) e termina com I (clônus) é a alternativa C.
A lição que podemos aprender nesta questão é a de aprofundarmos nossos conhecimentos em definições menos estudadas pelos fisioterapeutas como as definições de tiques e de coréia.



PAra saber mais:

leia a definição da PDAMED sobre tiques e veja também uma matéria da super interessante e também um artigo sobre a síndrome de Tourette
Quanto a coreia, o
Manual Merck oferece um pequeno texto com a definição.


GABARITO: Alternativa C


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3- Considerando que pacientes com disfunções neurológicas podem apresentar alteração de equilíbrio e risco de quedas, analise as afirmativas abaixo e, em seguida, assinale a alternativa incorreta.
A) A identificação da posição do centro de gravidade em relação à base de sustentação requer uma combinação de informações visuais, somatossensoriais e auditivas.
B) A escala de equilíbrio de Berg avalia o desempenho do equilíbrio de forma funcional, com base em 14 itens comuns às atividades cotidianas.
C) Pacientes com comprometimento cognitivo apresentam risco significativo para quedas.
D) Uma queda pode ocorrer quando o sistema de controle postural do corpo falha ao detectar um deslocamento e não reposiciona o centro de massa sobre a base de suporte em tempo para prevenir uma perda do equilíbrio.



Embora o gabarito seja alterantiva A, eu discordo que as informações auditivas sejam determinantes na localização do centro de gravidade. Segundo um artigo de 2006, publicado na Revista Brasileira de Otorrinolaringologia, a função auditiva está asssociada à vestibulopatia em idosos, mas não há relação causal presente. No entanto, não sou especialista em reabilitação vestibular e ficaria grato se alguém viesse a corrigir esta minha observação caso esteja errada.
Quanto à escala de Berg, conheça mais sobre ela no
Portal Equilíbrio e Queda em Idosos, mas já adianto que a alternativa B está correta.

Não há relação entre o risco de quedas e o declínio cognitivo em idosos, existe uma dissertação de mestrado da USP que revê os fatores de risco para queda em idosos.

A questão D precisa de comentários?

GABARITO: Alternativa A (embora sob protestos)
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4- Associe as colunas abaixo quanto ao nível de lesão medular e às suas repercussões na funcionalidade do indivíduo . em seguida, assinale a alternativa correspondente à seqüência correta.
I. Indivíduo independente nas atividades de vida diária , incluindo locomoção e transferência na cadeira de rodas e com possibilidade de ficar em pé com órteses.
II. Indivíduo que apresenta os músculos flexores do quadril e extensores de joelho preservados, capaz de realizar marcha co órtese para estabilização do tornozelo e auxílio-locomoção (andador ou bengala)
III. Indivíduo que apresenta os músculos flexores de quadril e toda musculatura dos membros superiores e tronco preservados, capaz de realizar marcha com órteses para estabilizar joelho e tornozelo e auxílio-locomoção (andador)
IV. Indivíduo que apresenta a musculatura dos membros superiores totalmente preservada, porém desprovido de musculatura de tronco, o que interfere no equilíbrio.
( ) L2
( ) L4
( ) T6
( ) T1

A) III – II – IV – I
B) II – III – I – IV
C) III – II – I – IV
D) IV – III – I – II



Deixo aqui uma tabela resumida sobre o potencial funcional em lesão medular completa. Vale a pena imprimir e deixar fixado no mural do ambulatório. Se eu for explicar cada nível, não saio daqui hoje. Mas um lembrete óbvio: Quanto mais baixa a lesão, mais independente o indivíduo.




GABARITO: Alternativa C



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5. Assinale a alternativa correta em relação às articulações sinoviais.
A) A membrana sinovial provê revestimento de baixa fricção, produz ácido hialurônico, participa do transporte de nutrientes para o espaço intrarticular e auxilia na manutenção da estabilidade articular.
B) O tecido sinovial tem limitada capacidade de regeneração, provavelmente associado ao baixo suprimento sanguíneo.
C) A reação natural à intensificação do processo inflamatório intrarticular é o aumento da concentração de ácido hialurônico.
D) Em uma articulção imobilizada, após o sofrimento do tecido por estresse, o processo de reparação é preenchido por tecido conjuntivo rico em cartilagem.


Para avaliar a alternativa A, leia o texto sobre o sistema articular do site do Instituto de Ciências Biológicas da UFMG. Este site revê os principais aspectos morfológicos a anatômicos das articulações sinoviais e creio que esclarecerá qualquer dúvida em relação a alternativa A.
Em relação à alternativa B, esta é incorreta pois a membrana sinovial é estrutura anatômica distinta e separada da cápsula fibrosa. Sua camada interna é formada por células com rico suprimento sanguíneo. Esses vasos, após atravessar a cápsula, formam uma rede em íntimo contato com as células sinoviais. A partir daí, produz-se o líquido sinovial, que é um ultrafiltrado do plasma sanguíneo. Referência:
artrite séptica do quadril - artigo da RBO
A alternativa C também é incorreta pois quando um processo inflamatório-infeccioso afeta a articulação, o equilíbrio e funcionamento da membrana sinovial sofrem alterações, promovendo aumento do líquido, diminuição da densidade (Ops, olha a resposta aí!) e interferência com a atividade fisiológica da articulação, promovendo a degradação do ácido hialurônico pela hialuronidase.
Putz, se a alternativa D fosse verdadeira, todos os pacientes com lesão do LCA iriam evoluir pra anquilose!!!!
GABARITO: Alternativa A

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6- A crioterapia pode ser um recurso terapêutico importante no tratamento de disfunções do sistema osteomioarticular. Assinale a alternativa correta.
A) A interposição de toalhas (secas ou úmidas) e bandagem elástica, entre a compressa de gelo triturado e a pele, não interfere nos efeitos da crioterapia.
B) Uma das teorias que melhor explica os benefícios da crioterapia sobre o processo inflamatório é a redução das lesões secundária por hipóxia.
C) O uso de compressas de gel congelado, sobre a pele, diminui o risco de ulceração pelo frio, em comparação com as compressas de gelo triturado, considerando-se um mesmo tempo de aplicação.
D) O frio reduz a corrente da membrana nervosa, ampliando os períodos refratários após estímulo, reduzindo a duração do potencial de ação e aumentando a velocidade de transmissão do impulso.


Alternativa A é incorreta, ora, se você coloca uma interface entre a pele e o gelo, é óbvio que vai influenciar a retirada de calor do local que está sendo tratado.
A alternativa B está correta, este é um mecanismo proposto para justificar os efeitos benéficos da crio.
Quanto a alternativa C, Nunca ouvi falar dessa relação.
O uso do gelo reduz a condução do impulso nervoso e não o aumento da velocidade de transmissão. Portanto a alternativa D é falsa.
GABARITO: Alternativa B
Tem um ótimo resumo sobre o tema neste link,


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7- Com relação às propriedades do músculo esquelético, é correto afirmar:
A) Irritabilidade é a capacidade do músculo responder a uma estimulação
B) A média de contratilidade, para todos os músculos, é de cerca de 30% do comprimento de repouso.
C) A extensibilidade do músculo é determinada pelo tecido fibroso encontrado no perimísio e epimísio que o cerca.
D) Elasticidade é a capacidade do músculo alongar-se além do comprimento de repouso.

Irritabilidade (também denominada excitabilidade ou responsividade) é a capacidade que permite a uma célula responder a estímulos. Portanto a alternativa A está correta.
Quanto a questão B, não encontrei referência, mas creio que uma contratilidade de apenas 30% do comprimento de repouso é muito pouco.
A extensibilidade está relacionada aos sarcômeros, portanto alternativa C está errada.
Elasticidade é a propriedade de poder ser distendido. Portanto alternativa D está errada.

GABARITO: Alternativa A
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8- Uma paciente com 12 anos de idade apresenta escoliose idiopática tóraco-lombar destro-convexa, co ápice na 10ª vértebra torácica e ângulo de Cobb de 40º. Está em uso de colete de Boston. Na avaliação fisioterápica, é observado que o colete não está adequado. Assinale a alternativa que apresenta justificativa para a inadequação do colete.
A) A almofada de correção está posicionada uma vértebra abaixo do ápice da curva.
B) A almofada de correção está posicionada no mesmo lado da concavidade da curva
C) O alívio, ou janela, está posicionado do lado oposto ao da convexidade da escoliose.
D) O colete está limitando a flexão de quadril acima de 90º

GABARITO: Alternativa B Fico devendo o comentário, vou consultar alguém mque entenda de coletes

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9- Em pacientes com fascite plantar o principal sintoma é a dor no local de origem da fáscia. Assinale a alternativa correta quanto ao tipo de palmilha mais indicada para estes pacientes:
A) Palmilha o barra retrocapital e apoio para o arco longitudinal medial.
B) Palmilha com elevação da borda lateral e coxim para a absorção de choque no calcanhar
C) Palmilha com elevação da borda lateral e barra retrocapital
D) Palmilha com apoio do arco longitudinal medial e coxim para a absorção de choque no calcanhar.

Este é um assunto complicado. Confesso que nunca me preocupei em estudar a fundo tipos de plamilhas e adaptações de calçados. Pesquisei a resposta no livro Braddom: Handbook of physical medicine & rehabilitation. No capítulo sobre órteses de membros inferiores encontrei a seguinte citação sobre dores causadas por fascite plantar:"Fascite plantar tamb´´em é comum em pacientes com arcos plantares altos. Nestes pacientes, o arco longitudinal medial sofre estresse durante a descarga de peso. Esta condição pode ser tratada com um suporte para elevação do arco ou um apoio de calcanhar que ajude na distribuição da pressão ao longo do arco longitudinal medial." Assim, de acordo com estas~informações, justifica-se a alternativa D.
GABARITO: Alternativa D

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10- Assinale a alternativa correta quanto aos princípios que devem ser observados para a confecção e adequação de uma órtese.
A) Uma órtese tornozelo-pé moldada em 10º de dorsiflexão, com apoio plantígrado , irá gerar um momento extensor externo sobre a articulação do joelho durante a marcha.
B) Em articulações normais uma carga axial é criada pela ação da gravidade que se soma à massa corporal e à força de reação ao solo.
C) O sistema de força de três pontos de aplicação é composto por dois vetores de mesmo sentido e direção oposta e outro vetor localizado entre os dois primeiros, porém com sentido oposto.
D) No momento do contato do calcanhar, durante a marcha normal, a força de reação ao solo passa por trás do tornozelo.

GABARITO: Alternativa D Mais uma vez ficarei devendo


31. A inclinação da curva pressão-volume, ou a alteração de volume por unidade de alteração de pressão é conhecido como:
A) Difusão
B) Resistência
C) Complacência
D) Elastância
E) Ventilação
A complacência é a distensibilidade dos pulmões, da parede torácica e do sistema respiratório. Descreve a relação entre um dado volume e um gradiente de pressão necessário para produzir essa mudança de volume, sendo calculada usando a seguinte equação: Complacência = Variação do Volume/ Variação da Pressão, sendo expressa em cm de H2O.
Gabarito: Alternativa C
Para saber mais sobre cálculo da resistência, ventilação e elastância, sugiro a leitura dos links abaixo.
Link1: Princípios fisiológicos da assistência ventilatória mecânica do recém-nascido
Link2: Dúvidas freqüentes no módulo Sistema RespiratórioLink Principais fórmulas para avaliação de pacientes na UTI
Link3: Principais fórmulas para avaliação de pacientes na UTI



32. Pacientes com lesão da medula espinal variam quanto à função respiratória, em decorrência do grau de déficit neurológico. Para pacientes com déficit significativo, a reabilitação respiratória é um determinante importante na obtenção do seu nível funcional máximo. Nesses pacientes, a diminuição da ventilação ocorre como resultado da “diminuição da força”, “diminuição da mobilidade torácica”, e “higiene brônquica inadequada”, por comprometimento do diafragma e músculos acessórios. Em relação ao diafragma, sabe-se que é um músculo em forma de abóbada, que se origina na face dorsal do processo xifóide, últimas seis costelas e corpos e processos transversos das vértebras lombares superiores, sendo inervado pelas raízes nervosas de:
A) C1 a C3
B) C2 a C6
C) C2 a C5
D) C3 a C6
E) C3 a C5
De C3, C4 e C5 originam-se ramos que se unem para formar o frênico, que inerva o diafragma. O ramo de C5 é uma contribuição acessória, pois este nervo pertence ao plexo braquial.
Gabarito: Alternativa E
Link1: anatomia do plexo cervical
Link2: outro texto sobre anatomia do plexo cervical


33. Observe a figura abaixo.A figura mostra o registro do espirômetro obtido quando um indivíduo inspira maximamente, e a seguir exala tão forte e completamente quanto ele seja capaz de fazê-lo.De acordo com os dados apresentados, correlacione os parâmetros espirométricos listados na coluna da esquerda com seus respectivos significados e/ou diagnósticos funcionais, apresentados na coluna da direita.
1-Volume expiratório forçado (VEF1.0)
2-Capacidade vital forçada (CVF)
3-Volume expiratório forçado (VEF1.0) e Capacidade vital forçada (CVF) reduzidos
4-Volume expiratório forçado (VEF1.0) muito mais reduzido do que a Capacidade vital forçada (CVF), causando um baixo VEF1.0/CVF%.

( ) Doenças obstrutivas
( ) Doenças restritivas
( )Volume exalado no primeiro segundo
( ) Volume total exalado na expiração

A seqüência correta é:
A)3-4-2-1
B)4-3-2-1
C)3-4-1-2
D)4-3-1-2
E) 1-2-4-3

Essa é basicamente uma questão de decoreba. A figura apresentada foi retirada do livro Fisiologia Respiratória Moderna , autor: John B West, capítulo 10 – Testes de Função Pulmonar. Segue abaixo um trecho deste capítulo:
O volume exalado no primeiro segundo é chamado volume expiratório forçado ou VEF1.0, e o volume total exalado é a Capacidade Vital Forçada ou CVF. Normalmente a VEF1.0 corresponde a cerca de 80% da CVF. Na doença, dois padrões gerais podem ser identificados. Em doenças restritivas, tanto o VEF1.0 quanto a CVF estão reduzidos, mas caracteristicamente a relação VEF1.0 / CVF % está normal ou aumentada. Em doenças obstrutivas, o VEF1.0 está muito mais reduzido do que a CVF , dando uma baixa relação VEF1.0 / CVF %.
Assim, agora a correlação ficou fácil né?
Gabarito: Alternativa D
Na coluna ao lado, tem um link para download deste livro em espanhol.



34. Leia o texto abaixo.Os alvéolos consistem em pequenas evaginações dos bronquíolos respiratórios, ductos e sacos alveolares. Como alvéolos adjacentes dividem uma parede comum, seus formatos e suas dimensões variam de acordo com o arranjo dos alvéolos adjacentes e o volume do pulmão. O fenômeno no qual um aumento de volume em um alvéolo tende a aumentar o volume nos alvéolos adjacentes, é chamado ____________. Um mecanoismo semelhante aumenta o diâmetro do lúmen das vias aéreas distais que estão cercadas e limitadas pelos alvéolos. Além disso, os alvéolos adjacentes comunicam-se entre si através dos canais chamados __________ e com bronquíolos entre si através dos_____________
A seqüência correta que complementa corretamente as lacunas é:
A) Interdependência – canais de Lambert – poros de Kohn
B) transdução - canais de Lambert – poros de Kohn
C) Interdependência – poros de Kohn – canais de Lambert
D) translocação – canais de Lambert – poros de Kohn
E) translocação – poros de Kohn – canais de Lambert


O enunciado desta questão induz ao erro ao relatar que “os alvéolos adjacentes comunicam-se entre si através dos canais” na verdade, comunicam-se por poros.
Vamos começar cm algumas considerações sobre a interdependência alveolar. A interdependência é um mecanismo que contribui para a estabilidade dos alvéolos. Todos os alvéolos, exceto aqueles localizados na periferia pulmonar adjacentes à pleura, são rodeados por outros alvéolos. Neste tipo de esrutura, qualquer tendência de um grupo de alvéolos de se colapsar ou expandir relativo aos outros alvéolos em volta sofrerá oposição. Por exemplo, se um grupo de alvéolos tiver uma tendência ase colapsar, grandes forças expansoras agirão sobre eles, pelo fato do parênquima circunjacente ser expandido.
Este suporte oferecido às unidades pulmonares por aquelas que a rodeiam é denominado interdependência.
Quanto aos poros de Kohn e os canais de Lambert, uma forma fácil de memorizar sua estrutura basta lembrar que os alvéolos estão tão próximos um do outro que não há espaço para se colocar um canal (e nem necessidade), pois estão tão próximos que basta um poro para eles se comunicarem. Mas se o alvéolo precisar se comunicar com um bronquíolo (que está mais longe) aí sim vc usa um canal. Sacou?
Gabarito: Alternativa C


35. A pressão positiva ao final da expiração (PEEP) é um recurso freqüentemente usado durante a ventilação mecânica invasiva. Contudo deve-se ter atenção em relação ao uso indiscriminado da PEEP, pois ela altera diretamente a relação V/Q por atuar no aumento do espaço morto fisiológico proporcionando:
A) elevação da pressão média intratorácica, diminuindo a ventilação alveolar efetiva.
B) manutenção da pressão média intratorácica, aumentando a ventilação alveolar efetiva.
C) manutenção da pressão média intratorácica, diminuindo a ventilação alveolar efetiva.
D) elevação da pressão média intratorácica, aumentando a ventilação alveolar efetiva.
E) diminuição da ventilação alveolar efetiva, diminuindo a ventilação alveolar efetiva.
Esta questão, apesar do enunciado rebuscado, exige do candidato conhecimentos básicos sobre os efeitos fisiológicos da PEEP. Ao final de uma expiração normal, a pressão alveolar iguala-se à do ambiente externo. Ora, se ao final da expiração eu imponho uma pressão positiva (e este é o objetivo da PEEP), então nesta nova condição, a pressão alveolar é superior à do ambiente. Considerando o tórax como um compartimento fechado, nesta nova condição, o aumento da pressão alveolar influencia a pressão intratorácica aumentando-a
Gabarito: Alternativa D
Sugiro a leitura do texto sobre PEEP neste link


36. Relacione os modos ventilatórios listados na coluna da esquerda com seus respectivos efeitos/objetivos, apresentados na coluna da direita.
1- VAPS
2- PSV
3- PRVC
4- PAV
( )modo ventilatório de controle dual, que é capaz de modificar os padrões de fluxo dos ciclos assistidos e controlados.
( ) combina as vantagens de um fluxo inspiratório desacelerado do modo controlado à pressão com predeterminação do volume corrente.
( ) ciclado a fluxo, em que a pressão inspiratória predeterminada é mantida constante até que o fluxo inspiratório caia em torno de 25% do valor máximo alcançado no início da inspiração.
( ) modo ventilatório espontâneo, desenvolvido para melhorar a interação paciente/ventilador através da oferta de fluxo e pressão inspiratória de maneira proporcional ao esforço instantâneo do paciente.
A sequência correta é:
A) 4-3-2-1
B) 1-3-2-4
C) 4-2-1-3
D) 3-1-4-2
E) 1-2-3-4
Se eu for explicar cada um dos modos ventilatórios desta questão, eu não saio daqui hoje. De qulquer modo, é uma questão que exige que o candidato conheça ao menos por alto os modos ventilatórios.
Gabarito: Alternativa B


Link: III concenso brasileiro de ventilação mecânica


37. O desmame ventilatório é o processo transitório entre o suporte da ventilação mecânica artificial e a respiração espontânea, que pode ser realizado de maneira súbita ou gradual. Sabe-se que o fisioterapeuta é um profissional que constitui a equipe no auxílio ao paciente em desmame. Vários critérios são considerados essenciais para o sucesso do desmame ventilatório, que consiste em tentar relacionar parâmetros importantes, a fim de chegar cada vez mais próximo à certeza de um desmame com sucesso. Dentre eles pode-se citar o índice Fracional do Ciclo Respiratório (IFCR). A alternativa que apresenta a correta relação entre IFCR e sua respectiva fórmula é:
A) Os conceitos de demanda/capacidade ventilatória relacionando a intensidade e duração da contração muscular – Ti / Ttot.
B) A eficácia da mecânica respiratória através da razão entre o tempo inspiratório e o tempo total do ciclo respiratório – Ti / Ttot.
C)A relação entre a freqüência respiratória espontânea e o volume corrente espontâneo – Fr/Vc.
D) Os conceitos de demanda/capacidade ventilatória relacionando a intensidade e duração da contração muscular – Fr/Vc.
E) a eficácia da mecânica respiratória através da razão entre o tempo inspiratório e o tempo total do ciclo respiratório – Fr/Vc.
Devo ser sincero, nunca ouvi falar desse tal índice Fracional do Ciclo Respiratório.
Uma pesquisa no Google sobre Tins/Ttot revelou que este índice existe (não é reconhecido pelo pomposo nome de IFCR) e é utilizado no desmame. Entretanto, o índice de respiração superficial ou índice de Tobin (FR/VC), que avalia o endurance diafragmático, também é bem conhecido. Assim excluem-se as alternativas C,D e E
Quanto à alternativa A, eu diria que a relação demanda/capacidade ventilatória estão mais relacionados à fórmula FR/VC, portanto eu a consideraria errada (infelizmente eu não tenho uma explicação melhor, mas quem quiser complementar sinta-se à vontade para deixar um comentário)

Gabarito: Alternativa B
Link: Sugiro a leitura destes índices


38. Dentre as técnicas de desobstrução brônquica, a que vem sendo estudada na Europa e Oceania desde 1980, como importante recurso deste tratamento, e que consiste na aplicação terapêutica e periódica ou intermitente de resistor de limiar pressórico do tipo gravitacional à fase expiratória do paciente, chama-se:
A) pressão positiva contínua nas vias aéreas.
B) respiração com pressão positiva intermitente.
C) ventilação com pressão positiva intermitente.
D) oscilação oral de alta freqüência.
E) espirometria de incentivo.


Para responder a esta questão, o candidato tem de inicialmente saber o que é um “resistor de limiar pressórico do tipo gravitacional”. Este resistor nada mais é do que o bom e velho flutter. Tudo bem, sei que flutter é o nome comercial do aparelho, mas em minha defesa devo dizer que todo mundo manda “xerocar” um livro e usa gillete no barbeador. Mas voltando ao assunto: Quando um paciente usa o flutter, ele está na verdade realizando uma manobra de oscilação oral de alta freqüência. Para saber mais tem um excelente artigo no link abaixo.
Gabarito: Alternativa D

Link: Oscilação de alta freqüência

39. Paciente J.A.S, masculino, 68 anos, raça branca, altura 1,68, peso 73kg, deu entrada na Unidade de Terapia Intensiva com quadro de insufciência respiratória aguda, sendo prontamente intubado com tubo orotraqueal 7.5mm com cuff (20 cmH2O) e adaptado à ventilação mecânica invasiva em modo VCV com os seguintes parâmetros:
FR ajustada no VM = 18 irpm
Sensibilidade = 1 cmH2O
FiO2 = 100%
Vc = 460 ml
Fluxo inspiratório = 46 Lpm com onde decrescente
P.pico = 30 cm H2O
P. platô = 20 cm H2O
PEEP= 5 cm H2O.
Entretanto, após 3 horas de ventilação mecânica, um escape de ar ao redor do tubo endotraqueal é observado pelo fisioterapeuta. Ele observa que aproximadamente 35 cm H2O de pressão são necessários para insuflar o balonete e vedar o escape de ar (fuga aérea). A ação recomenda nesse caso é:
A) aumentar a pressão do cuff de 20 cm H2Opara 35 cm H2O.
B) tentar compensar a fuga aérea com aumento do volume corrente
C) indicar traqueostomia à equipe médica
D)trocar o modo ventilatório por pressão controlada
E)solicitar a troca do tubo orotraqueal por um de diâmetro maior
A pressão de perfusão da mucosa traqueal situa-se entre 30 e 40mmHg. Pressões superiores a estas aumentam a incidência de lesão traqueal. É recomendado que a pressão do balonete situe-se entre 25 e 34 mmHg
link: artigo


40. Evidenciam-se, na prática diária, efeitos desejáveis e indesejáveis quando se aplica qualquer forma de PSV. De acordo com vários autores, níveis de PSV acima de 10 cm H2O podem otimizar a função respiratória. A aplicação da técnica de bilevel traduz um compromisso clínico sistemático com ajuste de 2 níveis de pressão, denominada IPAP e EPAP. Sabe-se também que o valor final da PSV nesses sistemas de terapia é a diferença pressórica entre os níveis de IPAP e EPAP. Nesse contexto considere os itens abaixo.

1- aumento do Vc
2- diminuição do Vc
3- diminuição do trabalho respiratório
4- aumento do trabalho respiratório
5- aumento da PaO2
6- aumento da SaO2
7- melhora da complacência pulmonar
Um paciente está recebendo suporte não invasivo através do sistema bilevel, cujo equilíbrio o fisioterapeuta ajustou com um IPAR de 24 cm H2O e um EPAR de 16cm H2OOs efeitos produzidos especificamente pelo valor ajustado para EPAR encontram-se nos itens:
A) 4-5-6-7
B) 3-4-5-6
C) 2-3-5-6
D) 2-4-5-7
E) 1-3-4-5


41. Nas lesões traumáticas do plexo braquial, quanto mais precoce a reparação microcirúrgica, melhor será o prognóstico. O tratamento fisioterapêutico pós-operatório passa principalmente por:
A) Aliviar a dor
B) Normalizar os movimentos cervicais
C) Alongar os componentes do manguito rotador
D) Fortalecer os músculos escalenos
E) Combater a hipotonia com exercícios de alta intensidade

Para responder a esta pergunta recorri a uma colega especialista em lesões de plexo. Ela me explicou que o maior problema de um paciente com lesão de plexo é a dor neuropática devido ao neuroma que se forma na área da lesão. Sendo que a dor é muito freqüente no pré e no pós-operatório, portanto a alternativa mais correta seria a alternativa A. Entretanto o gabarito desta questão é a alternativa B.
Considerando a alternativa B, é importante citar que os pacientes com lesão de plexo também sofrem de alterações do posicionamento de cintura escapular e cervical por assumirem posturas antálgicas no pós-operatório. Uma explicação para o gabarito ser B ao invés de A seria talvez pelo fato da banca julgar que o alívio da dor deva ser realizado por medicamentos, e não por medicamentos + eletroanalgesia . . . Vai saber!!!



42. As síndromes dolorosas crônicas de origem miofascial são muito freqüentes na prática clínica diária. O desenvolvimento de pontos-gatilho está quase sempre associado a estas síndromes.
O tratamento da dor e das alterações secundárias musculares tendinosas e ligamentares são os maiores objetivos a serem alcançados visando diminuir a incapacidade funcional do paciente, sendo o calor um dos principais recursos nas fases subagudas e crônicas dessa síndrome.
A alternativa que fundamenta alguns efeitos fisiológicos do tratamento fisioterapêutico é:
A) O alívio justificado pela Teoria das comportas de Melzack e Wall (1982)
B) a diminuição da rigidez muscular pelo aumento da plasticidade ligamentar
C) a diminuição do processo inflamatório localizado, manifestado na fase aguda
D) a diminuição do espasmo muscular quando associado ao uso do TENS
E) o aumento da distensibilidade do tecido colágeno, por fazer predominar suas propriedades viscosas sobre as propriedades elásticas
Gabarito E . . . Não sei explicar esta resposta. Parece que a banca se apoiou em alguma nota de rodapé de livro. Se alguém souber a resposta, por favor deixe um comentário.


43. A presença dos nódulos de Haberden e Bouchard na mão freqüentemente comprometem o processo de recuperação da saúde funcional, e estão associados a algumas patologias como por exemplo:
A) gastrectasia e artrite reumatóide
B) osteoartrite e tendinopatia de De Quervain
C) artrite reumatóide e contratura de Dupuytren
D) osteoartrite e síndrome de Reynaud
E) osteoartrite e dedo em martelo
A osteoartrite nas mão compromete as articulações interfalangianas proximais (IFP) e as distais (IFD), local em que se desenvolvem saliências ósseas de aspecto nodular facilmente identificável, na face dorsolateral das falanges, denominadas de nódulos de Heberden, quando localizados nas IFD, e de Bouchard, quando nas IFP. Esses nódulos são considerados a marca registrada da osteoartrite de mãos. Portanto, embora o Gabarito seja alternativa A, esta opção não faz o menor sentido pois gastrectasia segundo o dicionário médico refere-se à uma dilatação anormal do estômago.
Espero que esta questão tenha sido anulada
Links: Doenças osteoarticulares degenerativas periféricas


44.O processo de restauração da saúde funcional do paciente submetido a tratamento cirúrgico da síndrome do desfiladeiro cervicotorácico se fundamenta na cinesioterapia.
Os objetivos fisioterapêuticos são:
A) Alívio da dor, relaxamento muscular e prevenção de deformidades
B) alivio da dor, restauração do arco de movimento – ADM – da coluna cervical e prevenção das contraturas de De Quervain
C) relaxamento muscular, prevenção de deformidades e prevenção de trombose venosa profunda
D) prevenção de deformidades, diminuição da parestesia do membro superior e fortalecimento muscular precoce
E) relaxamento muscular, alivio da dor e prevenção de trombose venosa profunda

Gabarito alternativa A
Leiam a monografia: Intervenção Fisioterapêutica em pacientes com Síndrome do Desfiladeiro Torácico: Revisão Bibliográfica


45. No pós operatório imediato das artroplastias de quadril, vários cuidados referentes ao deslocamento de cargas e exercícios de altas intensidade devem ser observados.
Na fase final do tratamento fisioterapêutico, as recomendações mais freqüentes são:
A) mobilização passiva da articulação e exercícios antitrombóticos
B) iniciar a reabilitação da marcha e exercícios respiratórios
C) hidroterapia e bicicleta sem carga
D) exercícios pliométricos e dinâmica de deslocamentos multidirecionais após a 12a semana
E) exercícios pliométricos e funcionais para o controle da dor
Assumindo que tudo correu bem durante a fase aguda de recuperação pós artroplastia de quadril, então estaremos diante de um paciente deambulante sem necessidade de dispositivos auxiliares e sem dor. Então as alternativas A, B e E podem ser sumariamente consideradas falsas. Resta-nos as alternativas C e D. Ora, se temos um indivíduo que deambula sem dor e sem nenhuma outra restrição, devemos impor a ele um programa de reabilitação que gere desafios à suas respostas funcionais de força e propriocepção. Neste contexto, a hidroterapia e a bicicleta sem carganão cumprem este papel
Gabarito: Alternativa D


46. Os exercícios pendulares com elevação anterior passiva e rotação externa passiva de 40º, feitos em supino são indicados no tratamento conservador de fraturas:
A) de Colles
B) de Monteggia
C) Transtrocanteriana femoral
D) Proximais do úmero
E) distal e diafisárias do úmero
Fratura de Colles e Monteggia envolvem o antebraço. O cotovelo não realiza o movimento de rotação externa, portanto as alternativas A e B são falsas. O tratamento conservador de fraturas em região proximal de ossos longos como fêmur e úmero envolvem a restrição de movimento. No caso do úmero, a imobilização do braço tem o objetivo de evitar movimentos na glenoumeral. Portanto a sequência de movimentos exemplificada não pode acontecer. A fratura distal e diafisária do úmero, permitem o movimento na articulação glenoumeral mesmo com a imobilização por gesso.
Gabarito: Alternativa E


47. A fratura do colo do fêmur é freqüentemente associada à osteoporose. Contudo um movimento rotatório de alta velocidade seguido de queda também pode provocá-la.
Os cuidados principais no pós operatório imediato das artroplastias de quadril são:
A) Manter a flexibiliade da cadeia muscular reta posterior e controlar a postura no leito durante o repouso absoluto nos primeiros 10 dias de pós-operatório
B)Precocidade no primeiro levante e marcha independente nas primeiras 48hs de pós-operatório
C) Precocidade na marcha e exercícios com 80% da carga máxima para quadríceps e ísquiotibiais D)prevenção de úlceras de decúbito e exercícios de força o mais precocemente possível
E) Precocidade na marcha e normalização do arco de movimento – ADM – ativo e passivo
Repouso absoluto nos primeiros 10 dias de pós-operatório??? Hahaha, isso é medieval! Alternativa A erradíssima. Nos casos de Artroplastia total de quadril, a ortostase deve ser o mais precoce possível SEMPRE! e a evolução para marcha com muletas ou andadores deve seguir-se a ela.
Gabarito: Alternativa B


48. A intensidade do exercício prescrito para o idoso acamado é indicada para desenvolver força e restaurar a função.
O treino de alta intensidade deve ser feito com:
A) 60 a 80 % da carga máxima com mobilização de mais de 1/6 da musculatura esquelética
B)100% da carga máxima, com 20 repetições em cada uma das três séries de exercícios
C)30% da carga máxima tentando atingir a freqüência cardíaca máxima (FCmáx) no maior espaço de tempo.
D)30% da carga máxima, com 2 séries de 10 repetições objetivando atingir a freqüência cardíaca máxima
E)100% da carga máxima, respeitando a exaustão.
Eu passo o comentário da resposta desta questão pois não saco absolutamente nada sobre o tema. Quem souber explicar a resposta por favor deixe um comentário.
Gabarito: Alternativa A


49. Nas fraturas diafisárias do fêmur na criança, o uso de fixação externa permite a movimentação precoce do paciente. A maior dificuldade encontrada pelo fisioterapeuta durante o tratamento é:
A) Restaurar a função do tornozelo
B) Preservar o trofismo do quadríceps contralateral
C) Realizar o apoio com o membro inferior operado
D) Evitar o desenvolvimento de síndromes dolorosas nos ombros pelo uso de auxiliares de marcha
E) Manter a higiene dos pinos após a sessão de hidroterapia

A priori, uma fratura da diáfise femoral não é motivo para gerar restrição da articulação do tornozelo. Portanto a alternativa A está incorreta. As questões B e D não merece comentário, e a alternativa E é simplesmente ridícula. O uso do fixador externo permite a descarga de peso sobre o Membro Operado. Aliás, esta descarga de peso é encorajada para estimular a formação do calo ósseo. Neste sentido, os pacientes têm muito receio em apoiar o pé no chão com medo da dor.
O Gabarito é a alternativa C


50. As hemiartroplastias de ombro nos idosos ou as artroplastias totais são indicadas nas fraturas multifragmentadas da cabeça umeral.
No pós operatório imediato, durante a hospitalização, deve-se observar, durante o tratamento fisioterapêutico, as seguintes manifestações.
A) Restrição antálgica da amplitude de movimento do ombro e a restrição funcional da extensão do cotovelo
B) Perturbações da marcha e do equilíbrio decorrentes da cirurgia
C) Alteração da função do manguito rotador e da coluna cervical, entre o 2o e 3o dias de pós operatório
D) Edema de estase em ambas as mãos e déficit da função diafragmática
E) Déficit ventilatório e alterações posicionais na amplitude de movimento do segmento vertebral lombar.
O gabarito oficial é alternativa B. No entanto esta resposta não faz sentido, aliás, nenhuma das respostas faz sentido. Mais uma questão que só a banca é capaz de explicar a resposta.

Fonte: http://fisioterapiahumberto.blogspot.com/search/label/provas%20comentadas

terça-feira, 21 de abril de 2009

Miologia e anatomia da cabeça, tronco e MMSS



Definição:
É parte da anatomia que estuda os músculos e seus anexos.
O que são músculos?
São estruturas anatômicas que apresentam a capacidade de se contrair, sob estímulos.
VENTRE é a parte carnosa, constituída por fibras musculares que se contraem.
TENDÃO é a parte não contrátil e esta localizado nas extremidades dos músculos. É composto de tecido conjuntivo resistente e esbranquiçado.


Tipos de músculos:
a) Músculos da vida de relação(músculos voluntários ou estriados): Contraem-se por influência da vontade.
b) Músculos da vida vegetativa (músculos involuntários ou lisos): Não depende da nossa vontade para contrair-se, estão localizados nos aparelhos digestivo, respiratórios e genito-urinário.
Músculos Estriados:
Quanto a situação:
a) Superficiais ou Cutâneos: estão logo abaixo do tegumento, e apresentam no mínimo uma de suas inserções na camada profunda da derme, estão localizados na cabeça (crânio e face), no pescoço e na mão (região hipotenar).
b) Profundos ou Subaponeuróticos: são músculos que não apresentam inserções na camada profunda da derme e na maioria das vezes se insere em ossos.
Quanto à Forma:
a) Longos: quando o comprimento prodomina sobre a largura e espessura. Ex: Bíceps.
b) Largos: quando duas medidas se eqüivalem (comprimento e largura predominam sobre a espessura). Ex: Rombóide.
c) Curtos: as três medidas se eqüivalem . Ex: Quadrado Femural.
c) Leque: fibras em forma de um leque. Ex: Peitoral Maior.
d) Mistos: quando não entram na classificação de longos, largos e curtos.
Os músculos ainda podem ser unipenados (Extensor Longo dos Dedos do Pé) e bipenados (Reto Femural).
Quanto à Direção:
a) Retilíneos: músculo que não muda sua direção, converge somente numa direção. Pode ser paralelo, oblíquo ou transverso. Ex: Reto Femural e sartório.
b) Reflexo: músculo que muda sua direção durante seu trajeto. Ex: digástrico e omoióideo.
Quanto à Origem e à Inserção:
a) Origem: quando se originam de mais de um tendão. Ex: Bíceps, Tríceps e Quadríceps.
b) Inserção: quando se inserem em mais de um tendão. Ex: Bicaudados - dois tendões (Fibular Anterior) e Policaudados - três ou mais tendões (Flexor Longo dos Dedos do Pé)

Número de Músculos:
De acordo com Sappey, são 501 músculos:
* Tronco: 190
* Cabeça: 63
* Membro Superior: 98
* Membro Inferior: 104
* Aparelho da vida Nutritiva: 46

Peso dos Músculos:
Em média 3/7 do peso (sexo masculino), mas pode se tornar até 50% do peso em fisioculturistas ou ainda, segundo os avaliadores, para atletas de elite que façam algum tipo de treinamento intenso por mais de 4 horas diárias. Está porcentagem diminui com a idade.

Nomenclatura:
Há dois métodos de estudo dos músculos:
a) Fisiológico: corresponde a ação do músculo: elevador da mandíbula e extensor dos dedos.
b) Topográfico: corresponde a região onde estão localizados: músculos da cabeça e do braço.

Grupos Musculares:
São em número de nove:
* Cabeça
* Pescoço
* Membros Superiores
* Tórax
* Abdômen
* Região Posterior do Tronco
* Membros Inferiores
* Órgãos dos Sentidos
* Períneo
Anexos dos Músculos:
a) Aponeurose: é uma membrana que envolve grupos musculares.
b) Fáscia: envolve o músculo.
c) Bainha Fibrosa: são arcos fibrosos que formam canais osteo-fibrosos.
d) Bainhas Sinoviais: são membranas delgadas que lubrificam o deslizamento da tendão.
e) Bolsas Serosas: bolsas que separam os músculos.

Local de Inserção dos Músculos:
a) Ossos
b) Cútis
c) Órgãos
d) Mucosa
e) Cartilagem
f) Fáscia
g) Articulações
Tipos de Movimentos:
a) Flexão: diminuição do grau de uma articulação.
b) Extensão: aumento do grau de uma articulação.
c) Adução: aproxima do eixo sagital mediano.
d) Abdução: afasta do eixo sagital mediano.
Movimento de rotação em relação a um determinado eixo:
e) Rotação Medial: face anterior gira para dentro.
f) Rotação Lateral: face anterior gira para fora.
Membros Superiores (antebraço):
Supinação = Rotação lateral do antebraço.
Pronação = Rotação medial do antebraço.
Membros Inferiores (pé):
Eversão = Abdução (ponta do pé para fora) + Pronação (planta do pé faz rotação lateral) .
Inversão = Adução (ponta do pé para dentro) + Supinação (planta do pé faz rotação medial).

Classificação Funcional dos Músculos :
a) Agonista: quando um músculo é o agente principal na execução de um movimento.
b) Antagonista: quando um músculo se opõe ao trabalho de um agonista, seja para regular a rapidez ou potência da ação deste.


Couro Cabeludo

O Epicrânio é uma vasta lâmina musculotendinosa que reveste o vértice e as faces laterais do crânio, desde o osso occipital até a sobrancelha. É formado pelo ventre occipital e pelo ventre frontal e estes são reunidos por uma extensa aponeurose intermediária: a gálea aponeurótica.
* Ventre Occipital
Origem: 2/3 laterais da linha nucal superior do osso occipital e processo mastóide
Inserção: Gálea aponeurótica
Inervação: Ramo auricular posterior do nervo facial
Ação: Trabalhando com o ventre frontal traciona para trás o couro cabeludo, elevando as sobrancelhas e enrugando a fronte

* Ventre Frontal
Origem: Não possui inserções ósseas. Suas fibras são contínuas com as do prócero, corrugador e orbicular do olho
Inserção: Gálea aponeurótica
Inervação: Ramos temporais
Ação: Trabalhando com o ventre occipital traciona para trás o couro cabeludo, elevando as sobrancelhas e enrugando a fronte. Agindo isoladamente, eleva as sobrancelhas de um ou de ambos os lados
O Temporoparietal é uma vasta lâmina muito delgada.
Origem: Fáscia temporal
Inserção: Borda lateral da gálea aponeurótica
Inervação: Ramos temporais
Ação: Estica o couro cabeludo e traciona para trás a pele das têmporas. Combina-se com o occipitofrontal para enrugar a fronte e ampliar os olhos (expressão de medo e horror)
A Gálea Aponeurótica reveste a parte superior do crânio entre os ventres frontal e occipital do occipitofrontal.

Boca

1 - Levantador do Lábio Superior:
Origem: Margem inferior da órbita acima do forame infra-orbital, maxila e zigomático
Inserção: Substância muscular do lábio superior e asa do nariz
Inervação: Ramos bucais do nervo facial
Ação: Levanta o lábio superior e leva-o um pouco para frente
2 - Levantador do Lábio Superior e da Asa do Nariz:
Origem: Processo frontal da maxila
Inserção: Se divide em dois fascículos. Um se insere na cartilagem alar maior e na pele do nariz e o outro se prolonga no lábio superior
Inervação: Ramos bucais do nervo facial
Ação: Dilata a narina e levanta o lábio superior
3 - Levantador do Ângulo da Boca:
Origem: Fossa canina (maxila)
Inserção: Ângulo da boca
Inervação: Ramos bucais do nervo facial
Ação: Eleva o ângulo da boca e acentua o sulco nasolabial
4 - Zigomático Menor:
Origem: Superfície malar do osso zigomático
Inserção: Lábio superior (entre o levantador do lábio superior e o zigomático maior
Inervação: Ramos bucais do nervo facial
Ação: Auxilia na elevação do lábio superior e acentua o sulco nasolabial
5 - Zigomático Maior:
Origem: Superfície malar do osso zigomático
Inserção: Ângulo da boca
Inervação: Ramos bucais do nervo facial
Ação: Traciona o ângulo da boca para trás e para cima (risada)
6 - Risório:
Origem: Fáscia do masseter
Inserção: Pele no ângulo da boca
Inervação: Ramos mandibular e bucal do nervo facial
Ação: Retrai o ângulo da boca lateralmente (riso forçado)
7 - Depressor do Lábio Inferior:
Origem: Linha oblíqua da mandíbula
Inserção: Tegumento do lábio inferior
Inervação: Ramos mandibular e bucal do nervo facial
Ação: Repuxa o lábio inferior diretamente para baixo e lateralmente (expressão de ironia)
8 - Depressor do Ângulo da Boca:
Origem: Linha oblíqua da mandíbula
Inserção: Ângulo da boca
Inervação: Ramos mandibular e bucal do nervo facial
Ação: Deprime o ângulo da boca (expressão de tristeza)
9 - Mentoniano:
Origem: Fossa incisiva da mandíbula
Inserção: Tegumento do queixo
Inervação: Ramos mandibular e bucal do nervo facial
Ação: Eleva e projeta para fora o lábio superior e enruga a pele do queixo
10 - Transverso do Mento:
Não é encontrado em todos os corpos.
Origem: Linha mediana logo abaixo do queixo
Inserção: Fibras do depressor do ângulo da boca
Inervação: Ramos mandibular e bucal do nervo facial
Ação: Auxilia na depressão o ângulo da boca
11 - Orbicular da Boca:
Origem: Parte marginal e parte labial
Inserção: Rima da boca
Inervação: Ramos bucais do nervo facial
Ação: Fechamento direto dos lábios
12 - Bucinador:
Importante músculo acessório na mastigação, mantendo o alimento sob a pressão direta dos dentes.
Origem: Superfície externa dos processos alveolares da maxila, acima da mandíbula
Inserção: Ângulo da boca
Inervação: Ramos bucais do nervo facial
Ação: Deprime e comprime as bochechas contra a mandíbula e maxila. Importante para assobiar e soprar

Nariz


1 - Prócero:
Origem: Fáscia que reveste a parte mais inferior do osso nasal e a parte superior da cartilagem nasal lateral
Inserção: Pele da parte mais inferior da fronte entre as duas sobrancelhas
Inervação: Ramos bucais do nervo facial
Ação: Traciona para baixo o ângulo medial da sobrancelha e origina as rugas transversais sobre a raiz do nariz
2 - Nasal (Transverso do Nariz):
Origem:
Porção Transversal - Fosseta mirtiforme e eminência canina da maxila
Porção Alar - Asa do nariz
Inserção:
Porção Transversal - Dorso do nariz
Porção Alar - Imediações do ápice do nariz
Inervação: Ramos bucais do nervo facial
Ação: Dilatação do nariz
3 - Depressor de Septo:
Origem: Fossa incisiva da maxila
Inserção: Septo e na parte dorsal da asa do nariz
Inervação: Ramos bucais do nervo facial
Ação: Traciona para baixo as asas do nariz, estreitando as narinas

Pálpebras



1 - Orbicular do Olho:
Este músculo contorna toda a circunferência da órbita. Divide-se em três porções: palpebral, orbital e lacrimal.
Origem: Parte nasal do osso frontal (porção orbital), processo frontal da maxila, crista lacrimal posterior (porção lacrimal) e da superfície anterior e bordas do ligamento palpebral medial (porção palpebral)
Inserção: Circunda a órbita, como um esfíncter
Inervação: Ramos temporal e zigomáticas do nervo facial
Ação: Fechamento ativo das pálpebras
2 - Corrugador do Supercílio:
Origem: Extremidade medial do arco superciliar
Inserção: Superfície profunda da pele
Inervação: Ramos temporal e zigomáticas do nervo facial
Ação: Traciona a sobrancelha para baixo e medialmente, produzindo rugas verticais na fronte. Músculos da expressão de sofrimento.

Orelha

1 - Auricular Anterior:
Origem: Porção anterior da fáscia na zona temporal
Inserção: Saliência na frente da hélix
Inervação: Ramos temporais
Ação: Traciona o pavilhão da orelha para frente e para cima
2 - Auricular Superior:
Origem: Fáscia da zona temporal
Inserção: Tendão plano na parte superior da superfície craniana do pavilhão da orelha
Inervação: Ramos temporais
Ação: Traciona o pavilhão da orelha para cima
3 - Auricular Posterior:
Origem: Processo mastóide
Inserção: Parte mais inferior da superfície craniana da concha
Inervação: Ramo auricular posterior do nervo facial
Ação: Traciona o pavilhão da orelha para trás

FIGURAS

Músculos da Face - Vista Lateral


Fonte: NETTER, Frank H.. Atlas de Anatomia Humana. 2ed. Porto Alegre: Artmed, 2000.

Articulação Têmporo Mandibular

responsável pelos movimentos da mandíbula (fonação, mastigação).
Articulação: Fossa mandibular do osso temporal e cabeça do côndilo da mandíbula.
Principais Movimentos:
Oclusão - Contato dos dentes da arcada superior com a arcada inferior.
Protrusão - Deslocamento anterior da mandíbula.
Retrusão - Deslocamento posterior da mandíbula em direção ao osso temporal.

Músculos da ATM

1- Temporal:
Passa medialmente ao arco zigomático.
Origem: Face externa do temporal (escama), face interna do arco zigomático
Inserção: Processo coronoide e face anterior do ramo da mandíbula
Inervação: Nervo temporal (ramo mandibular do nervo trigêmio - 5º par craniano)
Ação:
Contração Unilateral - Lateralização contralateral
Contração Bilateral - Oclusão e retrusão

2- Masseter:
É o músculo mais potente da mastigação.
Origem: Borda externa do arco do zigomático
Inserção: Face externa do ângulo da mandíbula
Inervação: Nervo masseteriano (ramo do mandibular do nervo trigêmio - 5º par craniano)
Ação: Oclusão e protrusão
3- Pterigóideo Medial (Interno):
Origem: Face medial da lâmina lateral do processo pterigóide do osso esfenóide
Inserção: Face interna do ângulo da mandíbula
Inervação: Nervo do pterigoideo interno (ramo do nervo facial - 7º par craniano)
Ação: Oclusão e protrusão
4- Pterigóideo Lateral (Externo):
Origem:
Cabeça Inferior - Face lateral da lâmina lateral do processo pterigóide do osso esfenóide
Cabeça Superior - Asa maior do esfenóide
Inserção: Cabeça do côndilo da mandíbula e face anterior do disco articular
Inervação: Nervo do pterigoideo externo (ramo do mandibular do nervo trigêmio - 5º par craniano)
Ação:
Contração Unilateral - Lateralização da mandíbula contralateral
Contração Bilateral - Abertura e protrusão da mandíbula

FIGURAS

Músculos da ATM - Masseter e Temporal


Fonte: NETTER, Frank H.. Atlas de Anatomia Humana. 2ed. Porto Alegre: Artmed, 2000.

Músculos da ATM - Pterigóideos Lateral e Medial

Fonte: NETTER, Frank H.. Atlas de Anatomia Humana. 2ed. Porto Alegre: Artmed, 2000.

Os músculos do pescoço tem como função principal mover a cabeça e o osso hióide. Os que se encontram por detrás da coluna vertebral são chamados músculos da nuca e os demais são ditos músculos do pescoço propriamente dito e dividem-se em quatro regiões:

Região Anterior do Pescoço



1 - Platisma ou Cutâneo do Pescoço:

Inserção Superior: Camada profunda da derme da região mentoniana, borda inferior do corpo da mandíbula, comissura labial e linha oblíqua externa da mandíbula
Inserção Inferior: Camada profunda da derme da região subclavicular e acromial
Inervação: Nervo Facial (7º par craniano)
Ação:
Fixo Superior - Eleva a pele do tronco superior e forma rugas transversais do pescoço
Fixo Inferior - Baixa a pele da região mandibular



Região do Osso Hióide




Músculos Supra-Hióideos

2- Digástrico:

Esse músculo possui dois ventres que estão ligados por um tendão intermediário que é preso ao osso hióide.

Inserção Superior do Ventre Anterior: Fossa digástrica da mandíbula
Inserção Inferior do Ventre Anterior: Tendão intermediário

Inserção Superior do Ventre Posterior: Processo mastóide do osso temporal
Inserção Inferior do Ventre Posterior: Tendão Intermediário

Inervação:
Nervo Facial (7º par craniano) - Ventre Posterior
Nervo Mandibular (Ramo do nervo trigêmeo - 5 par craniano) - Ventre Anterior
Ação: Eleva o osso hióide puxando-o para trás e baixa a mandíbula

3 - Estiloióideo:

Paralelo ao ventre posterior do músculo digástrico

Inserção Superior: Processo estilóide (temporal)
Inserção Inferior: Osso hióide
Inervação: Nervo Facial (7º par craniano)
Ação: Eleva o osso hióide puxando-o para trás

4 - Miloióideo:

Forma o assoalho da boca.

Inserção Superior: Linha miloióidea (mandíbula) e rafe tendinosa
Inserção Inferior: Osso hióide
Inervação: Nervo Mandibular (5º par craniano - Ramo do nervo trigêmeo)
Ação: Eleva o osso hióide, eleva a língua forçando-a para trás

5 - Genioióideo:

Inserção Superior: Espinha mentoniana (mandíbula)
Inserção Inferior: Osso hióide
Inervação: Nervo do Hipoglosso (12º par craniano)
Ação: Traciona o osso hióide para frente e para cima


Músculos Infra-Hióideos

6 - Esternocleidoióideo (Esternohióideo):

Inserção Superior: Borda inferior do corpo do osso hióide
Inserção Inferior: Face posterior do manúbrio do esterno e 1/4 medial da clavícula
Inervação: Alça Cervical (C1, C2 e C3)
Ação: Baixa o osso hióide

7 - Esternotireóideo:

Inserção Superior: Lamina da cartilagem tireóide da laringe
Inserção Inferior: Face posterior do manúbrio do esterno e 1ª cartilagem costal
Inervação: Alça Cervical (C1, C2 e C3)
Ação: Baixa o osso hióide e a cartilagem tireóide

8 - Tireoióideo:

Inserção Superior: Osso hióide
Inserção Inferior: Lâmina da cartilagem tireóide
Inervação: Alça Cervical (C1, C2 e C3)
Ação: Baixa o osso hióide

9 - Omoióideo:

Possui dois ventres e um tendão intermediário:

Inserção Superior do Ventre Superior: Borda inferior do corpo do osso hióide
Inserção Inferior do Ventre Superior: Tendão intermediário

Inserção Medial do Ventre Inferior: Tendão intermediário
Inserção Lateral do Ventre Inferior: Borda superior da escápula

Os músculos supra e infra-hióideos juntos mantém o osso hióide, propiciando base firme para os movimentos da língua

Inervação: Alça Cervical (C1, C2 e C3)
Ação: Baixa o osso hióide e puxa-o levemente para trás


Região Lateral do Pescoço



1 - Esternocleidomastóideo:

Inserção Superior: Processo mastóide e linha nucal superior
Inserção Inferior: Face anterior do manúbrio do esterno, junto a borda superior e anterior do 1/3 medial da clavícula
Inervação: Nervo Acessório (11º par craniano) e 2º e 3º nervos cervicais (plexo cervical)
Ação:
Fixo Superior - Ação inspiratória
Fixo Inferior
Contração Unilateral: Inclinação lateral e rotação com a face virada para o lado oposto
Contração Bilateral: Flexão da cabeça

2 - Escaleno Anterior:

Inserção Superior: Tubérculos anteriores dos processos transversos da C3 a C6
Inserção Inferior: Face superior da 1ª costela (tubérculo escaleno anterior)
Inervação: Ramos anteriores de 3º a 6º nervos cervicais

3 - Escaleno Médio:

Inserção Superior: Tubérculos anteriores dos processos transversos da C1 a C7
Inserção Inferior: Face superior da 1ª costela (podendo ser na 2ª costela)
Inervação: Ramos anteriores de 3º a 4º nervos cervicais e o nervo do rombóide

4 - Escaleno Posterior:

Inserção Superior: Tubérculos posteriores dos processos transversos da C4 a C6
Inserção Inferior: Borda superior da 2ª costela
Inervação: Ramos anteriores de 3º a 4º nervos cervicais e o nervo do rombóide

Ação dos Escalenos:
Fixo no Tórax
Contração Unilateral: Inclinação lateral da coluna
Contração Bilateral: Rigidez no pescoço
Fixo na Coluna - Eleva as costelas (ação inspiratória)


Região Pré-Vertebral do Pescoço



1 - Reto Anterior Maior da Cabeça (Longo da Cabeça):

Inserção Superior: Processo basilar (occipital)
Inserção Inferior: Tubérculos anteriores dos processos transversos da C3 a C6
Inervação: Plexo Cervical
Ação:
Contração Unilateral: Rotação da cabeça com a face virada para o lado oposto
Contração Bilateral: Flexão da cabeça e da coluna cervical

2 - Reto Anterior Menor da Cabeça (Reto Anterior da Cabeça):

Inserção Superior: Processo basilar (occipital)
Inserção Inferior: Massas laterais e processo transverso de atlas
Inervação: 1º nervo cervical
Ação: Aproxima a cabeça do atlas

3 - Longo do Pescoço:

* Porção Oblíquo Superior (Descendente)
Inserção Superior: Tubérculo anterior do atlas
Inserção Inferior: Tubérculo anterior dos processos transversos da C3 e C5
* Porção Oblíquo Inferior (Ascendente)
Inserção Superior: Tubérculo anterior dos processos transversos da C5 e C6
Inserção Inferior: Corpos vertebrais da T1 e T3
* Porção Vertical (Longitudinal)
Inserção Superior: Corpos vertebrais de C2 a C4
Inserção Inferior: Corpos vertebrais de C5 até T3

Inervação: Ramos anteriores dos 4 primeiros nervos cervicais
Ação:
Contração Unilateral: Flexiona a coluna cervical
Contração Bilateral: Inclinação lateral

4 - Reto Lateral da Cabeça:

Inserção Superior: Processo jugular (occipital)
Inserção Inferior: Processo transverso do atlas
Inervação: 1º ramo cervical
Ação:
Contração Unilateral: Inclinação Lateral
Contração Bilateral: Rigidez da Coluna


Região Posterior do Pescoço



1 - Esplênio da Cabeça:

Origem: Ligamento nucal (ligamento cervical) e processos espinhosos da 7ª vértebra cervical e das três primeiras torácicas
Inserção: Linha nucal superior e processo mastóide do osso temporal
Inervação: Ramos cervicais posteriores dos nervos espinhais (nervos raquídios cervicais)
Ação: Extensão, inclinação lateral e rotação da cabeça para o lado oposto

2 - Esplênio do Pescoço:

Origem: Processos espinhosos da 3ª a 5ª vértebras toracicas
Inserção: Processos transversos das 3 primeiras vértebras cervicais
Inervação: Ramos cervicais posteriores dos nervos espinhais (nervos raquídios cervicais)
Ação: Extensão, inclinação lateral e rotação da cabeça para o lado oposto

3 - Semi-Espinhal da Cabeça (Extensor da Cabeça):

Origem: Processos transversos da 1ª vértebra cervical até a 7ª torácica
Inserção: Superfície óssea entre as linhas nucais superior e inferior
Inervação: Ramos dos nervos espinhais cervicais
Ação: Extensão da Cabeça e rotação para o lado oposto (contração unilateral)

4 - Semi-Espinhal do Pescoço (Extensor do Pescoço):

Origem: Processos transversos da 2ª a 7ª vértebras torácicas
Inserção: Processos espinhosos da 2ª a 5ª vértebras cervicais
Inervação: Ramos dos nervos espinhais cervicais
Ação: Extensão do pescoço


Suboccipitais - Formam o trígono suboccipital.


5 - Reto Posterior Maior da Cabeça:

Origem: Processo espinhoso do áxis
Inserção: Linha nucal inferior
Inervação: Ramos posteriores dos nervos espinhais (raquídios) cervicais
Ação: Extensão da cabeça

6 - Reto Posterior Menor da Cabeça:

Origem: Tuberosidade posterior do atlas
Inserção: Linha nucal inferior
Inervação: Ramos posteriores dos nervos espinhais (raquídios) cervicais
Ação: Extensão da cabeça

7 - Oblíquo Superior da Cabeça:

Origem: Massa lateral e processo transverso do atlas
Inserção: Linha nucal inferior
Inervação: Ramos posteriores dos nervos espinhais (raquídios) cervicais
Ação:
Contração Unilateral - Rotação da cabeça
Contração Bilateral - Extensão da cabeça

8 - Oblíquo Inferior da Cabeça:

Origem: Processo espinhoso do áxis
Inserção: Massa lateral e processo transverso do atlas
Inervação: Ramos posteriores dos nervos espinhais (raquídios) cervicais
Ação:
Contração Unilateral - Rotação da cabeça
Contração Bilateral - Extensão da cabeça

FIGURAS

Músculos do Pescoço - Vista Anterior


Fonte: NETTER, Frank H.. Atlas de Anatomia Humana. 2ed. Porto Alegre: Artmed, 2000.

Músculos do Pescoço - Vista Lateral

Fonte: NETTER, Frank H.. Atlas de Anatomia Humana. 2ed. Porto Alegre: Artmed, 2000.

Músculos do Pescoço - Supra e Infra-Hióideos

Fonte: NETTER, Frank H.. Atlas de Anatomia Humana. 2ed. Porto Alegre: Artmed, 2000.


Fonte: NETTER, Frank H.. Atlas de Anatomia Humana. 2ed. Porto Alegre: Artmed, 2000.


Fonte: NETTER, Frank H.. Atlas de Anatomia Humana. 2ed. Porto Alegre: Artmed, 2000.

Músculos do Pescoço - Escalenos e Pré-Vertebrais

Fonte: NETTER, Frank H.. Atlas de Anatomia Humana. 2ed. Porto Alegre: Artmed, 2000.




O tórax se localiza na região superior do tronco, é definido anteriormente pelo osso esterno, lateralmente pelas costelas e posteriormente pela coluna vertebral.



Região Ântero-Lateral



1 - Peitoral Maior:

Inserção Medial: 2/3 mediais da borda anterior da clavícula, face anterior do esterno, face externa da 1ª a 6ª cartilagens costais, 6ª a 7ª costelas e aponeurose abdominal
Inserção Lateral: Tubérculo maior do úmero (porção superior do lábio anterior do sulco intertubercular)
Inervação: Nervo peitoral lateral e medial (C5, C6, C7, C8 e T1)
Ação:
Fixo no Tórax: Adução, rotação medial do braço, auxilia na abdução e flexão do braço até 90°. A porção esternal faz extensão e a porção clavicular faz flexão horizontal
Fixo no Braço: Eleva tronco

2 - Peitoral Menor:

Inserção Medial: Face externa da 2ª a 5ª costelas
Inserção Lateral: Processo coracóide
Inervação: Nervo do peitoral medial (C8 e T1)
Ação:
Fixo no Tórax: Deprime o ombro. Na escápula realiza rotação inferior, abdução e depressão
Fixo na Escápula: Eleva costelas (ação inspiratória)

3 - Subclávio:

Inserção Superior: Face inferior da clavícula
Inserção Inferior: Face superior da 1ª cartilagem costal
Inervação: Nervo do subclávio
Ação: Deprime e fixa a clavícula na articulação esternoclavicular, auxilia na depressão do ombro e eleva a 1ª costela

4 - Serrátil Anterior (Maior):

Passa por baixo da escápula
* Porção Superior
Inserção Posterior: Ângulo superior da escápula
Inserção Anterior: Face externa da 1ª e 2ª costelas
* Porção Média
Inserção Posterior: Borda medial da escápula
Inserção Anterior: Face externa da 2ª a 4ª costelas
* Porção Inferior
Inserção Posterior: Ângulo inferior da escápula
Inserção Anterior: Face externa da 5ª a 8ª costelas

Inervação: 5º e 6º nervos cervicais e 8º e 9º intercostais
Ação:
Fixo na escápula: Ação inspiratória
Fixo nas costelas: Abdução e rotação superior da escápula


Região Costal



Estes músculos estão localizados nos espaços intercostais (entre as costelas).

1 - Intercostais Externos (11 Pares):

Inserção Superior: Borda inferior da costela suprajacente (superior)
Inserção Inferior: Borda superior da costela infrajacente (inferior)
Inervação: Nervos intercostais
Ação: Eleva as costelas (Ação inspiratória)

2 - Intercostais Internos (11 Pares):

Inserção Superior: Borda inferior da costela suprajacente (superior)
Inserção Inferior: Borda superior da costela infrajacente (inferior)
Inervação: Nervos intercostais
Ação: Deprime as costelas (Ação expiratória)

Os músculos intercostais internos e externos se cruzam em "X". As fibras dos intercostais externos se dirigem de superior para inferior e de posterior para anterior. Já as fibras dos intercostais internos se dirigem de superior para inferior e de anterior para posterior.

3 - Supracostais (Levantadores das Costelas):

Inserção Superior: Processo transverso da C7 a T11
Inserção Inferior: Face externa da 1ª a 12ª costela
Inervação: Nervos intercostais
Ação: Eleva as costelas (inspiratório)

4 - Infracostais (Subcostais):

Inserção Superior: Face interna da costela suprajacente
Inserção Inferior: Face interna da costela infrajacente
Inervação: Nervos intercostais
Ação: Abaixa as costelas, contribuindo para a expiração

5 - Transverso do Tórax:

Inserção Medial: Face interna do esterno e processo xifóide
Inserção Lateral: Face interna da 2ª à 6ª costela
Inervação: Nervos intercostais
Ação: Reforço da parede torácica e auxiliar da expiração

FIGURAS

Músculos do Tórax - Vista Anterior (Dissecação Superficial)


Fonte: NETTER, Frank H.. Atlas de Anatomia Humana. 2ed. Porto Alegre: Artmed, 2000.

Músculos do Tórax - Vista Anterior (Dissecação Profunda)

Fonte: NETTER, Frank H.. Atlas de Anatomia Humana. 2ed. Porto Alegre: Artmed, 2000.

Músculos do Tórax - Vista Interna

Fonte: NETTER, Frank H.. Atlas de Anatomia Humana. 2ed. Porto Alegre: Artmed, 2000.

Músculos Posteriores do Tórax (Dorso)



1 - Trapézio:

Inserção Medial: Linha nucal superior, ligamento nucal, protuberância occipital externa até os processos espinhosos da C6 e processos espinhosos da C7 a T12
Inserção Lateral: 1/3 lateral da borda posterior da clavícula, acrômio e espinha da escápula
Inervação: Nervo acessório (11º par craniano) e Plexo Cervical (C3 e C4)
Ação:
Fixo na Coluna: Eleva o ombro e aduz as escápulas
Fixo na Escápula:
* Contração Unilateral: Inclina a cabeça para o mesmo lado, rodando o campo de visão para o lado oposto. Na escápula faz rotação superior, adução, elevação e depressão
* Contração Bilateral: Extenção da cabeça

2 - Grande Dorsal:

Inserção Medial: Processos espinhosos das 7 últimas vértebras dorsais e todas as lombares, crista do sacro, crista ilíaca e face externa das 4 últimas costelas
Inserção Lateral: Sulco intertubercular do úmero
Inervação: Nervo Toracodorsal (C6, C7 e C8)
Ação: Adução, extenção e rotação medial do braço, baixa o ombro e auxilia na inspiração forçada

3 - Rombóide:

Inserção Medial: Processos espinhosos da C7 à T5
Inserção Lateral: Borda medial e ângulo inferior da escápula
Inervação: Nervo escapular dorsal (C4 e C5)
Ação: Adução e rotação inferior da escápula e deprime o ombro

O músculo rombóide pode ser subdividido em rombóide maior (processos espinhosos de T1 à T4 até a 2/3 inferiores da borda medial da escápula e ângulo inferior da escápula) e rombóide menor (processos espinhosos de C7 e T1 à 1/3 superior da borda medial da escápula)

4 - Levantador da Escápula (Angular da Escápula):

Inserção Superior: Processo transverso do atlas até C4
Inserção Inferior: Ângulo superior da escápula
Inervação: Nervo do elevador
Ação: Eleva a escápula e inclina a coluna para o mesmo lado da contração

5 - Serrátil Postero-Superior:

Inserção Medial: Processos espinhosos de C7 à T3 e ligamento nucal
Inserção Lateral: Borda superior e face externa da 2ª à 5ª costelas
Inervação: Ramos dos 4 primeiros nervos costais
Ação: Eleva as costelas (atua na inspiração forçada)

6 - Serrátil Postero-Inferior:

Inserção Medial: Processos espinhosos da T11 à L3
Inserção Lateral: Borda inferior e face externa das 4 últimas costelas
Inervação: 9º ao 11º nervos intercostais
Ação: Atrai para baixo e para trás as últimas costelas (ação expiratória)


Músculos da Goteira Vertebral


Paravertebrais



1 - Eretores da Espinha:

* Espinhal (+ Medial):

Origem: Processos Espinhosos de T10 a L2
Inserção: Processos Espinhosos de T1 a T8
Inervação: Nervos espinhais
Ação: Extensão do tronco e rotação para o lado oposto

* Dorsal Longo (Longuíssemos):

Cabeça:
Origem: Processos transversos de C4 a T4
Inserção: Face posterior do processo mastóide
Pescoço:
Origem: Processos transversos de T1 a T4
Inserção: Processos transversos de C2 a C6
Tórax:
Origem: Face dorsal do sacro
Inserção: Processos transversos das vértebras lombares, torácicas e todas as costelas

Inervação: Nervos espinhais
Ação:
Contração Unilateral - Lateralização do tronco
Contração Bilateral - Extensão de tronco e traciona as costelas caudalmente

* Ileocostal (+ Lateral):

Cervical:
Origem: Ângulo da 3ª à 6ª costelas
Inserção: Processos transversos de C4 a C6
Torácico:
Origem: Ângulo das 6 últimas costelas
Inserção: Ângulo das 6 primeiras costelas
Lombar:
Origem: Face dorsal do sacro
Inserção: Próximo ângulo das 6 últimas costelas

Inervação: Ramos das divisões primárias dorsais dos nervos espinhais
Ação:
Contração Unilateral - Inclinação lateral do tronco
Contração Bilateral - Extensão de tronco e traciona as costelas caudalmente

2 - Transverso-Espinhal (Multífido):

Se estende do sacro até a 2ª vértebra cervical. Ligam o processo transverso de uma vértebra com o processo espinhoso da vértebra suprajacente.

Origem: Processos transversos de todas as vértebras
Inserção: Processo espinhoso de 1 ou 2 vértebras acima
Inervação: Ramos das divisões primárias dorsais dos nervos espinhais
Ação:
Contração Unilateral - Rotação do tronco para o lado oposto
Contração Bilateral - Extensão do tronco

3 - Intertransversais:

Origem: Borda inferior do processo transverso da vértebra superior
Inserção: Borda superior do processo transverso da vértebra inferior
Inervação: Os anteriores, os posteriores e os laterais, pelos ramos das divisões primárias ventrais dos nervos espinhais; os mediais, pelos ramos das divisões primárias dorsais
Ação: Inclina o tronco para o mesmo lado

4 - Interespinhais:

Origem: Processos espinhosos da vértebra superior
Inserção: Processos espinhosos da vértebra inferior
Inervação: Ramos das divisões primárias dorsais dos nervos espinhais
Ação: Extensão de tronco

FIGURAS

Músculos do Dorso - Vista Posterior (Camada Superficial)


Fonte: NETTER, Frank H.. Atlas de Anatomia Humana. 2ed. Porto Alegre: Artmed, 2000.

Músculos do Dorso - Vista Posterior (Camada Intermédia)

Fonte: NETTER, Frank H.. Atlas de Anatomia Humana. 2ed. Porto Alegre: Artmed, 2000.

Músculos do Dorso - Vista Posterior (Camada Profunda)

Fonte: NETTER, Frank H.. Atlas de Anatomia Humana. 2ed. Porto Alegre: Artmed, 2000.



Os músculos dessa região têm por função a proteção visceral, expiração, além de colaborar com os músculos do dorso nos movimentos do tronco e na manutenção da postura ereta.

Região Ântero-Lateral do Abdômen


1 - Reto Anterior do Abdômen:

O Reto Anterior do Abdômen é um músculo poligástrico, ou seja, possui vários ventres, pois em seu trajeto apresenta três ou mais intersecções tendíneas. O músculo Reto Anterior do Abdômen está alojado num estojo aponeurótico formado pelos músculos Oblíquo Externo, Interno e Transverso do Abdômen. A aponeurose dirige-se até a região média.

Inserção Superior: Face externa e borda inferior da 5ª à 7ª cartilagem costais e processo xifóide
Inserção Inferior: Corpo do púbis e sínfise púbica
Inervação: Ramos vantrais dos 6 últimos espinhais torácicos
Ação:

Fixo no tórax: Realiza retroversão (extensão) da pelve

Fixo na pelve: Flete o tronco

Aumento da pressão intra-abdominal (Expiração, Vômito, Defecação, Micção e no Parto).

2 - Piramidal do Abdômen:

Inserção Superior: Linha alba
Inserção Inferior: Corpo do púbis
Inervação: 12º intercostal e nervo ilioipogástrico (L1)
Ação: Mantém a linha alba tensionada (melhor perceptível em gestantes)

3 - Oblíquo Externo do Abdômen:

Suas fibras se dirigem obliquamente para baixo e para frente.

Inserção Superior: Face externa das 8 últimas costelas e interdigita-se com os músculos Serrátil Anterior e Grande Dorsal
Inserção Inferior: Crista íliaca, Espinha Ilíaca Ântero-Superior, púbis e linha alba
Inervação: Ramos anteriores dos 4 últimos nervos espinhais torácicos e nervo ilioipogástrico (L1)
Ação:

Contração Unilateral: Rotação com tórax girando para o lado oposto

Contração Bilateral: Flete o tronco e aumenta a pressão intra-abdominal

4 - Oblíquo Interno do Abdômen:

Suas fibras se dirigem de baixo para cima e trás para frente.

Inserção Medial: 3 últimas cartilagens costais, linha alba, púbis e eminência íleo-púbica
Inserção Lateral: Espinha Ilíaca Ântero-Superior, 1/4 lateral do ligamento inguinal (arco crural) e crista ilíaca. Posteriormente, ele se insere nos processos espinhosos e transversos das últimas vértebras lombares
Inervação: Ramos anteriores dos 6 últimos nervos espinhais torácicos e nervo ilioipogástrico (L1)
Ação: Idem ao Oblíquo Externo, porém rota o tórax para o mesmo lado

Os músculos Oblíquo Externo e Oblíquo Interno do abdômen trabalham conjuntamente em alguns movimentos. Exemplo: quando realizamos flexão e rotação do tronco para o lado direito, o Oblíquo Externo do lado esquerdo e o Oblíquo Interno do lado direito trabalham em conjunto.

5 - Transverso do Abdômen:

É o músculo mais profundo da região ântero-lateral do abdômen. Suas fibras se dirigem horizontalmente no sentido posterior para anterior.

Inserção Posterior: Face interna e borda inferior das 6 últimas cartilagens costais, processo transverso das vértebras lombares, crista ilíaca e 1/4 lateral do ligamento inguinal
Inserção Anterior: Linha alba e púbis
Inervação: Ramos anteriores dos 6 últimos nervos espinhais torácicos e nervo ilioipogástrico (L1)
Ação: Aumento da pressão intra-abdominal


Região Posterior do Abdômen



1 - Quadrado Lombar:

Inserção Superior: 12ª costela e processo transverso da 1ª a 4ª vértebras lombares
Inserção Inferior: Crista Ilíaca e ligamento íliolombar
Inervação: 12º nervo intercostal
Ação: Inclinação lateral do tronco e baixa a 12ª costela

2 - Iliopsoas:

É um músculo que apresenta duas origens, ou seja, é um bíceps

Inserção Superior:
Psoas Maior: Corpos vertebrais de T12 à L4, discos intervertebrais, processos transversos de L1 à L4
Ilíaco: Fossa ilíaca, crista ilíaca, linha arqueada e sacro.
Inserção Inferior: Os dois ventres se unem formando um único tendão que se insere no trocânter Menor do fêmur
Inervação: Nervo Femural (L1, L2 e L3)
Ação:
Fixo no Tronco: Flexão da coxa, rotação lateral da coxa
Fixo no Fêmur : Flexão de tronco

3 - Psoas Menor:

Inserção Superior: Corpo vertebral de T12 e L1
Inserção Inferior: Eminência iliopúbica
Inervação: Plexo lombar (L2, L3 e L4)
Ação: Auxilia o músculo psoas maior


Região Superior do Abdômen



1 - Diafragma:

O Diafragma separa a cavidade torácica da cavidade abdominal.

No Diafragma encontramos três orifícios: Hiato Aórtico (para a artéria aorta), Hiato Esofágico (para o esôfago) e Forame da veia cava (para a veia cava inferior)

Inserção: Face interna das seis últimas costelas, face interna do processo xifóide e corpos vertebrais da 2ª e 3ª vértebra lombar
Inervação: Nervo Frênico (C3, C4 e C5)
Ação: É o músculo mais importante da respiração (inspiração), pois diminui a pressão interna da caixa torácica permitindo a entrada do ar nos pulmões

FIGURAS

Músculos do Abdômen - Vista Anterior (Dissecação Superficial)


Fonte: NETTER, Frank H.. Atlas de Anatomia Humana. 2ed. Porto Alegre: Artmed, 2000.

Músculos do Abdômen - Vista Anterior (Dissecação Intermédia)

Fonte: NETTER, Frank H.. Atlas de Anatomia Humana. 2ed. Porto Alegre: Artmed, 2000.

Músculos do Abdômen - Vista Anterior (Dissecação Profunda)

Fonte: NETTER, Frank H.. Atlas de Anatomia Humana. 2ed. Porto Alegre: Artmed, 2000.

Músculos do Abdômen - Iliopsoas

Fonte: NETTER, Frank H.. Atlas de Anatomia Humana. 2ed. Porto Alegre: Artmed, 2000.


Músculos do Abdômen - Vista Interna da Parede Posterior

Fonte: NETTER, Frank H.. Atlas de Anatomia Humana. 2ed. Porto Alegre: Artmed, 2000.


1 - Deltóide:

Inserção Superior: 2/3 laterais da borda anterior da clavícula, acrômio e espinha da escápula
Inserção Inferior: Tuberosidade deltoidea (1/2 da diáfise do úmero)
Inervação: Nervo axilar (C5 e C6)
Ação: Abdução do braço, auxilia nos movimentos de flexão, extensão, rotação lateral e medial e flexão e extensão horizontal do braço e fixa a articulação do ombro

2 - Redondo Maior (Passa internamente - entre costelas e úmero):

Inserção Medial: Metade inferior da borda lateral da escápula e ângulo inferior da escápula
Inserção Lateral: Sulco intertubercular
Inervação: Nervo subescapular (C5 e C6)
Ação: Rotação medial, adução e extensão do braço e fixação da articulação do ombro

3 - Redondo Menor:

Inserção Medial: Metade superior da borda lateral da escápula
Inserção Lateral: Face inferior do tubérculo maior do úmero
Inervação: Nervo axilar (C5 e C6)
Ação: Rotação lateral do braço e fixação da articulação do ombro

4 - Infra-Espinhoso :

Inserção Medial: Fossa infra-espinhosa
Inserção Lateral: Faceta média do tubérculo maior do úmero
Inervação: Nervo supraescapular (C5 e C6)
Ação: Rotação lateral do braço, fixação da articulação do ombro e auxilia na extensão horizontal do braço

5 - Supra-Espinhoso:

Inserção Medial: Fossa supra-espinhosa
Inserção Lateral: Faceta superior do tubérculo maior do úmero
Inervação: Nervo supraescapular (C5 e C6)
Ação: Auxilia o deltóide na abdução do braço (até aproximadamente 30°), auxilia na rotação lateral e fixa a articulação do ombro

6 - Subescapular:

Inserção Medial: Borda medial e lateral da escápula e fossa subescapular (face anterior da escápula)
Inserção Lateral: Tubérculo menor do úmero
Inervação: Nervo subescapular (C5 e C6)
Ação: Rotação medial e fixação da articulação do ombro e auxilia na extensão e abdução do braço

MANGUITO ROTADOR: A função principal deste grupo é manter a cabeça do úmero contra a cavidade glenóide, reforçar a cápsula articular e resistir ativamente e deslocamentos indesejáveis da cabeça do úmero em direção anterior, posterior e superior
* SUPRA-ESPINHOSO
* INFRA-ESPINHOSO
* REDONDO MENOR
* SUBESCAPULAR

FIGURAS

Músculos do Ombro - Vista Anterior


Fonte: NETTER, Frank H.. Atlas de Anatomia Humana. 2ed. Porto Alegre: Artmed, 2000.

Músculos do Ombro - Vista Posterior

Fonte: NETTER, Frank H.. Atlas de Anatomia Humana. 2ed. Porto Alegre: Artmed, 2000.

Músculos do Ombro - Manguito Rotador

Fonte: NETTER, Frank H.. Atlas de Anatomia Humana. 2ed. Porto Alegre: Artmed, 2000.



Região Anterior

Bíceps Braquial
Coracobraquial
Braquial Anterior


Região Posterior

Tríceps Braquial


Região Anterior



1 - Bíceps Braquial:

Inserção Superior:
Porção Longa (Lateral): Tubérculo supra-glenoidal
Porção Curta (Medial): Processo coracóide (escápula)
Inserção Inferior: Tuberosidade radial
Inervação: Nervo musculocutâneo (C5 e C6)
Ação: Flexão do cotovelo, supinação do antebraço, depressão do ombro e um pequeno movimento de abdução realizada pela porção longa

2 - Coracobraquial:

Inserção Superior: Processo coracóide (escápula)
Inserção Inferior: Face medial de 1/3 médio do úmero
Inervação: Nervo musculocutâneo (C6 e C7)
Ação: Flexão e adução do braço e deprime o ombro

3 - Braquial Anterior:

Inserção Superior: Tuberosidade deltóidea e face anterior da metade inferior do úmero
Inserção Inferior: Processo coronóide da ulna
Inervação: Nervo musculocutâneo (C5 e C6)
Ação: Flexão do cotovelo


Região Posterior



1 - Tríceps Braquial:

Inserção Superior:
Porção Longa: Tubérculo infra-glenoidal (único que fica na escápula)
Porção Lateral: Face posterior do úmero (acima do sulco radial)
Porção Medial: Face posterior do úmero (abaixo do sulco radial)
Inserção Inferior: Olécrano (ulna)
Inervação: Nervo radial (C7 e C8)
Ação: Extensão do cotovelo e a porção longa faz adução do braço

FIGURAS

Músculos do Braço - Vista Anterior
Dissecação Superficial


Fonte: NETTER, Frank H.. Atlas de Anatomia Humana. 2ed. Porto Alegre: Artmed, 2000.

Dissecação Profunda

Fonte: NETTER, Frank H.. Atlas de Anatomia Humana. 2ed. Porto Alegre: Artmed, 2000.

Músculos do Braço - Vista Posterior
Dissecação Superficial


Fonte: NETTER, Frank H.. Atlas de Anatomia Humana. 2ed. Porto Alegre: Artmed, 2000.

http://www.sogab.com.br/anatomia/miologiajonas.htm

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Os Estatutos do Homem


Ato Institucional Permanente


A Carlos Heitor Cony



Artigo I.
Fica decretado que agora vale a verdade.

que agora vale a vida,

e que de mãos dadas,

trabalharemos todos pela vida verdadeira.


Artigo II.
Fica decretado que todos os dias da semana,

inclusive as terças-feiras mais cinzentas,

têm direito a converter-se em manhãs de domingo.


Artigo III.
Fica decretado que, a partir deste instante,

haverá girassóis em todas as janelas,

que os girassóis terão direito

a abrir-se dentro da sombra;

e que as janelas devem permanecer, o dia inteiro,

abertas para o verde onde cresce a esperança.


Artigo IV.
Fica decretado que o homem

não precisará nunca mais

duvidar do homem.

Que o homem confiará no homem

como a palmeira confia no vento,

como o vento confia no ar,

como o ar confia no campo azul do céu.


Parágrafo Único:
O homem confiará no homem

como um menino confia em outro menino.


Artigo V.
Fica decretado que os homens

estão livres do jugo da mentira.

Nunca mais será preciso usar

a couraça do silêncio

nem a armadura de palavras.

O homem se sentará à mesa

com seu olhar limpo

porque a verdade passará a ser servida

antes da sobremesa.


Artigo VI.
Fica estabelecida, durante dez séculos,

a prática sonhada pelo profeta Isaías,

e o lobo e o cordeiro pastarão juntos

e a comida de ambos terá o mesmo gosto de aurora.


Artigo VII.
Por decreto irrevogável fica estabelecido

o reinado permanente da justiça e da claridade,

e a alegria será uma bandeira generosa

para sempre desfraldada na alma do povo.


Artigo VIII.
Fica decretado que a maior dor

sempre foi e será sempre

não poder dar-se amor a quem se ama

e saber que é a água

que dá à planta o milagre da flor.


Artigo IX.
Fica permitido que o pão de cada dia

tenha no homem o sinal de seu suor.

Mas que sobretudo tenha sempre

o quente sabor da ternura.


Artigo X.
Fica permitido a qualquer pessoa,

a qualquer hora da vida,

o uso do traje branco.


Artigo XI.
Fica decretado, por definição,

que o homem é um animal que ama

e que por isso é belo.

muito mais belo que a estrela da manhã.


Artigo XII.
Decreta-se que nada será obrigado nem proibido.

tudo será permitido,

inclusive brincar com os rinocerontes

e caminhar pelas tardes

com uma imensa begônia na lapela.


Parágrafo único:
Só uma coisa fica proibida:

amar sem amor.


Artigo XIII.
Fica decretado que o dinheiro

não poderá nunca mais comprar

o sol das manhãs vindouras.

Expulso do grande baú do medo,

o dinheiro se transformará em uma espada fraternal

para defender o direito de cantar

e a festa do dia que chegou.


Artigo Final.
Fica proibido o uso da palavra liberdade.

a qual será suprimida dos dicionários

e do pântano enganoso das bocas.

A partir deste instante

a liberdade será algo vivo e transparente

como um fogo ou um rio,

e a sua morada será sempre

o coração do homem.



Santiago do Chile, abril de 1964


Publicado no livro Faz Escuro Mas Eu Canto: Porque a Manhã Vai Chegar 1965.


In: MELLO, Thiago de. Vento geral, 1951/1981: doze livros de poemas. 2.ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 198

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