domingo, 24 de maio de 2009

Programas de exercícios para crianças com paralisia cerebral.


Para fugir um pouco da terapia manual, deixo hoje trechos da tradução de uma revisão sistemática recente que investigou a evidência dos programas de exercício utilizados em crianças com Paralisia Cerebral.
O texto é bastante claro, com a metodologia de pesquisa muito bem descrita - excelente para o pessoal se guiar na hora da monografia ;) Além disso as conclusões também claras e coerentes.
Espero que gostem.

Exercise Programs for Children with Cerebral Palsy _ A Systematic Review of the Literature
Programas de exercícios para crianças com paralisia cerebral. Uma revisão sistemática da literatura
Verschuren O, Ketelaar M, Takken T, Helders PJM, Gorter JW: Exercise programs for children with cerebral palsy: a systematic review of the literature. Am J Phys Med Rehabil 2008;87:404–417.

RESUMO
O propósito desta revisão da literatura, conduzida em relação a todos os tipos de programas de exercícios focados no condicionamento cardiovascular (aeróbico e anaeróbico) e/ou fortalecimento de membros inferiores em crianças com paralisia cerebral (PC), foi abordar as seguintes questões: (1) Quais programas de exercícios focados no fortalecimento muscular, condicionamento cardiovascular ou uma combinação destes foram estudados, e quais os efeitos destes programas de exercícios em crianças com PC ? (2) Quais medidas de desfecho foram utilizadas para avaliar os efeitos destes programas ? e (3) Qual a qualidade metodológica destes estudos?
Nós realizamos uma busca sistemática da literatura disponível em bases eletrônicas até outubro de 2006 e foram incluídos um total de 20 estudos. A qualidade metodológica dos estudos incluídos foi considerada baixa. No entanto, parece que crianças com PC podem se beneficiar de programas de exercícios focados em força muscular de membros inferiores, condicionamento cardiovascular, ou uma combinação destes. As medidas de desfecho nestes estudos não eram específicas para a intervenção proposta e geralmente apenas focadas na Classificação Internacional de Funcionalidade. Existe uma necessidade de se determinar a eficácia dos programas de exercícios na melhora a atividade diária e nível de participação das crianças com PC e aumentar suas auto-competências ou qualidade de vida.


INTRODUÇÃO
A paralisia cerebral (PC) é um termo que descreve um grupo de desordens do desenvolvimento do movimento e da postura, os quais causam limitação das atividades atribuída à um distúrbio não progressivo que ocorre no feto ainda em desenvolvimento fetal ou no cérebro imaturo. As desordens motoras na PC são geralmente acompanhadas por distúrbios sensitivos, cognitivos, da comunicação, percepção e/ou comportamento e/ou por desordens convulsivas. Devido às deficiências, muitas crianças e adolescentes com PC tem ao menos dificuldades com atividades como andar de modo independente, subir e descer escadas, correr ou deslocar-se de forma segura sobre terrenos irregulares (o período denominado infância geralmente refere-se ao período dos 2 aos 12 anos de idade, e adolescência refere-se ao período dos 13 aos 21 anos. Nesta revisão, crianças e adolescentes serão descritos simultaneamente como crianças). Melhorar a marcha ou no desempenho de atividades funcionais são sempre o objetivo primário em crianças com PC. Exercícios referem-se à atividades planejadas envolvendo movimentos repetidos dos músculos esqueléticos, que resultam em gasto energético e tem como objetivo melhorar ou manter o nível de condicionamento físico acima da intensidade das atividades do dia a dia. Exercícios em crianças com PC tem sido geralmente evitados devido à preocupação com os efeitos negativos de tal esforço sobre a espasticidade e padrões de movimento da criança. Vários fatores contribuíram para a recente mudança de perspectiva em relação aos exercícios nestes pacientes. Estudos que investigaram os efeitos dos exercícios físicos em crianças com PC não relataram efeitos adversos nos padrões de movimento, na flexibilidade ou espasticidade.Muitos programas de exercícios para crianças com PC são primariamente desenvolvidos para os membros inferiores. As funções mais comuns dos membros inferiores tendem a ser atividades motoras grosseiras, envolvendo movimentos repetitivos, recíprocos e coordenados de ambos os MMII para se deslocar no espaço e geralmente exigem pouca esforço consciente durante o exercício. Tem havido um grande interesse em desenvolver e implementar programas de exercícios para melhorar o condicionamento cardiovascular (capacidades aeróbia e anaeróbia) e/ou fortalecimento muscular dos MMII de crianças com PC. Duas revisões sistemáticas que examinam os efeitos do fortalecimento em PC foram publicados. Até o momento não existem revisões sistemáticas que examinem todos os tipos de programas de exercício focados no condicionamento cardiovascular) e/ou fortalecimento muscular dos MMII de crianças com PC.
O propósito do presente trabalho é revisar sistematicamente a literatura em relação a programas de exercícios em crianças com PC para responder às seguintes questões: (1) Qual programa de exercícios focados no fortalecimento muscular de MMII, condicionamento cardiovascular ou a combinação de ambos foram estudados e quais os efeitos sobre crianças com PC? (2) Quais foram os desfechos utilizados para avaliar estes programas de exercícios? E (3) Qual é a qualidade metodológica dos estudos?
Em muitas revisões sistemáticas, é realizada uma meta-análise, combinando estatisticamente os resultados de vários estudos em um tamanho estimado de efeito único. No entanto, as mate-análises foram desenvolvidas especificamente para estudos randomizados e controlados. Nós esperamos que a maioria dos trabalhos sejam estudos observacionais, uma condição na qual o uso de meta-análise não é geralmente recomendada. Portanto, foi realizada uma revisão sistemática qualitativa dos efeitos de todos os tipos de programas de exercícios focados no condicionamento cardiovascular (capacidades aeróbia e anaeróbia) e/ou fortalecimento muscular dos MMII de crianças com PC.

METODOLOGIA
Estratégia de busca
As seguintes bases eletrônicas foram pesquisadas desde suas respectivas inserções até Setembro de 2006: MEDLINE, PubMed, EMBASE, CINAHL, Sports Discus, Cochrane, and PEDro. Os termos de busca incluíram cabeçalhos de assunto e palavras no texto baseadas em: (I) cerebral palsy; (II) exercise ( em combinação com strength, fitness, working capacity, aerobic power, anaerobic power, endurance, cardiorespiratory physical training or program); (III) lower extremity; and (IV) clinical trials. Os critérios de inclusão foram: (1) Crianças e adolescentes com PC, (2) Intervenção (programas de exercícios focados no fortalecimento muscular de MMII, condicionamento cardiovascular ou a combinação de ambos) e (3) desfecho (mensuração das mudanças na função corporal e estrutura, atividade ou participação). Os critérios de exclusão foram: (1) Dissertações de Doutorado, (2) relatos publicados em livros, (3) relatos publicados em conferências de congressos, e (4) estudos que incluíram crianças com PC e crianças com outros diagnósticos.
Extração de informações
Os Artigos incluídos foram lidos por 3 revisores independentes (foram sorteados entre 5 possíveis revisores para cada artigo), com experiência em fisioterapia pediátrica, fisiologia do exercício ou reabilitação. Todos os revisores registraram detalhes do desenho do estudo, participantes, intervenções, medidas de desfecho, resultados e conclusões. Quaisquer desacordos ou discrepâncias foram resolvidos por meio de discussão entre os revisores até um consenso ser alcançado e checagem do artigo original. Naqueles onde informações chave não foram relatadas, houve um esforço em contatar os autores para obter os detalhes.
O treino de fortalecimento dos membros inferiores foi definido como a prescrição de exercícios para os membros inferiores com o objetivo de ganho de força e resistência muscular, os quais são tipicamente efetuados por contrações musculares repetidas contra resistência, a qual pode ser o próprio peso do corpo, faixas elásticas, pesos, equipamentos de musculação ou equipamentos isocinéticos. O treinamento aeróbico foi definido como aquele com o objetivo de e melhorar o componente cardio-respiratório do condicionamento físico os quais são tipicamente realizados por longos períodos de tempo. O treinamento anaeróbico refere-se a exercícios que exijam grande gasto de energia por um curto período de tempo.

AVALIAÇÃO DA QUALIDADE
Os artigos obtidos foram avaliados pelos mesmos 3 revisores que realizaram o registros das informações específicas de cada trabalho. Os estudos empíricos que preenchiam os critérios de inclusão foram avaliados de acordo com a escala PEDro de qualidade metodológica. Com a escala PEDro, os seguintes indicadores de rigor metodológico foram avaliados de forma independente pelos revisores como ausente (pontuação = zero) ou presente (pontuação = 1ponto): (1) Especificação do critério de eligibilidade, (2) alocação aleatória da amostra, (3) alocação dissimulada, (4) Prognósticos similares no início da pesquisa, (5) pacientes “cegos” (6) terapeutas “cegos”, (7) avaliador “cego”, (8) acompanhamento de mais de 85% para pelo menos um desfecho chave, (9) Análise estatística do tipo “intention-to-treat”, (10)Análise estatística entre os grupos de ao menos um desfecho chave, e (11) estimativa de variabilidade de ao menos um desfecho chave. Os pontos só foram considerados quando o critério avaliado foi claramente satisfeito e relatado no estudo.

Avaliação da Evidência
Ensaios Clínicos Randomizados e Controlados (do inglês Randomized Controled Trials – RCTs) são o melhor desenho de estudo para garantir que os desfechos observados sejam resultado do tratamento e não de outros fatores. Eles têm boa validade interna, assim, são o método ideal par determiner a eficácia de um tratamento. Porém, este tipo de estudo são geralmente difíceis de serem conduzidos. Como resultado, muitos estudos empregam desenhos de pesquisa menos controlados. A variedade de desenhos de pesquisa na literatura obriga a utilizar um método para ajudar a avaliar os diferentes métodos e atribuir um peso a seus achados. Para determinar o grau de confiança que pode ser atribuído às evidências disponíveis sobre determinada intervenção, foi utilizado um sistema de graduação desenvolvido pela American Academy for Cerebral Palsy and Developmental Medicine (AACPDM). Para os níveis de evidência, confira a Tabela 1

RESULTADOS:
Resultados da busca.
A busca inicial identificou 581 citações. Com base no título e nos resumos, excluímos 559 estudos, os quis não preenchiam os critérios de inclusão. Os 22 artigos restantes foram lidos na íntegra, sendo que 4 estudos foram excluídos pois a intervenção não preencheu os critérios de inclusão. Uma busca nas referências destes trabalhos nos levou a outros 2 artigos, os quais foram incluídos. Um total de 20 trabalhos restaram e foram incluídos na presente revisão sistemática. (FIG1): 11 estudos versam sobre fortalecimento, 5 sobre treinamento aeróbico, e 4 estudos sobre treinamentos mistos. Todas as informações foram obtidas diretamente dos artigos. Nenhum artigo sobre treino anaeróbico foi incluído, portanto, os estudos foram divididos em 3 categorias: treinamento de força de membros inferiores, treino aeróbico e treino misto.

DISCUSSÃO
Houveram apenas 5 RCTs que investigaram a eficácia de programas de exercícios para crianças com Paralisia Cerebral, e muitos deste estudos tiveram um controle ruim. Esta revisão sistemática oferece uma visão geral das características das intervenções e das medidas de desfecho utuilizadas nos programas de exercícios para crianças com paralisia cerebral.
Características Ida Intervenção
Os programas investigados variaram em relação ao desenho, população e avaliação, incluindo intervenções em laboratórios, na comunidade e programas domiciliares e escolares. Os supervisores dos exercícios foram fisioterapeutas ou os próprios pais.
Além disso, existe pouca evidência para identificar a freqüência, intensidade, local, supervisão e duração da atividade ideal para o programa de exercícios. Com base no treinamento de força, pode ser sugerido que um programa de no mínimo 6 semanas, com uma freqüência de 3vezes na semana pode ser o suficiente para melhorar a performance muscular dos membros inferiores.
Para melhorar a capacidade aeróbica, sessões de treinamento que variem de 2 a 4 vezes por semana por pelo menos 6 semanas pode ser adequado. O treino misto, que demonstrou aumento significativo na força muscular e no comprimento do passo variou de 4 semanas a 6 meses.
Nenhum estudo comparou a resposta ao treinamento em diferentes faixas etárias. Nos trabalhos revistos, não houve indicação de que crianças com menos de 12 anos reagissem de forma diferente aos programas de exercício comparado a crianças mais velhas. De forma geral, a capacidade aeróbica e a força muscular parecem ser treináveis em crianças de todas as idades
Nenhum dos programas de treinamento foi focado na capacidade anaeróbica. Isto é surpreendente, considerando que a maior parte das atividades diárias em crianças são de curta duração e de alta intensidade. Por este fato, o capacidade anaeróbica poderia ser uma importante medida de capacidade funcional. Em crianças com disfunção neuromotora, a força anaeróbica (anaerobic Power) é considerada uma medida de capacidade funcional mais adequada do que a força aeróbica máxima (maximal aerobic Power)
A capacidade de crianças com PC manterem os ganhos obtidos com estes programas permanece obscura pois poucos estudos incluíram um período de acompanhamento destas crianças. Com base nos achados limitados, pode-se sugerir que os benefícios obtidos com o treino de fortalecimento e treinamento misto se mantiveram ao longo do acompanhamento. No entanto, a capacidade aeróbica se reduz bastante neste acompanhamento.

CONCLUSÃO.
Em geral, a qualidade metodológica e o nível de evidência nos estudos incluídos foram baixos. Apenas 5 RCTs foram incluídos. No entanto, a partir de uma avaliação crítica da informação atualmente disponível, parece que crianças com PC podem se beneficiar de programas de exercícios focados no fortalecimento das extremidades inferiores, condicionamento cardiovascular ou em uma combinação destes. As medidas de desfecho utilizadas não eram específicas para a intervenção, e geralmente focadas na função corporal e nível de atividade da CIF. Assim, apesar dos programas aumentarem a força muscular e capacidade aeróbica , há a necessidade de mais evidências para se determinar até onsde este treinamento é capaz de se traduzir em ganhos substanciais e prolongados nas atividades de vida diária, no nível de participação, competências e qualidade de vida destas crianças.

Fonte: http://fisioterapiahumberto.blogspot.com/2009/05/programas-de-exercicios-para-criancas.html

DIFERENÇAS ANATÔMICAS ENTRE O SISTEMA RESPIRATÓRIO DO ADULTO E DA CRIANÇA




Hoje publico um resumo rápido sobre as diferenças anatômicas entre as vias aéreas da criança e o adulto. Resolvi abordar diferenças que costumam não ser valorizadas. Geralmente se dá mais atenção ao formato do gradil costal e ao fato do diafragma tender a ser mais horizontal, por isso resolvi falar somente das vias aéreas. fico devendo outro post sobre o diafragma. De fato existem muitas diferenças anatômicas e fisiológicas entre neonatos, crianças e adultos. O conhecimento dessas diferenças é essencial para o fisioterapeuta que pretende se especializar em pediatria.

Cabeça e Vias Aéreas Superiores.




Comparada ao resto do corpo, a cabeça da criança é proporcionalmente maior do que a do adulto (Figura ao lado) O peso da cabeça pode causar uma flexão aguda da coluna cervical em crianças com baixo tônus, e esta flexão tende a obstruir a passagem de ar. Neste sentido, é interessante saber que a hiperextensão cervical facilita a passagem de ar. Por isso que bebês com esforço respiratório tendem a hiperextender a cervical e algumas vezes até o tronco. (fiquem alertas para não confundir isto com um opistótono!) Apesar da cabeça ser maior, a passagem nasal é proporcionalmente menor do que a de um adulto. Isto torna a entubação nasal em crianças mais difícil e arriscada.

A laringe encontra-se anatomicamente mais superior no pescoço do que nos anos seguintes, a glote localiza-se entre C3 e C4 e é mais afunilada do que a de um adulto. A epiglote infantil é mais longa, menos flexível e mais horizontal. Desta forma, durante a deglutição a laringe provê uma conecção direta com a nasofaringe. Isto cria duas passagens praticamente separadas, uma para a respiração e outra para alimentação, permitindo a criança que respire e alimente-se ao mesmo tempo. É importante enfatizar que a mucosa da via aérea superior da criança é fina e facilmente traumatizável. Aspirações freqüentes e contínuas podem causar edema e obstrução destas áreas. Além disto, a estimulação mecânica da laringe na criança pode resultar em estimulação vagal e bradicardia.





Vias Aéreas de Condução

As vias aéreas de condução são aquelas que contém epitélio ciliado. Estendendo-se da traquéia aos Bronquíolos respiratórios. O conhecimento da propriedades estruturais e funcionais da via aérea é de grande importância clínica pelo simples fato de que patologias da via aérea periférica representam uma fonte comum de problemas respiratórios na infância.

As vias aéreas de condução na criança são menores e mais estreitas do que as do adulto. A traquéia do recém-nascido tem aproximadamente 5 a 6 cm de comprimento e 4mm de diâmetro, enquanto em pretermos pequenos, ela pode medir apenas 2cm de comprimento e 2-3mm de diâmetro. As vias aéreas aumentam de largura e comprimento com a idade. No entanto, parece haver evidências de que as vias aéreas distais têm um ritmo de crescimento mais lento do que as durante os primeiros 5 anos de vida. Estas vias relativamente mais estreitas até a idade de 5 anos é presumivelmente responsável pela alta resistência periférica ao fluxo aéreo neste grupo. A lei de Poiseuille estabelece que a resistência ao fluxo de ar em um tubo é inversamente proporcional à quarta potência do raio (r) do tubo. Portanto, uma pequena redução no calibre da via aérea doa criança devido à inflamação ou edema pode levar à um aumento muito grande na resistência da via aérea periférica. Este fenômeno explica porquê infecções virais das vias aéreas inferiores (periféricas) representa uma grande ameaça à recém-nascidos e crianças pequenas.

O suporte cartilaginoso é essencial para a estabilidade das vias aéreas de condução, desde a traquéia até o nível dos bronquíolos segmentares. A fraqueza relativa da estabilidade cartilaginosa em crianças comparada à de adultos leva ao fenômeno de compressão dinâmica da trquéia em situações associadas à altos fluxos expiratórios e aumento da resistência à passagem de ar, tais como ocorrem na bronquilite, asma ou mesmo durante o choro. A árvore traqueobrônquica de um recém nascido é mais complascente, e até a idade de 5 anos, a estrutura bronquiolar tem poucas fibras elásticas. Portanto, a via aérea da criança é mais propensa ao colapso.

Parede torácica e musculatura
O gradil costal do recém nascido é composto principalmente por cartilagem e tem alta complascência. Durante períodos de esforço respiratório, a parede torácica da criança é facilmente tracionada para dentro. Esta retração da parede torácica pode ser observada acima do esterno (retração de fúrcula esternal), abaixo do esterno (retração sub ou infra esternal) e também entre as costelas (retração intercostal). Ao contrário do adulto, a musculatura torácica da criança é imaturae não garantem um bom suporte estrutural e nem ventilatório. Além disto, as costelas da criança são horizontalizadas. Desta foram, o diâmetro A-P do tórax modifica-se pouco durante a inspiração, isto sobrecarrega o diafragma, o qual move-se principalmente para cima e para baixo, sendo que este movimento tem pouco efeito no aumento das dimensões laterais do tórax. Além disto, vísceras abdominais proporcionalmente maiores limitam a excursão vertical.

FISIOLOGIA DO DESENVOLVIMENTO DO SISTEMA RESPIRATÓRIO

Ventilação alveolar.
Fisiologia do desenvolvimento
As vias aéreas de condução possuem epitélio ciliado em toda a sua extensão. Em última análise, estendem-se da traquéia ao bronquíolo respiratório. Análise das propriedades estruturais e funcionais da via aérea é de gtrande importância clínica pelo fato de que a afecção das vias aéreas periféricas representam uma causa comum de doenças respiratórias na infância. A formação das vias aéreas de condução acontece entre a 4a e a 16a semanas de gestação, durante o estágio pseudoglandular do desenvolvimento pulmonar. (Bucher U, Reid L. Development of the intra-segmental tree: the pattern of brnaching development of cartilage at various stages of intra-uterine life. Thorax 1961:16:207) O crescimento intra uterino das vias aéreas de condução pode ser inibido por uma hérnia diafragmática, lresultando em hipoplasia pulmonar e grande sofrimento respiratório ao recém-nato (Kitagawa M, et al. Lung Hypoplasia in congenital diaphragmatic hernia. A quantitatiuva study of airway, artery and alveolar development. Br J Surg 1971:58:342) . mesmo após a correção da hérnia diafragmática ao nascimento, o porgnóstico de sobrevivência permanece grave, pois o crescimento vias aéreas de condução já não ocorre após o nascimento, assim, a hipoplasia pulmonar permanece irreversível.

Com a idade, as vias aéreas aumentam seu comprimento e diâmetro. No entanto, o crescimento das vias aéreas distais é mais lento do que o das vias aéreeas proximais durante os primeiros 5 anos de vida (Hogg JC. Age as a factor in the distribution of lower-airway condutance and in the pathologic anatomy of obstructive lung disease. N Engl J Med 1970: 282:1283) Este estreitamento relativo das vias aéreas até a idade dos 5 anos, é possivelmente responsável pela alta resistência periférica nesta faixa etária. A resistência ao fluxo de ar é inversamente proporcional à quarta potência do raio de um tubo (Lei de Poiseuille): Portanto, uma pequena redução no calbre da via aérea da criança cusado, por exemplo por inflamação ou edema, pode levar à uma umnto significativo na resistência à passagem de ar. Este fenômeno explica porque infecções virais das vias aéreas inferiores é uma grande ameaça aos lactentes e crianças pequenas. (Hogg JC. Age as a factor in the distribution of lower-airway condutance and in the pathologic anatomy of obstructive lung disease. N Engl J Med 1970: 282:1283)

O suporte cartilaginoso é essencial para a estabilidade das vias aéreas de condução desdee a traquéia até o nível do bronquíolo segmentar. Após o nascimento, as cartilagens aumentam em número até os 2 meses de idadee então passam a cresscer em ralação à área total pelo restante da infância. A relativa fraqueza do suporte cartilaginoso em crianças, comparado com o de adultos pode levar à compressãoi dinâmica da traquéia em situações associadas a altos fluxos expiratórios e aumento da resistência aérea , como na bronquiolite, asma ou mesmo durante o choro. A pressão transmural da traquéia intratorácica diminui durante a expiração forçada e é a principal causa da compressão dinâmica (Wittenborg MH et al. Tracheal dynamics in infants with respiratory distress, stridor , and collapsing trachea. Radiology1967:88:653 )

Após o nascimento, ocorre um aumento dramático no número de alvéolos (Dunnil MS. Postanatal growth of the lung. Thorax 1962:17:329) dos 20 milhões de sacos alveolares presentes ao nascimento (20), para cerca de 300 milhões de alvéolos na idade de 8 anos (Dunnil MS. Postanatal growth of the lung. Thorax 1962:17:329).

Embora a multiplicação alveolar seja o mecanismo predominante de crescimento pulmonar, o aumento de tamanho dos alvéolos individuais é também um fator a ser levado em consideração. O diâmetro médio de um alvéolo é 150-180 m aos 2 meses de idade. Em adultos, o diâmetro aumenta para 250-300 m (Dunnil MS. Postanatal growth of the lung. Thorax 1962:17:329) O menor tamanho alveolar em crianças é responsável pela maior predisposição ao colapso alveolar de crianças.

Esta tremenda expansão no número e nas dimensões resulta em um consequente aumento da área de superfície alveolar durante a infância. Ao nascimento, a área de superfície alveolar é de 2.8 metros quadrados (Dunnil MS. Postanatal growth of the lung. Thorax 1962:17:329). Aos 8 anos de idade, a criança tem uma superfície alveolar de 32 metros quadrados, e no adulto esta superfície alcança os 75 metros quadrados (Dunnil MS. Postanatal growth of the lung. Thorax 1962:17:329). embora a área de superfície seja apenas um dos muitos fatores determinantes da capacidade de difusão de O2 é digno de nota que a capacidade de difusão da criança varia entre 1/3 a 1/2 do que a do adulto, mesmo quando esta proporção é normalizada em relação à superfície corpórea (14).

O pulmão adulto possui canais anatômicos que permitem a ventilação à áreas distais a um uma via aérea obstruída ou "ventilação colateral". Três estruturas forma descritas: (a) interalveolar (poros de Kohn), (b) bronquíolo-alveolar (cnais de Lambert) e (c) interbronquilar. Embora a presença de ventilação colateral em recém nascidos tenah sido defendida baseada em radiografias (15), Não foram identificadas estruturas responsáveis por ventilação colateral em estudos histológicos. Portanto, assume-se que a ventilação colateral não se desenvolve até o final da infância. Os poros de Kohn surgem em algum momento entre o pormeiro e o segundo ano de vida (16)O canais de Lambert surgem com cerca de 6 anos (17). Os canais interbronquiolares não foram encontrados em pulmões humanos normais; no entanto, eles podem se desenvolver na presença de doenças (16). Sem a ventilação colateral, presume-se que as crianças tenham mais risco de desenvolver atelectasias ou mudanças enfisematosas, e poretanto alterações na realção ventilação perfusão.

Durante o período de desenvolvimento das vias aéreas e dos alvéolos, o sistema respiratório infantil é deficiente em diversas formas; todavia, existe uma distinta vantagem no desenvolvimento alveolar contínuo. uma vez que um porcesso de doença resulta em destruição de uma porção do pulmão infantil, sua área de superfície irá se expandir com o tempo para a troca gasosa. Uma destruição pulmonar semelhante no adulto é improvável de conseguir levar ao crescimento compensatório como observado na infância.

Efeitos da pressão pleural sobre a distribuição de gases
Entre os fatores que governam a distribuição do gás inspirado, a variação na pressão pleural é de especial importânica. Durante a respiração espontânea, a maior parte do gás é direcinado para regiões dependentes dos pulmões. Embora o mecanismo exato ainda não esteja desvendado, assume-se que a força gravitacional gera áreas de pressão intrapleural (Ppl.) menores (mais negativas) nas bases do que nos ápices pulmonares. A Pressão alveolar P.alv permanece constante em todas as regiões do pulmão. Entretanto as pressões de distenção transpulmonares (Palv - Ppl) é reduzida em regiões dependentes. Uma Pressão de distenção transpulmonar reduzida implica em um volume pulmonar reduzido nestas regiões do pulmão. Se traçarmos um gráfico relacionando a pressão transpulmonar com o volume pulmonar veremos que estes alvéolos menores, localizados nas regões dependentes do pulmão, estarão em uma parte ingreme da curva. Assim, uma pequena mudança na pressão transpulmonar implica em grande mudança no volume alveolar (FIG abaixo). Consequentemente uma grande porção do volume corrente é direcionada para alvéolos em regiões dependentes durante a respiração, com a inspiração se iniciando ao nível da Capacidade Residual Funcional (CRF). Este direcionamento é positivo, uma vez que grande parte do fluxo sanguíneo pulmonar também é direcionado para regiões dependentes do pulmão, deixando assim, a relação entre a ventilação e a perfusão mais próxima.
Efeitos das mudanças na pressão pleural do ápice até a base do pulmão. A pressão pleural aumenta do ápice para a base. Com o aumento da pressão pleural, os alvéolos se tornam menores nas bases. Alvéolos menores estão localizados na parte mais ingreme da curva pressão-volume (complacência), e portanto uma dada variação na pressão transpulmonar produz um grande aumento de volume nos alvéolos menores.
Entretanto, é possível que os volumes pulmonares estejam tão reduzidos abaixo da CRF que pequenos alvéolos e vias aéreas localizados em regiões dependentes do pulmão estejam "fechados". O volume pulmonar em que este fenômeno acontece é denominado "capacidade de fechamento". A relação entre a CRF e a capacidade de fechamento determinam, em grande extensão, a relação ventilação X perfusão e, portanto, a PaO2 (CRAIG DB et al. Closing volume and its relationship to ga exchange in seated and supine positions. J Appl Physiol 1971:31:717) Este fato é extremamente relevante para aprática clínica, uma vez que muitas das doenças respiratórias pediátricas podem ser vistas como alterações da CRF, da Capacidade de Fechamento, ou de ambos.

Resistência Elástica Progressiva - Thera Band

COMO MENSURAR A RESISTÊNCIA OFERECIDA A UM PACIENTE UTILIZANDO THERA BAND

A resistência elástica progressiva (REP), vulgarmente conhecida como thera-band (na verdade, thera-band é o nome de um fabricante de REP) é, na minha opinião, um dos equipamentos mais versáteis com que o fisioterapeuta pode contar. Ora, todo mundo sabe que as cores das faixas elásticas determinam a resistência que o paciente precisa superar para realizar o exercício, E que é possível fazer exercícios de resistência para membros superiores, membros inferiores e abdominais.
No entanto, pouca gente sabe que é possível mensurar a resistência oferecida ao paciente, sendo que esta mensuração vai muito além do que apenas anotar a cor da faixa elástica que está sendo usada. As faixas elásticas garantem uma resistência linear que é quantificável, reprodutível e facilmente aplicável na prática clínica. A figura baixo é uma tabela que acompanha cada faixa elástica da marca thera band (não ganho jabá da thera band, estou usando-a como exemplo simplesmente por ser a única marca que oferece este tipo de informação). Muita gente não sabe pra que serve esta tabela e acaba jogando fora, e muitas vezes nem sequer percebe a existência desta tabela.

Tudo bem, sei também que muita gente não suporta tabelas e nem gráficos, e que você provavelmente pulou a tabela sem nem sequer se dar ao trabalho de olhá-la com calma. Por isso vou direto ao ponto: A primeira coluna indica o percentual de deformação da faixa elástica, e a primeira linha indica a cor da faixa elástica, e as colunas com números no meio da tabela indicam a resistência em Kilogramas
Assim, quando um paciente faz um exercício no qual o thera band vermelho é deformado em 100% do seu comprimento inicial (ou seja, dobra de tamanho ao final do exercício), equivale dizer que este paciente estará se exercitando com uma resistência de 1,8 Kg.
Outro exemplo: Vamos supor que você queira trabalhar extensão de braço contra uma resistência de 6,0 kg. Como faríamos? Se você não conhece as propriedades da REP, uma alternativa seria deitar o paciente em prono e mandar ele elevar o braço com um halter de 6,0 kg na mão - isso é meio tosco né?- . Mas agora, após ler estas mal escritas linhas, você pensaria melhor e consultando a tabela acima certamente optaria por um thera-band prata (silver) em um exercício como o da figura abaixo, utilizando uma deformação de 100% da faixa elástica. ( na figura abaixo, 1X é um comprimento inicial qualquer e 2X representa o comprimento final que é o dobro do inicial - portanto uma deformação de 100%)

Grande coisa, e pra que isso serve? dirão alguns colegas ímpios. Bem, inicialmente para você poder registrar em prontuário a evolução de seu paciente, e, para quem gosta, como método de mensuração para um artigo científico ou traablho de cmpo de conclusão de curso.
Para quem quiser saber mais, acesse o site da thera band academy , fazendo um cadastro gratuito, você terá acesso a alguns artigos e à vários protocolos e sugestões de exercícios com bolas, resistências elásticas y otras cositas más.

Fonte: http://fisioterapiahumberto.blogspot.com/2008/12/resistencia-elastica-progressiva-thera.html

Radiografia pediatrica - O que observar em um Raio-X em AP

Olá, após um breve recesso natalino estou de volta!. No post de hoje, vou deixar algumas dicas sobre o que observar em uma radiografia frontal (AP) de crianças. Tentarei descrever as principais estruturas a serem identificadas em uma radiografia de um paciente pediátrico normal. Estou usando como base 3 bibliografias:
O livro Felson - Princípios de Radiologia do Tórax; excelente livro (tem um link para o download de um CD Rom em inglês do mesmo autor) e os artigos : Reuter-Rice K. Approach to Interpreting a Pediatric Chest Radiograph. Advanced Emergency Nursing Journal 2006 Vol. 28, No. 3, pp. 175–187. e Arthur R Interpretation of the paediatric chest X-ray. paediatric respiratory reviews (2000) 1, 41–50. Os artigos estão disponíveis para download, basta clicar nos links acima.

A interpretação de radiografia de tórax em pediatria pode parecer intimidadora à primeira vista, no entanto algumas regras básicas e o conhecimento de como a idade influencia a aparência da radiografia ajudam bastante na interpretação da imagem. Minha primeira dica é antes de começar a procurar por atelectasias, derrames pleurais ou quaisquer outras anormalidades, verificar se a radiografia está rodada ou não. Você sabia que rotações são alterações bastante comuns em radiografias? Pois é, mas a boa notícia é que elas podem ser facilmente identificadas avaliando-se as seguintes estruturas:
(1) Posição da traquéia – A traquéia deve ser visualizada na linha média, mais exatamente no 1/3 superior do tórax.
(2) Curvatura da coluna – A coluna deve apresentar-se como uma linha reta e os corpos vertebrais devem ser visíveis com poucos detalhes. Caso as vértebras sejam bem visualizadas, trata-se de um R-X penetrado.
(3) Tamanho e simetria das clavículas e costelas – As clavículas devem estar simétricas e eqüidistantes da traquéia. Os arcos costais devem ser visualizados de forma simétrica e devem ter aproximadamente o mesmo comprimento.
Na prática, dificilmente você encontrará uma radiografia perfeita, sem nenhum sinal de rotação (principalmente em se tratando de crianças). O lance é avaliar o grau de rotação e decidir se você pode ou não confiar nos achados da imagem

.

Na imagem acima, as setas indicam a traquéia centralizada (o discreto desvio para direita pode ser considerado normal), observe as clavículas e as costelas simétricas e a coluna vertebral sem inclinação significativa.

Anatomia na interpretação de R-X pediátrico
Crianças com mais de 6 anos de idade possuem estruturas internas similares à de adultos. O ponto onde a traquéia bifurca-se em brônquios fonte esquerdo e direito chama-se Carina, e o hilo esquerdo é normalmente mais alto do que o direito devido ao coração. O posicionamento cardíaco normal é aproximadamente 2/3 para a esquerda da linha média do tórax e o 1/3 restante para a direita. Em crianças, o hemidiafragma direito é normalmente mais alto do que o esquerdo 9algusn citam 2cm de diferença) isto ocorre devido ao fígado, o qual é proporcionalmente maior do que o do adulto. Abaixo, um desenho esquemático das estruturas observáveis em um Raio-X AP de um adulto. Algumas diferenças devem ser notadas: (1) as costelas e os hemidiafragmas tendem a ser mais horizontalizados (2) presença do timo (3) formato triangular do tórax infantil.



(1) Traquéia, (2) Brônquio Fonte Direito (3) Brônquio Fonte Esquerdo, (4)Arco Aórtico, (5) Veia Ázigos (6)Artéria interlobar Direita (7) Artéria Pulmonar Esquerda (8) Artéria Pulmonar do lobo superior Direito (9)Veia Pulmonar Inferior Direita, (10) Átrio Direito, e (11) Ventrículo Esquerdo.


Uma estrutura importante que é observada em crianças e pode vir a gerar uma interpretação errada da imagem é o timo. A sombra do timo, observada no terço superior do mediastino é mais freqüente do nascimento à idade dos 2 anos, e pode ser reconhecido por sua característica de “vela” (parece a vela de um barco à vela, nada de vela de macumba hein!). O timo possui lobos direito e esquerdo, os quais podem se sobrepor à silhueta cardíaca.
O Timo gradualmente regride e torna-se menos evidente entre as idades de 2-8 anos após a qual não pode mais ser visualizado no R-X frontal. Em algumas situações o timo normal pode se apresentar bastante largo, e deve ser diferenciado de uma massa mediastinal ou condensação pulmonar como na figura abaixo.



Radiografia normal de um neonato. Observar que o timo se sobrepõe à silhueta cardíaca.


As mudanças graduais na aparência normal de um raio-x de tórax da infância à idade adulta devem ser apreciadas. Em um bebê, a configuração do gradil costal é mais triangular. Os pulmões são mais hipertransparentes do que em crianças maiores e broncogramas podem ser visualizados no terço médio dos pulmões.
Em um pulmão com insuflação adequada, em bebês deve-se visualizar até o 5o arco costal anterior. Em crianças maiores os hemidiafragmas localizam-se ao nível do 9o ou 10o Arcos costais porsteriormente. Caso os hemidiagfragmas estejam no 7o arco ou superior, a radiografia é considerada expiratória.

Mais uma vez o post ficou kilométrico, mas espero que as informações tenham sido úteis.

Fonte: http://fisioterapiahumberto.blogspot.com/2008/12/radiografia-pediatrica-o-que-observar.html

Bandagem para Esporão de Calcâneo e Fascite Plantar

A dor no calcanhar é uma queixa relativamente comum na população geral, e mais comum ainda nos consultórios de fisioterapia. A fascite plantar é uma síndrome degenerativa da fáscia plantar geralmente resultante de microtraumatismos de repetição na sua inserção.
A etiologia aparentemente é multifatorial, sendo o componente mecânico frequentemente relacionado à origem dos sintomas. Acredita-se que as forças de tração durante a fase de apoio na marcha levam ao processo inflamatório, conseqüente periostite de baixo grau resultando em calcificação periosteal ou a formação do esporão. No entanto, a fascite plantar pode também estar associada a doenças sistêmicas, principalmente as de origem inflamatória.
O pé plano valgo pode favorecer o aparecimento da fasciíte plantar, pois aumenta a solicitação mecânica nessa estrutura. Porém, o pé cavo aumenta a pressão na tuberosidade inferior do calcâneo, podendo também favorecer esta ocorrência.

Aproximadamente 50% dos paciente com diagnóstico de fasciíte plantar tem também esporão de calcâneo.
[DeMaio M, Paine R, Mangaine RE, Drez D Jr. Plantar fasciitis. Orthopedics 1993;16:1153-1163]
pé varo
O termo bandagem funcional refere-se à aplicação de algum tipo de fita protetora que adere à pele de determinada articulação. A bandagem quando aplicada corretamente, proporciona proteção e compressão. Neste post, irei ensinar a fazer uma bandagem extremamente simples que ajuda e muito no alívio dos sintomas causados por uma fascite plantar/esporão de calcâneo.
O que vamos precisar:
#1- Um rolo de esparadrapo impermeável Cremer (não ganho jabá da cremer, acontece que as outras marcas tem uma cola muito da vagabunda) pode ser branco ou cor de pele, tanto faz.
#2- Um rolo de esparadrapo antialérgico da mesma marca.
#3- Em alguns casos um barbeador pode ser útil.
OBS: quem tiver rolo de tape gringo específico para bandagem funcional pode usar também ;P

Muito bem, antes de iniciar a bandagem sugiro avaliar alguns movimentos do paciente que reproduzam a queixa ou que causem dores no tornozelo. Desta forma você terá um parâmetro de comparação antes/depois da bandagem e assim saber se o procedimento foi bem sucedido. Eu aconselho alguns movimentos bem simpes como andar na ponta dos dedos ou sobre os calcanhares e em casos um pouco mais leves saltar e aterrisar sobre os calcanhares (somente nos casos leves onde é difícil reproduzir a dor do paciente!!!!!!!!!)

Importante:
Esta bandagem é um recurso para alívio da dor, e deve ser sempre utilizada em conjunto com o atendimento de fisioterapia e nunca em substituição a este!

INDICAÇÕES DA BANDAGEM:
=> Dor no aspecto medial ou lateral do tendão de Aquiles, dor na planta do pé. Principalmente em casos de dor mais intensa quando a aplicação do método Mulligan tenha gerado alívio dos sintomas

FUNÇÃO
=> Pacientes com é varo ou valgo causam um desvio no tendão de aquiles, fazendo com que ele tenha um aspecto encurvado, e portanto, mais vulnerável à lesões.
A bandagem reduz a sobrecarga mecânica sobre o aspecto medial ou lateral do tendão (depende se o pé é varo ou valgo), alterando a transmissão das forças de tensão sobre o tendão.

POSIÇÃO DO PACIENTE
=> em prono, com os pés relaxados para fora da maca.

APLICAÇÃO (como exemplo usaremos um paciente com pé varo)
1-Aplique o esparadrapo antialérgico (uma tira de mais ou menos 3 dedos de largura e 15 cm de comprimento) no aspecto lateral do tendão e tracione-o medialmente.
2-Ajude com seu dedo, desviando ainda mais o tendão medialmente de forma a tentar posicioná-lo em uma posição neutra, corrigindo a convexidade.
3-Após aplicar esta primeira tira, aplique sobre ela uma segunda tira agora utilizando o espoaradrapo impermeável, repetindo o mesmo porcedimento do item "2".

CHEQUE A FUNÇÃO
Lembra daqueles testes que eu pedi pra você fazer com seu paciente? Pois bem, hora de repetí-los. Se a bandagem foi aplicada corretamente o paciente deverá sentir alívio dos sintomas, algumas vezes alívio total, mas fique contente com uma melhora de 50%.

CONTRA INDICAÇÕES
Se o esparadrapo aumentar a dor retire-o imediatamente.
O esparadrapo deve ser retirado em 48hs (normalmente ele sai antes disso) ou a qualquer sinal de irritação da pele (alergia)

DICA
Por ser um procedimento extremamente fácil, é útil treinar alguém da família do paciente para que seja feita bandagem em sua própria casa.

Fonte: http://fisioterapiahumberto.blogspot.com/2008/12/bandagem-para-esporo-de-calcaneo-e.html

Prova comentada do Concurso da Secretaria Estadual de Saúde e Defesa Civil

Essa é a primeira vez que eu comento uma prova de concurso. Os comentários foram feitos com base em pesquisa em livros e internet, deixo sempre que possível alguns links sobre o assunto. Espero que este post seja útil, e ajude você a conseguir uma vaga. Qualquer dúvida, crítica ou sugestão deixem registrado como comentário para que eu possa aperfeiçoar esta postagem. Irei comentar somente a parte de conhecimentos específicos, e as respostas obedecem ao gabarito oficial.

21: As metas de tratamento do paciente com lesão cerebelar são:
A) Ganho de arco de movimento, abolimento de algias, e normalização da sensibilidade.
B)Estabilização postural, ganho de força muscular e abolimento de algias
C)Precisão do movimento, ganho do arco de movimento e estabilidade postural
D)Ganho do arco de movimento, ganho de força muscular e precisão do movimento
E) estabilidade postural, transferência postural e precisão do movimento

Pergunta sobre conhecimentos da fisiologia e fisiopatologia do cerebelo. O cerebelo é uma estrutura classicamente relacionada com a coordenação motora, portanto não participa da interpretação tátil, tampouco seus sintomas evoluem para condições álgicas ou de limitações do arco de movimento. Portanto, as alternativas A, B C e D estão erradas.
Lesões cerebelares cursam com: ataxia (falta de coordenação, caracterizada por distasia, disbasia, disdiadococinesia, disartria, dismetria) tremor de intenção, astenia, hipotonia e nistagmo.
Funções relacionadas à coordenação motora são afetadas nas lesões cerebelares. Assim, estaria correto dizer que as metas de tratamento são: estabilidade postural, transferência postural (envolve coordenação e equilíbrio) e precisão de movimento.
Gabarito: Alternativa E

link1- O cerebelo e cognição /link2- informações gerais sobre o cerebelo


22: A cognição é um item importante em alguns métodos de tratamento fisioterápico Para avaliá-la, utiliza-se a avaliação da função mental. Fazem parte desta avaliação:
A)Memória declarativa, denominação e acuidade visual
B)Memória declarativa, reflexos profundos e estereognosia
C)Orientação, cálculos e memória declarativa
D)Nível de consciência, balismo e identificação visual
E) Compreensão, memória declarativa e tiques

Para responder esta questão, inicialmente é preciso entender que as alterações sensoriais (tato, paladar, visão, audição, olfação, propriocepção e cinestesia) embora contribuam para alterações cognitivas, NÃO fazem parte da sua avaliação específica. Do mesmo modo alterações motoras como balismo, tiques, alterações dos reflexoas profundos ou do nível de consciência não são parte da avaliação cognitiva. Assim, as alternativas A, B, D e E estão erradas. Para responder esta questão me baseariam no Exame Minimental, que avalia a função cognitiva. Trata-se de um teste dividido em orientação (espacial e temporal), retenção (também interpretável como memória), atenção e cálculo, retenção (memória declarativa), linguagem (denominação)e habilidade construtiva. Veja os links abaixo para saber mais.
Gabarito: Alternativa C
Algumas considerações sobre cognição, mini mental, e avaliação por meio do mini mental


23: A reeducação do tronco é um item importante para a reabilitação do paciente hemiplégico. São movimentos básicos do tronco seqüenciais a serem utilizados no rolamento:
A)Iniciação com flexão lateral assimétrica/ Iniciação com rotação da parte superior do corpo para o lado sadio
B)Iniciação com flexão/ rotação da parte superior do corpo, Iniciação com extensão/ rotação da parte inferior do tronco e iniciação com flexão lateral simétrica
C)Iniciação com extensão/ rotação da parte superior do tronco/ iniciação com flexão/ rotação da parte superior do tronco e iniciação com flexão lateral assimétrica
D) Iniciação com rotação da parte superior do tronco para o lado sadio/ Iniciação com flexão lateral simétrica
E) Iniciação com rotação da parte inferior do corpo para o lado sadio/ iniciação com extensão lateral assimétrica.

Essa questão é meio complicada. baseio minha resposta no livro "exatamente no centro" da Patrícia Davies. Basicamente o paciente hemiplégico deve rolar utilizando flexão de tronco (padrão mais fisiológico) e dissociação de cinturas, em um moviemento simétrico (organizado) iniciando-se pela cintura escapular.
Assim, as alternativas B, C e E estariam erradas por conterem um componente extensor, e a questão A por conter assimetria. Gabarito Oficial: Letra B. Mas na minha opinião, a resposta correta é D

24: É de fundamental importância para a neuroplasticidade:
A)Adrenalina
B)Células de Betz
C)Líquido cefaloraquidiano
D)Células amácrinas
E)Células neurogliais


A idéia básica da neuroplasticidade envolve o entendimento de como se comporta o SNC após uma lesão. Os processos podem ser resumidos em duas situações: (1) em primeiro lugar, neurônios íntegros buscam caminhos alternativos para efetuar a resposta motora, realizando sinapse com neurônios que se modificam em relação a sua efetividade. (2) Em segundo lugar, frente a determinada lesão, circuitos e trajetos nervosos diferenciados são procurados.
Logo: A adrenalina, embora também atue como neurotransmissor, não tem papel fundamental na neuroplasticidade. As céls de Betz, embora façam parte da estrutura celular do cérebro, também não são fundaentais neste processo pois estão localizadas apenas no córtex motor primário. O Líquido Cefaloraquidiano dispensa comentários neste sentido. Quanto às células amácrinas... bem, não tenho idéia do que elas fazem. Se fossem importantes para a neuroplasticidade seriam mais conhecidas e comentadas nos cursos de fisioterapia neurológica. Finalmente a neuroglia são células não neuronais proporcionam suporte e nutrição aos neurônios As células de glia têm a importante função de produzir moléculas que modificam o crescimento de dendritos e axônios, portanto:

Gabarito: Alternativa E
Para saber mais: Neuroplasticidade, neuroplasticidade e reabilitação

25)Correlacione as patologias listadas na coluna da esquerda com seus respectivos padrões de marcha, apresentado

1)Doença de Little
2)AVC
3)Polineuropatias
4)Miopatias
5)Doença de parkinson.

s na coluna da direita. QUESTÃO ANULADA

( ) escarvante
( ) festinada
( ) ceifante
( ) tesoura
( ) anserina








A) 5,1,2,4,3
B) 3,4,5,1,2
C) 2,4,5,3,1
D) 4,3,1,5,2
E) 1,2,3,5,4


Mesmo anulada vamos lá: Doença de Little é um termo pouco usado no Brasil para descrever a paralisia cerebral do tipo diplegia espástica. Portanto, tipo de marcha = tesoura
AVC (deixando como sequela hemiparesia) = ceifante
Polineuropatias. As polineuropatias são um grupo extenso de doenças neuromusculares, e não há padrão típico de disfunção da marcha, mas neste caso eu chutaria escarvante ou anserina (dependeria do meu humor no momento da prova)
Miopatias. Idem explicação e resposta das polineuropatias
Doença de Parkinson = festinada
Para saber mais segue um link com vídeos sobre alterações da marcha
26) Saõ sintomas de lesão cerebelar:
A)Dissinergia,vertigem e miose
B)Disdiadococinesia,atrofia muscular e anosmia
C)Dismetria, dissinergia e disdiadococinesia
D)Parestesia, miose e dissinergia
E)Dismetria, Disdiadococinesia e oscilopsia

R: A explicação é a mesma da questão 21
Gabarito C
27: A manobra de Dix Hallpike é empregada para testar:
A)Rigidez
B)Doença de Huntington
C)VPPB (Vertigem Posicional Paroxística Benigna)
D)Ataxia
E)Apoplexia
Esta questão avalia se o candidato tem noções de reabilitação vestibular. Pois a manobra Dix Hallpike é específica para VPPB.
Gabarito: Letra C
para saber mais: link1, ou assista a manobra no Youtube

28:Fáscies típico "em machadinha"é característico da distrofia:
A) Miotônica de Steinert
B)Duchenne
C)Fascioescapuloumeral
D)oculofaringea do idoso
E)cinturas
Segundo a banca o gabarito é letra A , se alguém souber o que ou como é uma fáscies em machadinha por favor deixe um comentário. Se serve de consolo, deixo um link para um texto interessante sobre distrofias


29: Em relação à Esclerose Múltipla, é correto afirmar que:
A)Os pacientes apresentam movimentos voluntários incoordenados, hipotonia e neuropraxia.
B)Os pacientes têm o controle dos esfíncteres, tanto parea micção como na evacuação intestinal
C)Os pacientes não apresentam sensibilidade ao calor
D)A espasticidade ocorre principalmente nos pacientes com lesão medular.
E)Trata-se de um processo degenerativo, geneticamente determinado, e afeta homens com maior frequência.


Por ser uma doença desmielinizante so SNC, os sintomas motores são semelhantes aos de lesão do primeiro neurônio: espasticidade, hipereflexia e sinal de babinski. Assim, exclui-se hipotonia e neuropraxia (que é uma lesão de segundo neurônio).
Uma vez que a esclerose múltipla pode afetar qualquer área do SNC, seus sintomas iniciais motores e sensitivos são variáveis, assim as alternativas Be C são generalizações que não caracterizam uma constante da doença. Assim, é possível que um determinado paciente tenha a sensibilidade térmica afetada, mas definitivamente isso não é uma característica da patologia.
A etiologia da Esclerose múltipla ainda é desconhecida. Logo a alternativa E está errada
Quanto à espasticidade ocorrer principalmente nos pacientes com lesão medular, esta é uma afirmação lógica, uma vez que lesões encefálicas devido a esclerose múltipla podem afetar além de áreas potencialmente geradoras de espasticidade, também áreas sensitivas, do sistema límbico ou nervo óptico, enquanto lesões medulares podem lesar apenas vias aferentes ou eferentes assim, a grosso modo 50% de chance de gerara sintomas motores.
Gabarito: Alternativa D Para saber maisl link1 , link2
30:A síndrome talâmica é caracterizada por:
A) Hemianopsia homônima, afasia e hemiplegia contralateral
B) Hemiparesia flácida, perda hemissensorial contralateral e dor intensa
C)Hemiparesia flácida, hemiplegia contralateral e alteração da personalidade
D)Dor intensa, perda de sensibilidade e alteração da personalidade
E)hemianopsia homônima, dor intensa e perda hemissensoria
A síndrome talâmica, também conhecida como síndrome Déjerine-Roussy, caracterizada por pertubações da interpretação sensitiva a nível cortical ou hemiparesia transitória, a qual está associada hipérestesia e dor intensa. As sensações e sentimentos tanto agradáveis quanto desagradáveis são exagerados. Todas as mensagens sensoriais, com exceção das provenientes dos receptores do olfato, passam pelo tálamo antes de atingir o córtex cerebral. O tálamo também está relacionado com alterações no comportamento emocional; devido a suas conexões com estruturas do sistema límbico.
Segundo o livro: Diagnóstico topográfico em neurologia (Peter Duus, editora cultura médica), a síndrome talâmica caracteriza-se por: hipoestesia contralateral (em alguns casos dor), distúrbio da afetividade, hemiparesia contralateral.
hemianopsia refere-se à perda de campo visual, portanto as alternativas A e E estãoe erradas.
Como as outras alternativas não especificam o dimídio afetado, a mais correta é a B, embora eu ache estas respostas muito mal formuladas,ma válá
.
Gabarito: Alternativa B Para saber mais sobre o tálamo acesse este link


31. A inclinação da curva pressão-volume, ou a alteração de volume por unidade de alteração de pressão é conhecido como:
A) Difusão
B) Resistência
C) Complacência
D) Elastância
E) Ventilação
A complacência é a distensibilidade dos pulmões, da parede torácica e do sistema respiratório. Descreve a relação entre um dado volume e um gradiente de pressão necessário para produzir essa mudança de volume, sendo calculada usando a seguinte equação: Complacência = Variação do Volume/ Variação da Pressão, sendo expressa em cm de H2O.
Gabarito: Alternativa C
Para saber mais sobre cálculo da resistência, ventilação e elastância, sugiro a leitura dos links abaixo.
Link1: Princípios fisiológicos da assistência ventilatória mecânica do recém-nascido
Link2: Dúvidas freqüentes no módulo Sistema RespiratórioLink Principais fórmulas para avaliação de pacientes na UTI
Link3: Principais fórmulas para avaliação de pacientes na UTI



32. Pacientes com lesão da medula espinal variam quanto à função respiratória, em decorrência do grau de déficit neurológico. Para pacientes com déficit significativo, a reabilitação respiratória é um determinante importante na obtenção do seu nível funcional máximo. Nesses pacientes, a diminuição da ventilação ocorre como resultado da “diminuição da força”, “diminuição da mobilidade torácica”, e “higiene brônquica inadequada”, por comprometimento do diafragma e músculos acessórios. Em relação ao diafragma, sabe-se que é um músculo em forma de abóbada, que se origina na face dorsal do processo xifóide, últimas seis costelas e corpos e processos transversos das vértebras lombares superiores, sendo inervado pelas raízes nervosas de:
A) C1 a C3
B) C2 a C6
C) C2 a C5
D) C3 a C6
E) C3 a C5
De C3, C4 e C5 originam-se ramos que se unem para formar o frênico, que inerva o diafragma. O ramo de C5 é uma contribuição acessória, pois este nervo pertence ao plexo braquial.
Gabarito: Alternativa E
Link1: anatomia do plexo cervical
Link2: outro texto sobre anatomia do plexo cervical


33. Observe a figura abaixo.A figura mostra o registro do espirômetro obtido quando um indivíduo inspira maximamente, e a seguir exala tão forte e completamente quanto ele seja capaz de fazê-lo.De acordo com os dados apresentados, correlacione os parâmetros espirométricos listados na coluna da esquerda com seus respectivos significados e/ou diagnósticos funcionais, apresentados na coluna da direita.
1-Volume expiratório forçado (VEF1.0)
2-Capacidade vital forçada (CVF)
3-Volume expiratório forçado (VEF1.0) e Capacidade vital forçada (CVF) reduzidos
4-Volume expiratório forçado (VEF1.0) muito mais reduzido do que a Capacidade vital forçada (CVF), causando um baixo VEF1.0/CVF%.

( ) Doenças obstrutivas
( ) Doenças restritivas
( )Volume exalado no primeiro segundo
( ) Volume total exalado na expiração

A seqüência correta é:
A)3-4-2-1
B)4-3-2-1
C)3-4-1-2
D)4-3-1-2
E) 1-2-4-3

Essa é basicamente uma questão de decoreba. A figura apresentada foi retirada do livro Fisiologia Respiratória Moderna , autor: John B West, capítulo 10 – Testes de Função Pulmonar. Segue abaixo um trecho deste capítulo:
O volume exalado no primeiro segundo é chamado volume expiratório forçado ou VEF1.0, e o volume total exalado é a Capacidade Vital Forçada ou CVF. Normalmente a VEF1.0 corresponde a cerca de 80% da CVF. Na doença, dois padrões gerais podem ser identificados. Em doenças restritivas, tanto o VEF1.0 quanto a CVF estão reduzidos, mas caracteristicamente a relação VEF1.0 / CVF % está normal ou aumentada. Em doenças obstrutivas, o VEF1.0 está muito mais reduzido do que a CVF , dando uma baixa relação VEF1.0 / CVF %.
Assim, agora a correlação ficou fácil né?
Gabarito: Alternativa D
Na coluna ao lado, tem um link para download deste livro em espanhol.



34. Leia o texto abaixo.Os alvéolos consistem em pequenas evaginações dos bronquíolos respiratórios, ductos e sacos alveolares. Como alvéolos adjacentes dividem uma parede comum, seus formatos e suas dimensões variam de acordo com o arranjo dos alvéolos adjacentes e o volume do pulmão. O fenômeno no qual um aumento de volume em um alvéolo tende a aumentar o volume nos alvéolos adjacentes, é chamado ____________. Um mecanoismo semelhante aumenta o diâmetro do lúmen das vias aéreas distais que estão cercadas e limitadas pelos alvéolos. Além disso, os alvéolos adjacentes comunicam-se entre si através dos canais chamados __________ e com bronquíolos entre si através dos_____________
A seqüência correta que complementa corretamente as lacunas é:
A) Interdependência – canais de Lambert – poros de Kohn
B) transdução - canais de Lambert – poros de Kohn
C) Interdependência – poros de Kohn – canais de Lambert
D) translocação – canais de Lambert – poros de Kohn
E) translocação – poros de Kohn – canais de Lambert


O enunciado desta questão induz ao erro ao relatar que “os alvéolos adjacentes comunicam-se entre si através dos canais” na verdade, comunicam-se por poros.
Vamos começar cm algumas considerações sobre a interdependência alveolar. A interdependência é um mecanismo que contribui para a estabilidade dos alvéolos. Todos os alvéolos, exceto aqueles localizados na periferia pulmonar adjacentes à pleura, são rodeados por outros alvéolos. Neste tipo de esrutura, qualquer tendência de um grupo de alvéolos de se colapsar ou expandir relativo aos outros alvéolos em volta sofrerá oposição. Por exemplo, se um grupo de alvéolos tiver uma tendência ase colapsar, grandes forças expansoras agirão sobre eles, pelo fato do parênquima circunjacente ser expandido.
Este suporte oferecido às unidades pulmonares por aquelas que a rodeiam é denominado interdependência.
Quanto aos poros de Kohn e os canais de Lambert, uma forma fácil de memorizar sua estrutura basta lembrar que os alvéolos estão tão próximos um do outro que não há espaço para se colocar um canal (e nem necessidade), pois estão tão próximos que basta um poro para eles se comunicarem. Mas se o alvéolo precisar se comunicar com um bronquíolo (que está mais longe) aí sim vc usa um canal. Sacou?
Gabarito: Alternativa C


35. A pressão positiva ao final da expiração (PEEP) é um recurso freqüentemente usado durante a ventilação mecânica invasiva. Contudo deve-se ter atenção em relação ao uso indiscriminado da PEEP, pois ela altera diretamente a relação V/Q por atuar no aumento do espaço morto fisiológico proporcionando:
A) elevação da pressão média intratorácica, diminuindo a ventilação alveolar efetiva.
B) manutenção da pressão média intratorácica, aumentando a ventilação alveolar efetiva.
C) manutenção da pressão média intratorácica, diminuindo a ventilação alveolar efetiva.
D) elevação da pressão média intratorácica, aumentando a ventilação alveolar efetiva.
E) diminuição da ventilação alveolar efetiva, diminuindo a ventilação alveolar efetiva.
Esta questão, apesar do enunciado rebuscado, exige do candidato conhecimentos básicos sobre os efeitos fisiológicos da PEEP. Ao final de uma expiração normal, a pressão alveolar iguala-se à do ambiente externo. Ora, se ao final da expiração eu imponho uma pressão positiva (e este é o objetivo da PEEP), então nesta nova condição, a pressão alveolar é superior à do ambiente. Considerando o tórax como um compartimento fechado, nesta nova condição, o aumento da pressão alveolar influencia a pressão intratorácica aumentando-a
Gabarito: Alternativa D
Sugiro a leitura do texto sobre PEEP neste link


36. Relacione os modos ventilatórios listados na coluna da esquerda com seus respectivos efeitos/objetivos, apresentados na coluna da direita.
1- VAPS
2- PSV
3- PRVC
4- PAV
( )modo ventilatório de controle dual, que é capaz de modificar os padrões de fluxo dos ciclos assistidos e controlados.
( ) combina as vantagens de um fluxo inspiratório desacelerado do modo controlado à pressão com predeterminação do volume corrente.
( ) ciclado a fluxo, em que a pressão inspiratória predeterminada é mantida constante até que o fluxo inspiratório caia em torno de 25% do valor máximo alcançado no início da inspiração.
( ) modo ventilatório espontâneo, desenvolvido para melhorar a interação paciente/ventilador através da oferta de fluxo e pressão inspiratória de maneira proporcional ao esforço instantâneo do paciente.
A sequência correta é:
A) 4-3-2-1
B) 1-3-2-4
C) 4-2-1-3
D) 3-1-4-2
E) 1-2-3-4
Se eu for explicar cada um dos modos ventilatórios desta questão, eu não saio daqui hoje. De qulquer modo, é uma questão que exige que o candidato conheça ao menos por alto os modos ventilatórios.
Gabarito: Alternativa B


Link: III concenso brasileiro de ventilação mecânica


37. O desmame ventilatório é o processo transitório entre o suporte da ventilação mecânica artificial e a respiração espontânea, que pode ser realizado de maneira súbita ou gradual. Sabe-se que o fisioterapeuta é um profissional que constitui a equipe no auxílio ao paciente em desmame. Vários critérios são considerados essenciais para o sucesso do desmame ventilatório, que consiste em tentar relacionar parâmetros importantes, a fim de chegar cada vez mais próximo à certeza de um desmame com sucesso. Dentre eles pode-se citar o índice Fracional do Ciclo Respiratório (IFCR). A alternativa que apresenta a correta relação entre IFCR e sua respectiva fórmula é:
A) Os conceitos de demanda/capacidade ventilatória relacionando a intensidade e duração da contração muscular – Ti / Ttot.
B) A eficácia da mecânica respiratória através da razão entre o tempo inspiratório e o tempo total do ciclo respiratório – Ti / Ttot.
C)A relação entre a freqüência respiratória espontânea e o volume corrente espontâneo – Fr/Vc.
D) Os conceitos de demanda/capacidade ventilatória relacionando a intensidade e duração da contração muscular – Fr/Vc.
E) a eficácia da mecânica respiratória através da razão entre o tempo inspiratório e o tempo total do ciclo respiratório – Fr/Vc.
Devo ser sincero, nunca ouvi falar desse tal índice Fracional do Ciclo Respiratório.
Uma pesquisa no Google sobre Tins/Ttot revelou que este índice existe (não é reconhecido pelo pomposo nome de IFCR) e é utilizado no desmame. Entretanto, o índice de respiração superficial ou índice de Tobin (FR/VC), que avalia o endurance diafragmático, também é bem conhecido. Assim excluem-se as alternativas C,D e E
Quanto à alternativa A, eu diria que a relação demanda/capacidade ventilatória estão mais relacionados à fórmula FR/VC, portanto eu a consideraria errada (infelizmente eu não tenho uma explicação melhor, mas quem quiser complementar sinta-se à vontade para deixar um comentário)

Gabarito: Alternativa B
Link: Sugiro a leitura destes índices


38. Dentre as técnicas de desobstrução brônquica, a que vem sendo estudada na Europa e Oceania desde 1980, como importante recurso deste tratamento, e que consiste na aplicação terapêutica e periódica ou intermitente de resistor de limiar pressórico do tipo gravitacional à fase expiratória do paciente, chama-se:
A) pressão positiva contínua nas vias aéreas.
B) respiração com pressão positiva intermitente.
C) ventilação com pressão positiva intermitente.
D) oscilação oral de alta freqüência.
E) espirometria de incentivo.


Para responder a esta questão, o candidato tem de inicialmente saber o que é um “resistor de limiar pressórico do tipo gravitacional”. Este resistor nada mais é do que o bom e velho flutter. Tudo bem, sei que flutter é o nome comercial do aparelho, mas em minha defesa devo dizer que todo mundo manda “xerocar” um livro e usa gillete no barbeador. Mas voltando ao assunto: Quando um paciente usa o flutter, ele está na verdade realizando uma manobra de oscilação oral de alta freqüência. Para saber mais tem um excelente artigo no link abaixo.
Gabarito: Alternativa D

Link: Oscilação de alta freqüência

39. Paciente J.A.S, masculino, 68 anos, raça branca, altura 1,68, peso 73kg, deu entrada na Unidade de Terapia Intensiva com quadro de insufciência respiratória aguda, sendo prontamente intubado com tubo orotraqueal 7.5mm com cuff (20 cmH2O) e adaptado à ventilação mecânica invasiva em modo VCV com os seguintes parâmetros:
FR ajustada no VM = 18 irpm
Sensibilidade = 1 cmH2O
FiO2 = 100%
Vc = 460 ml
Fluxo inspiratório = 46 Lpm com onde decrescente
P.pico = 30 cm H2O
P. platô = 20 cm H2O
PEEP= 5 cm H2O.
Entretanto, após 3 horas de ventilação mecânica, um escape de ar ao redor do tubo endotraqueal é observado pelo fisioterapeuta. Ele observa que aproximadamente 35 cm H2O de pressão são necessários para insuflar o balonete e vedar o escape de ar (fuga aérea). A ação recomenda nesse caso é:
A) aumentar a pressão do cuff de 20 cm H2Opara 35 cm H2O.
B) tentar compensar a fuga aérea com aumento do volume corrente
C) indicar traqueostomia à equipe médica
D)trocar o modo ventilatório por pressão controlada
E)solicitar a troca do tubo orotraqueal por um de diâmetro maior
A pressão de perfusão da mucosa traqueal situa-se entre 30 e 40mmHg. Pressões superiores a estas aumentam a incidência de lesão traqueal. É recomendado que a pressão do balonete situe-se entre 25 e 34 mmHg
link: artigo


40. Evidenciam-se, na prática diária, efeitos desejáveis e indesejáveis quando se aplica qualquer forma de PSV. De acordo com vários autores, níveis de PSV acima de 10 cm H2O podem otimizar a função respiratória. A aplicação da técnica de bilevel traduz um compromisso clínico sistemático com ajuste de 2 níveis de pressão, denominada IPAP e EPAP. Sabe-se também que o valor final da PSV nesses sistemas de terapia é a diferença pressórica entre os níveis de IPAP e EPAP. Nesse contexto considere os itens abaixo.
1- aumento do Vc
2- diminuição do Vc
3- diminuição do trabalho respiratório
4- aumento do trabalho respiratório
5- aumento da PaO2
6- aumento da SaO2
7- melhora da complacência pulmonar
Um paciente está recebendo suporte não invasivo através do sistema bilevel, cujo equilíbrio o fisioterapeuta ajustou com um IPAR de 24 cm H2O e um EPAR de 16cm H2OOs efeitos produzidos especificamente pelo valor ajustado para EPAR encontram-se nos itens:
A) 4-5-6-7
B) 3-4-5-6
C) 2-3-5-6
D) 2-4-5-7
E) 1-3-4-5


41. Nas lesões traumáticas do plexo braquial, quanto mais precoce a reparação microcirúrgica, melhor será o prognóstico. O tratamento fisioterapêutico pós-operatório passa principalmente por:
A) Aliviar a dor
B) Normalizar os movimentos cervicais
C) Alongar os componentes do manguito rotador
D) Fortalecer os músculos escalenos
E) Combater a hipotonia com exercícios de alta intensidade

Para responder a esta pergunta recorri a uma colega especialista em lesões de plexo. Ela me explicou que o maior problema de um paciente com lesão de plexo é a dor neuropática devido ao neuroma que se forma na área da lesão. Sendo que a dor é muito freqüente no pré e no pós-operatório, portanto a alternativa mais correta seria a alternativa A. Entretanto o gabarito desta questão é a alternativa B.
Considerando a alternativa B, é importante citar que os pacientes com lesão de plexo também sofrem de alterações do posicionamento de cintura escapular e cervical por assumirem posturas antálgicas no pós-operatório. Uma explicação para o gabarito ser B ao invés de A seria talvez pelo fato da banca julgar que o alívio da dor deva ser realizado por medicamentos, e não por medicamentos + eletroanalgesia . . . Vai saber!!!


42. As síndromes dolorosas crônicas de origem miofascial são muito freqüentes na prática clínica diária. O desenvolvimento de pontos-gatilho está quase sempre associado a estas síndromes.
O tratamento da dor e das alterações secundárias musculares tendinosas e ligamentares são os maiores objetivos a serem alcançados visando diminuir a incapacidade funcional do paciente, sendo o calor um dos principais recursos nas fases subagudas e crônicas dessa síndrome.
A alternativa que fundamenta alguns efeitos fisiológicos do tratamento fisioterapêutico é:
A) O alívio justificado pela Teoria das comportas de Melzack e Wall (1982)
B) a diminuição da rigidez muscular pelo aumento da plasticidade ligamentar
C) a diminuição do processo inflamatório localizado, manifestado na fase aguda
D) a diminuição do espasmo muscular quando associado ao uso do TENS
E) o aumento da distensibilidade do tecido colágeno, por fazer predominar suas propriedades viscosas sobre as propriedades elásticas
Gabarito E . . . Não sei explicar esta resposta. Parece que a banca se apoiou em alguma nota de rodapé de livro. Se alguém souber a resposta, por favor deixe um comentário.

43. A presença dos nódulos de Haberden e Bouchard na mão freqüentemente comprometem o processo de recuperação da saúde funcional, e estão associados a algumas patologias como por exemplo:
A) gastrectasia e artrite reumatóide
B) osteoartrite e tendinopatia de De Quervain
C) artrite reumatóide e contratura de Dupuytren
D) osteoartrite e síndrome de Reynaud
E) osteoartrite e dedo em martelo
A osteoartrite nas mão compromete as articulações interfalangianas proximais (IFP) e as distais (IFD), local em que se desenvolvem saliências ósseas de aspecto nodular facilmente identificável, na face dorsolateral das falanges, denominadas de nódulos de Heberden, quando localizados nas IFD, e de Bouchard, quando nas IFP. Esses nódulos são considerados a marca registrada da osteoartrite de mãos. Portanto, embora o Gabarito seja alternativa A, esta opção não faz o menor sentido pois gastrectasia segundo o dicionário médico refere-se à uma dilatação anormal do estômago.
Espero que esta questão tenha sido anulada
Links: Doenças osteoarticulares degenerativas periféricas

44.O processo de restauração da saúde funcional do paciente submetido a tratamento cirúrgico da síndrome do desfiladeiro cervicotorácico se fundamenta na cinesioterapia.
Os objetivos fisioterapêuticos são:
A) Alívio da dor, relaxamento muscular e prevenção de deformidades
B) alivio da dor, restauração do arco de movimento – ADM – da coluna cervical e prevenção das contraturas de De Quervain
C) relaxamento muscular, prevenção de deformidades e prevenção de trombose venosa profunda
D) prevenção de deformidades, diminuição da parestesia do membro superior e fortalecimento muscular precoce
E) relaxamento muscular, alivio da dor e prevenção de trombose venosa profunda

Gabarito alternativa A
Leiam a monografia: Intervenção Fisioterapêutica em pacientes com Síndrome do Desfiladeiro Torácico: Revisão Bibliográfica

45. No pós operatório imediato das artroplastias de quadril, vários cuidados referentes ao deslocamento de cargas e exercícios de altas intensidade devem ser observados.
Na fase final do tratamento fisioterapêutico, as recomendações mais freqüentes são:
A) mobilização passiva da articulação e exercícios antitrombóticos
B) iniciar a reabilitação da marcha e exercícios respiratórios
C) hidroterapia e bicicleta sem carga
D) exercícios pliométricos e dinâmica de deslocamentos multidirecionais após a 12a semana
E) exercícios pliométricos e funcionais para o controle da dor
Assumindo que tudo correu bem durante a fase aguda de recuperação pós artroplastia de quadril, então estaremos diante de um paciente deambulante sem necessidade de dispositivos auxiliares e sem dor. Então as alternativas A, B e E podem ser sumariamente consideradas falsas. Resta-nos as alternativas C e D. Ora, se temos um indivíduo que deambula sem dor e sem nenhuma outra restrição, devemos impor a ele um programa de reabilitação que gere desafios à suas respostas funcionais de força e propriocepção. Neste contexto, a hidroterapia e a bicicleta sem carganão cumprem este papel
Gabarito: Alternativa D

46. Os exercícios pendulares com elevação anterior passiva e rotação externa passiva de 40º, feitos em supino são indicados no tratamento conservador de fraturas:
A) de Colles
B) de Monteggia
C) Transtrocanteriana femoral
D) Proximais do úmero
E) distal e diafisárias do úmero
Fratura de Colles e Monteggia envolvem o antebraço. O cotovelo não realiza o movimento de rotação externa, portanto as alternativas A e B são falsas. O tratamento conservador de fraturas em região proximal de ossos longos como fêmur e úmero envolvem a restrição de movimento. No caso do úmero, a imobilização do braço tem o objetivo de evitar movimentos na glenoumeral. Portanto a sequência de movimentos exemplificada não pode acontecer. A fratura distal e diafisária do úmero, permitem o movimento na articulação glenoumeral mesmo com a imobilização por gesso.
Gabarito: Alternativa E

47. A fratura do colo do fêmur é freqüentemente associada à osteoporose. Contudo um movimento rotatório de alta velocidade seguido de queda também pode provocá-la.
Os cuidados principais no pós operatório imediato das artroplastias de quadril são:
A) Manter a flexibiliade da cadeia muscular reta posterior e controlar a postura no leito durante o repouso absoluto nos primeiros 10 dias de pós-operatório
B)Precocidade no primeiro levante e marcha independente nas primeiras 48hs de pós-operatório
C) Precocidade na marcha e exercícios com 80% da carga máxima para quadríceps e ísquiotibiais D)prevenção de úlceras de decúbito e exercícios de força o mais precocemente possível
E) Precocidade na marcha e normalização do arco de movimento – ADM – ativo e passivo
Repouso absoluto nos primeiros 10 dias de pós-operatório??? Hahaha, isso é medieval! Alternativa A erradíssima. Nos casos de Artroplastia total de quadril, a ortostase deve ser o mais precoce possível SEMPRE! e a evolução para marcha com muletas ou andadores deve seguir-se a ela.
Gabarito: Alternativa B

48. A intensidade do exercício prescrito para o idoso acamado é indicada para desenvolver força e restaurar a função.
O treino de alta intensidade deve ser feito com:
A) 60 a 80 % da carga máxima com mobilização de mais de 1/6 da musculatura esquelética
B)100% da carga máxima, com 20 repetições em cada uma das três séries de exercícios
C)30% da carga máxima tentando atingir a freqüência cardíaca máxima (FCmáx) no maior espaço de tempo.
D)30% da carga máxima, com 2 séries de 10 repetições objetivando atingir a freqüência cardíaca máxima
E)100% da carga máxima, respeitando a exaustão.
Eu passo o comentário da resposta desta questão pois não saco absolutamente nada sobre o tema. Quem souber explicar a resposta por favor deixe um comentário.
Gabarito: Alternativa A

49. Nas fraturas diafisárias do fêmur na criança, o uso de fixação externa permite a movimentação precoce do paciente. A maior dificuldade encontrada pelo fisioterapeuta durante o tratamento é:
A) Restaurar a função do tornozelo
B) Preservar o trofismo do quadríceps contralateral
C) Realizar o apoio com o membro inferior operado
D) Evitar o desenvolvimento de síndromes dolorosas nos ombros pelo uso de auxiliares de marcha
E) Manter a higiene dos pinos após a sessão de hidroterapia

A priori, uma fratura da diáfise femoral não é motivo para gerar restrição da articulação do tornozelo. Portanto a alternativa A está incorreta. As questões B e D não merece comentário, e a alternativa E é simplesmente ridícula. O uso do fixador externo permite a descarga de peso sobre o Membro Operado. Aliás, esta descarga de peso é encorajada para estimular a formação do calo ósseo. Neste sentido, os pacientes têm muito receio em apoiar o pé no chão com medo da dor.
O Gabarito é a alternativa C

50. As hemiartroplastias de ombro nos idosos ou as artroplastias totais são indicadas nas fraturas multifragmentadas da cabeça umeral.
No pós operatório imediato, durante a hospitalização, deve-se observar, durante o tratamento fisioterapêutico, as seguintes manifestações.
A) Restrição antálgica da amplitude de movimento do ombro e a restrição funcional da extensão do cotovelo
B) Perturbações da marcha e do equilíbrio decorrentes da cirurgia
C) Alteração da função do manguito rotador e da coluna cervical, entre o 2o e 3o dias de pós operatório
D) Edema de estase em ambas as mãos e déficit da função diafragmática
E) Déficit ventilatório e alterações posicionais na amplitude de movimento do segmento vertebral lombar.
O gabarito oficial é alternativa B. No entanto esta resposta não faz sentido, aliás, nenhuma das respostas faz sentido. Mais uma questão que só a banca é capaz de explicar a resposta.

Fonte: http://fisioterapiahumberto.blogspot.com/search/label/provas%20comentadas

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