sábado, 26 de abril de 2008

Música cura? (Juliana Tiraboschi - Revista Galileu)

Enquanto médicos debatem os supostos poderes curativos das notas musicais, sonatas de Mozart conseguem diminuir ataques de paciente epilético durante meses

Juliana Tiraboschi

Um dia desses deparei com uma notícia curiosa no jornal inglês "The Independent": médicos do Instituto de Neurologia de Londres publicaram um relato sobre o caso de um paciente epilético de 56 anos que reduziu seus sintomas com audições diárias de sonatas do compositor erudito Wolfgang Mozart.

Já tinha escutado falar do tal "efeito Mozart", especialmente relacionado a uma suposta melhora na inteligência e ligado à "Sonata Para Dois Pianos em Ré Maior", conhecida pelos especialistas como K.448. Também tinha algumas poucas informações sobre musicoterapia, como o fato de que ela pode ser passiva (quando o profissional toca música para o paciente), ou ativa (quando o paciente se engaja nas atividades de tocar um instrumento ou cantar). Ou que ela pode ser coadjuvante no tratamento de doenças mentais ou problemas motores. Mas nunca havia conversado com alguém que tivesse obtido benefícios das composições do gênio austríaco, além do prazer estético.

Intrigada com a história, liguei para o instituto e conversei com o professor de neurologia Ley Sander, que me surpreendeu falando um português perfeito. Sander tem pais brasileiros e nasceu no Rio Grande do Sul. "O efeito Mozart não é aceito universalmente", foi a primeira coisa que disse. O auge da popularidade do fenômeno foi em 2001, quando foi publicado um artigo de revisão escrito por John Jenkins, da Sociedade Real de Medicina do Reino Unido.


No documento, Jenkins cita um conhecido e controverso experimento de Frances Rauscher, professora de psicologia da Universidade de Wisconsin, EUA, que em 1993 mostrou que ouvir a sonata K.448 durante 10 minutos melhorava o desempenho dos voluntários em testes de habilidades espaciais (veja quadro "Pequenos Gênios"). O pesquisador também cita um estudo, do Centro Médico da Universidade de Illinois, publicado por John Hughes em 1998, que demonstrou a eficácia da sonata no tratamento de epiléticos. "Jenkins também dizia que a sonata tem uma certa freqüência repetitiva que podia acalmar pacientes com epilepsia idiopática", diz Sander.

A epilepsia é um distúrbio caracterizado pela tendência de sofrer convulsões recorrentes, provocadas por uma descarga elétrica anormal no cérebro. Pode ser causada por alguma lesão, como traumatismo craniano, ou ser idiopática, ou seja, de causa desconhecida.

Cirurgia e remédio
O trabalho de Jenkins gerou um "boom". "Há sete anos, todos os meus pacientes ouviam Mozart", afirma Sander. Mas eles melhoraram? "A maioria abandonou o método. Alguns se sentiram mais calmos e tiveram menos crises, mas não conheço nenhum que se curou", diz.

Perguntei a Sander se eu poderia conversar com o paciente que motivou a reportagem. O médico se comprometeu a tentar marcar uma entrevista, mas me avisou que provavelmente isso só aconteceria em sua próxima consulta. Me desanimei. Isso poderia demorar meses. O neurologista sugeriu que procurasse outro paciente na associação de epiléticos do Reino Unido.

Segui o conselho e expliquei para a assessora da associação que estava escrevendo uma reportagem inspirada pelo caso do tal paciente inglês e perguntei se ela não poderia me ajudar a encontrar alguém disposto a falar. Atenciosa, poucos dias depois Keeley me escreve um e-mail. "Boa notícia", disse. "Encontrei uma pessoa, acho que ele é o paciente do artigo que você mencionou", escreveu, me passando e-mail e telefone de Geoff Goodwin.

Finalmente marquei uma entrevista com Geoff, e ele começou a me contar sua saga em busca de um alívio para sua doença. Geoff sofre de epilepsia gelástica desde que nasceu. Esse tipo do distúrbio tem um efeito colateral estranho: seus ataques são acompanhados de um riso involuntário, que pode ser desde um pequeno sorriso até uma ruidosa gargalhada. Além disso, mas com menos freqüência, o doente pode ter convulsões. Para Geoff, durante muitos anos seus sintomas foram brandos, mas, há cerca de 20 anos, começou a ter ataques mais intensos.

MENTE MELÓDICA
A atividade musical envolve praticamente todas as regiões do cérebro que conhecemos
A atividade de escutar música começa nas estruturas subcorticais: núcleo coclear, tronco cerebral e cerebelo. Depois passa para os córtices auditivos do cérebro

Ao ouvir um estilo ou música conhecida, outras regiões são recrutadas, como o hipocampo (1) — o centro da memória — e subseções do lobo frontal (2), como o córtex frontal inferior


Cantarolar uma música, mesmo que apenas mentalmente, envolve também os circuitos de sincronização do cerebelo

Tocar música envolve o lobo frontal, responsável pelo planejamento, o córtex motor e o córtex sensorial, que fornece uma reação tátil


Ler uma partitura envolve o córtex visual, localizado na extremidade do cérebro, no lobo occipital

Escutar ou recordar letras de música invoca centros de linguagem, incluindo as áreas de broca (3) e Wernicke (4), e outras regiões dos lobos temporais e frontais (5)


As emoções que sentimos em resposta à música envolvem estruturas profundas no cerebelo (6) e na amígdala (7), o centro do processamento emocional


Fonte: “New Scientist”
Ele já tentou tratamento com sete medicamentos diferentes e submeteu-se a duas cirurgias cerebrais malsucedidas na tentativa de eliminação de um hamartoma, uma proliferação anormal de tecido. Seu "calombo" está alojado no hipotálamo, o centro da memória do cérebro. Geoff me conta que o sintoma mais desagradável de sua doença é a perda de memória. "Em testes de memória curta geralmente vou tão bem quanto qualquer um. Mas em testes de 'vivo ou morto' costumo falhar", conta. Nesse tipo de exame, o sujeito é confrontado com imagens de personalidades famosas, como Hitler ou Jesus Cristo, e deve dizer se aquela pessoa ainda é viva.

Geoff, que é casado e tem três filhos homens, diz que se dá muito bem com a família, mas se chateia ao esquecer coisas que são importantes para seus parentes. "Pode acontecer de meu filho me contar sobre o término de um namoro e conversarmos horas sobre isso, mas na próxima semana posso não lembrar por que ele está triste", exemplifica. Pergunto qual a idade de seus filhos. Após alguns segundos de silêncio, ele responde "aproximadamente 28, 32 e 35" e admite que tem dificuldade em lembrar-se dos números exatos.

Geoff tem um truque para refrescar a memória. "Anoto os acontecimentos em um diário no computador." Ele também inventou uma técnica de memorização. Se quer se lembrar de algo, faz uma busca com uma palavra-chave relativa ao assunto em seu diário. "Se eu leio uma história sobre um dia em que fui pescar, isso pode me ajudar a recordar de um jantar na semana passada no qual comi peixe", afirma.

Perdido em casa
Mas isso não o ajuda com a memória espacial. Geoff vive em Bournemouth, uma cidade de 160 mil habitantes a cerca de 170 km de Londres. Apesar de pequena, ele às vezes esquece caminhos que costuma percorrer constantemente. "E qual a técnica para lembrá-los?", pergunto. "Nenhuma, simplesmente peço uma orientação a alguém."

Em certo momento, tivemos que interromper a entrevista e combinamos terminar nossa conversa dali a dois dias. "Você vai se lembrar de mim quando eu ligar?", brinquei. Ele riu e garantiu que sim, e que ia escrever sobre nossa conversa.

Nesse intervalo, procurei mais pesquisas sobre a musicoterapia. Um estudo liderado por Anna Maratos, pesquisadora do Hospital Público das Zonas Centrais e Noroeste de Londres, analisou trabalhos anteriores que haviam comparado a musicoterapia com tratamentos-padrão ou outras intervenções no tratamento da depressão. De cinco pesquisas, quatro registraram uma redução de sintomas maior entre os que receberam musicoterapia do que os que tiveram tratamento-padrão.

Uma pesquisa brasileira, realizada por Pedro Lodovici Neto e Beltrina Corte, da PUC de São Paulo, concluiu que a música é um excelente meio para melhorar a vida dos portadores da doença de Parkinson, fazendo-os conviver bem melhor com a enfermidade e minimizando seus efeitos motores. "Cantar ou tocar instrumentos musicais como piano e violino, enquanto atividades terapêuticas, são um meio para a auto-expressão e a auto-realização, com as canções revelando a subjetividade interna de cada idoso", afirmam em seu artigo. Segundo o estudo, a autoconfiança gerada pela atividade faz com que o paciente sinta expectativas positivas quanto a seu presente e futuro.

Outros estudos nacionais mostraram que a música pode ser coadjuvante no tratamento de dores e até no diagnóstico de glaucoma. Para obter um resultado preciso no teste que detecta a doença ocular, o paciente precisa estar relaxado, estado estimulado pela música.

Debrucei-me também sobre o estudo de John Hughes sobre musicoterapia aplicada à epilepsia. Segundo o pesquisador, 23 entre 29 casos tiveram um declínio significativo na atividade epilética, mesmo em pacientes em coma. Hughes cita especialmente o caso de um paciente, "cuja atividade ictial, como é chamado o estado fisiológico quando o paciente está tendo um ataque, caiu de 62% para 21% durante as sessões musicais", escreve. Hughes também atesta que a amplitude das descargas cerebrais diminuíram.

PEQUENOS GÊNIOS
Mozart nos deixa mais espertos. Mito ou verdade?
Você provavelmente já ouviu dizer que fazer um bebê escutar música clássica, especialmente Mozart, pode deixá-lo mais inteligente. Esse é aquele tipo de informação que, de tanto escutarmos e de fontes diferentes, acabamos não sabendo mais de onde a crença surgiu.

Em 1993, um artigo da Universidade de Wisconsin mostrou que ouvir a sonata K.448 durante 10 minutos melhorava o QI espacial dos voluntários. Uma das explicações para isso é que a atividade musical aciona uma ampla variedade de áreas do cérebro. E tarefas espaciais, como construir conjuntos de cubos tridimensionais, estimulam algumas dessas mesmas regiões. Ou seja, a música seria um aquecimento cerebral para a realização do teste.

Boa notícia? Relativamente. Diversos cientistas que estudaram o experimento levantaram questionamentos sobre ele. A controvérsia gira em torno de basicamente quatro pontos. Primeiro, a melhora foi muito pequena, os sujeitos que experimentaram ouvir Mozart marcaram apenas de 8 a 9 pontos a mais no teste. Segundo, o efeito durou apenas 15 minutos. Terceiro, não foi provado que a sonata aumentava a inteligência de maneira geral, apenas fazia subir o desempenho em testes específicos de habilidades espaciais. E, quarto, outros pesquisadores não conseguiram replicar os resultados, fato considerado essencial para que as conclusões de uma pesquisa sejam aceitas pela comunidade científica. "A evidência de que não existe o efeito Mozart como descrito nesse estudo é clara", diz Ken Steele, professor do departamento de psicologia da Universidade Estadual Appalachian. "Muitos estudos em meu laboratório e em outros de todo o mundo foram incapazes de reproduzir esse efeito", diz.

Mesmo assim, muitas reportagens equivocadas, falta de informação e o boca-a-boca acabaram criando o mito de que Mozart pode nos deixar mais espertos. A crença chegou ao ponto de produzir efeitos hilários. Em 1999, Zell Miller, então governador do estado americano da Geórgia, declarou que iria distribuir CDs do compositor para todas as novas mães.

Até a professora de psicologia Frances Rauscher, autora principal do estudo de Wisconsin, declarou-se contrariada e desconfortável com a maneira como seus dados foram (mal) interpretados.

Apresentar música clássica aos pimpolhos pode ser excelente para a formação cultural, mas saiba que aqueles CDs de Mozart para crianças não vão transformá-las em pequenos gênios.


Terapia alternativa
Mas seus resultados são controversos. "Seus efeitos não foram replicados por pesquisadores independentes", diz Ken Steele, professor do Departamento de Psicologia da Universidade Estadual Appalachian, nos EUA, e autor de diversas pesquisas sobre o efeito Mozart. "Parece excesso de crítica, mas não é porque toda a história do efeito Mozart é marcada por alegações escandalosas que nunca são verificadas."

Além disso, acredita Steele, os argumentos de Hughes não fazem sentido fisiologicamente. "Ele diz que a sonata reverte o efeito de um ataque epilético. Mas o cérebro está funcionando de forma errada naquele momento. Como o paciente poderia estar escutando ou seu cérebro respondendo de uma maneira organizada?", questiona.

Steele também não concorda com a explicação de Hughes de que o cérebro ressoaria do mesmo modo que as cordas de um piano quando uma nota musical é tocada em outro instrumento do outro lado da sala. "Neurônios não são cordas. Neurônios não ressoam literalmente. Essa idéia veio de Gordon Shaw, que era professor de física. Ele tem pouquíssimo conhecimento sobre a fisiologia do cérebro", diz.

Contrariando os argumentos de Steele, porém, Mozart ajudou pelo menos um paciente. E aí voltamos à história de Geoff Goodwin. Ele foi um dos que se empolgou quando soube dos resultados do estudo de Jenkins. Tendo esgotado os recursos terapêuticos tradicionais, achou que poderia tentar outra abordagem.

Em maio de 2006, começou a se submeter a uma sessão diária, de 45 minutos, ouvindo as sonatas K.448 e K.488. "Depois de dois dias comecei a melhorar", afirma. Geoff tem dois tipos de ataques. Os "bons", ainda que possam ser socialmente embaraçosos, são os de riso, acompanhados de uma sensação de bem- estar e religiosidade acentuada. Isso se deve, segundo estudos, a atividades no lobo temporal no cérebro, importante na formação da memória e de emoções. Os "maus" são as convulsões, que vêm junto de uma enxurrada de lembranças negativas. "É como se todos os acontecimentos ruins da minha vida viessem à tona, como se eu os revivesse", diz.

Depois das sessões de músicas, Geoff, que tinha cerca de 5 ataques gelásticos severos por dia, passou a sofrer 20, mas em uma intensidade quase imperceptível. Os ataques ruins desapareceram. Os médicos do Instituto de Neurologia de Londres constataram a melhora de Geoff, ainda que exames de ressonância magnética funcional não mostrassem mudanças no hamartoma.

Segundo Nayana Lahiri, autora do artigo que revelou o caso, o resultado pode ter sido conseqüência das características da sonata, apontadas no estudo de Hughes. "O que confere o benefício pode ser o alto grau de periodicidade por longos períodos na música. Mozart repete a linha melódica com muito mais freqüência do que outros compositores conhecidos", afirma.

Esperança de cura
Pergunto a Geoff se a música também o ajudou com a memória. "Sim, um pouco, mas é difícil comprovar sem testes", diz. "Começou a melhorar justo quando a música começou a perder o efeito", afirma.

Pois é, a história de Geoff Goodwin não tem um desfecho muito feliz. Há duas semanas, ele interrompeu suas sessões musicais porque os efeitos foram ficando mais escassos, até cessarem de vez e ele voltar à estaca zero, com o mesmo número e intensidade de ataques de antes. "Hoje já tive quatro ataques de gargalhada", me conta. Pergunto se eles não lhe causam constrangimento. "Não muito", diz. "Aprendi a escondê-los. Se eu estava na aula, eu fingia tossir e me abaixava para amarrar o cadarço."

O que incomoda mesmo é não lembrar dos pequenos e grandes fatos da vida, como uma viagem de férias com a família ou um problema de um filho. Geoff também sente-se frustrado profissionalmente. Funcionário de uma companhia de seguros desde 1989, está em licença remunerada há sete anos, quando submeteu-se à primeira cirurgia. Seus superiores o proibiram de voltar enquanto sua memória não melhorar. "Acredito que eles temem que eu tenha uma convulsão e me machuque", afirma.

Geoff conta que pretende tentar uma nova prática: meditação. "Vou tentar controlar meu cérebro", diz. Mas ele não perdeu as esperanças depositadas em Mozart e afirma que, daqui a três meses, vai tentar novamente a terapia da sonata. "Espero que funcione de novo."

O empresário e bibliófilo José Mindlin, membro da Academia Brasileira de Letras, é outro que passou a acreditar no poder curativo da música por uma experiência empírica. Em um artigo publicado na edição de junho de 2006 da revista de música clássica "Diapason", ele conta que certa vez sua filha adoeceu por uma infecção alimentar, sofrendo de febre alta e delírios. Mindlin colocou a peça "Pequena Serenata Noturna", de Mozart, para tocar. Pouco depois, ela se acalmou, e a febre diminuiu.

Se a melhora foi mérito da música, não podemos saber. Mas o neurologista Ley Sander acredita que não custa tentar. "Eu sou cético, não há evidência científica do efeito Mozart. Se o doente pára de ter crise por um tempo, pode ser por uma variação aleatória ou por causa de um medicamento. Mas, como médico clínico, se meu paciente sente que a música melhora sua condição, vou incentivá-lo a continuar ouvindo."

A ciência ainda não conseguiu provar que a música cura. Mas, que ela faz bem para o corpo e para a alma, é difícil duvidar.


Fonte: http://revistagalileu.globo.com/Revista/Galileu/0,,EDG83292-7945-202-5,00-MUSICA+CURA.html

terça-feira, 22 de abril de 2008

Os Normais Para Celular

Gente, eu baixei e estou me divertindo revendo os episódios pra lá de engraçados de Os Normais!!! Cada arquivo tem uma média de 40 mb. É bem rápido de baixar!!! Divirtam-se e espero que gostem!!!


As Tres Temporadas de Os Normais em 3GP

De perto ninguém é normal. Quando se trata de Rui (Luiz Fernando Guimarães) e Vani (Fernanda Torres) aí mesmo que a coisa complica.

Você vai poder rever todas as loucuras, excentrencidades e esquisitices do casal mais divertido que já passou pela TV, o casal segue destilando sua série de esquisitices, paranóias, mal entendidos e confusões.

Primeira Temporada Completa

01 - Os Normais
02 - Normas no clube
03 - Brigar é normal
05 - Um dia normal
06 - Faça seu pedido
07 - Mal-entendido é normal
08 - Sair com amigos é normal
09 - Implicância é normal
10 - Ler é normal
11 - Fazer as pazes é normal
12 - Complicar é normal
13 - Surpresas são normais
14 - Estresse é normal
15 - Um sábado normal
16 - Mentir é normal
17 - Desconfiar é normal
18 - Um pouco de cultura é normal
19 - Grilar é normal
20 - Cair na rotina é normal
21 - Tentações são normais
22 - Dar um tempo é normal
23 - Um pouco de azar é normal
24 - Desesperar é normal
25 - De volta ao normal
26 - Seguir a tradição é normal

Segunda Temporada Completa

01 - Tudo normal como antes
02 - O tipo de coisa normal
03 - Uma tarde de sábado normal
04 - Enlouquecer domingo é normal
05 - Uma amizade normal
06 - Confusões são normais
07 - Ter filhos é normal
08 - Viajar é normal
09 - Mais do que normal
10 - Desconfianças normais
11 - Um machismo normal
12 - Umas loucuras normais
13 - Um programinha normal
14 - Ser mau é normal
15 - É nojento mas é normal
16 - Parece indecente mas é normal
17 - O normal a ser feito
18 - Horrivelmente normal
19 - Acima do normal
20 - Sensações normais
21 - Tudo normal até que...
22 - Acordando normalmente
23 - Divertimento normal e sadio
24 - Uma experiência normal
25 - Questionamentos normais
26 - Gente normal e civilizada
27 - Motivos normais
28 - Especialmente normal

Terceira Temporada Completa

01 - A volta dos que não foram
02 - É uma questão de química, entende?
03 - Sexo só semana que vem
04 - Casal que vive brigando não tem crise
05 - As taras que o tarado tara
06 - O dia que a Vani pirou
07 - Ter respeito é trair direito
08 - Nosso já famoso episódio infame
09 - Sonhos de uma noite de serão
10 - Querer é poder
11 - O grande segredo de Rui e Vani
12 - As outras vidas de Rui
13 - A vingança da CDF
14 - Os estranhos lugares comuns
15 - O magnífico antepenúltimo
16 - Até que enfim profundos
17 - Terminar é normal

sábado, 19 de abril de 2008

Removendo Virus do Orkut e Msn

Descrição: Saiba como remover o virus do Orkut e Msn em varias maneiras diferentes, tudo isso numa apostila que você só encontra aqui, exclusividade nossa.

Tamanho: 42Kb
Hospedagem:
Ziddu/RapidShare

Curso de Francês - Download

Descrição: São muitas apostilas sobre francês, que contém arquivos pdf e muitos exercicio para você treinar, Também tem correção on-line de cada exercicio e ainda suporte online no site. Curso Completo!

Tamanho: 4 MB
Hospedagem: EasyShare/RapidShare

Curso Completo Web Desing - Video Aula - Download

Um Dos Melhores Curso Completo de Web Desing, DREAMWEAVER, FIREWORKS, FLASH.. Tudo em Video aula. Este curso é mt bom para qm está querendo trabalhar com WEB. No final deste curso jah da pra sair fazendo Web Page e até mesmo poder ganhar uma grana fazendo seus Sites.

Obs: Este curso é em 3 modulos sendo q o MD01 Foi dividido em 2 partes com o hjsplit depois de baixado junte com o Hjsplit e depois renomeie o arquivo juntado CURSOMD1.RAR e extraia, O MD02 está normal soh baixar e extrair, O MD03 tbm foi dividido em duas partes baixe e junte com hjsplit depois renomeie o arquivo CURSOMD3.Rar E extraia
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MD02

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Download - Apostila Completa de Autocad 2007 - 1354 Paginas

Apostila super completa Autocad 2007 com 1354 paginas, vale realmente a pena baixar.

Tamanho: 5,75MBHospedagem: FTP


Apostilas para Concurso TJ-RJ 2008

Descrição: Concurso TJ-2008 – Técnico Judiciário/Corregedoria Geral da Justiça. São mais de 3.000 exercícios Resolvidos!!!

Tamanho: 5.8MB
Hospedagem:
EasyShare/RapidShare

Apostilas Caixa Federal e BB concursos 2008

Descrição: Conhecimentos Bancários

Conhecimentos Gerais
Português
Matemática
Informática
Dicionário de Economia e termos bancários
Código de Ética Bancária
+ Provas e simulados
Tamanho: 43,8MB
Hospedagem: Easy-Share/BitRoad

Toques Engraçados de Celular

São 118 toques mais famosos da net. Se vc estava procurando aquele toque mt engraçado, nesse arquivo vc acha!

Tamanho: 18 MB
Hospedagem: Easy-Share/RapidShare


domingo, 13 de abril de 2008

As dores dos planos de saúde

Saiba quais são os novos procedimentos médicos que os planos de saúde terão que cobrir, conforme determinação da ANS. As mudanças estão valendo desde o último dia 2 de abril. O POVO traz um guia para você garantir seus direitos. A ampliação da cobertura dos procedimentos médicos, determinada pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e em vigor desde 2 de abril, está sendo questionada pelas operadoras na Justiça e muitos usuários estão com dúvidas. Menos de 48 horas após começar a valer as novas regras, a Ouvidoria da Agência já tinha recebido cerca de 1,5 mil ligações de consumidores interessados em saber dos novos procedimentos disponíveis. O POVO ouviu a ANS e especialistas para esclarecer os seus direitos.

De acordo com a ANS, o rol de procedimentos passou a listar 2.973 itens - cerca de 100 foram incluídos nesta última alteração. Entre os procedimentos acrescentados, estão algumas novas tecnologias, como o Yag Laser (para cirurgia de catarata), métodos para anticoncepção - DIU, vasectomia e ligadura tubária -, procedimentos cirúrgicos, além de exames laboratoriais mais modernos, como a mamografia digital. Também foram acrescidos atendimentos de terapia ocupacional, fonoaudiologia, nutrição e psicoterapia.

Essa nova cobertura, conforme a ANS, é válida para os usuários de planos novos, ou seja, aqueles que foram contratados após 1º de janeiro de 1999, quando entrou em vigor a Lei de Planos de Saúde (9.656/98).

Quem tiver um plano antigo terá que migrar para um novo se quiser contar com os serviços. Outra alternativa para quem tiver interesse em itens da nova cobertura, é contratá-los junto à operadora. Há ainda a opção de sair do plano antigo e contratar um novo. A advogada do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), Maíra Feltrin, explica que o importante é o consumidor avaliar bem os custos e carências nessas mudanças. Ela aconselha ainda a pesquisar os preços entre as diferentes operadoras.

É importante saber também que o novo rol de procedimentos já tem que estar disponível nas operadoras. Segundo Maíra Feltrin, a própria ANS recomenda que o usuário denuncie a negativa de cobertura de qualquer item da lista. A denúncia ou reclamação pode ser feita pelo Disque-ANS - 0800 701 9656. As multas podem chegar a R$ 80 mil. Conforme a Agência, no caso de negativa de cobertura coletiva, esse valor pode ser multiplicado pelo número de usuários da operadora, podendo atingir R$ 1 milhão. Dúvidas também podem ser esclarecidas no site da ANS - www.ans.gov.br.

Na avaliação de Maíra, não há motivos para os planos não estarem preparados para atender às novas exigências. Ela lembra que hospitais e clínicas já trabalham com esses tipos de procedimentos e consultas. "Não se tratam de procedimentos experimentais", lembra. A assessoria de comunicação da ANS informou ainda ao O POVO que foi concedido um prazo de 90 dias para que as empresas se adaptassem à legislação.

Fonte: http://www.opovo.com.br/opovo/economia/780560.html

Crohn - Algumas perguntas mais frequentes:

Gravidez e Crohn ?

Não há nenhum problema se da paciente de Crohn ficar grávida. Alguns remédios podem fazer mal ao feto, assim é recomendável informar o médico da gravidez.

Apesar de se achar que a doença é hereditária, não é comum os pais ( se o pai ou a mãe forem portadores da doença ) transmitirem a doença ao filho/filha. O que pode ocorrer é o seu irmão/irmã ou netos venham a ter a doença.

O que causa a doença ?

Há várias teorias sobre o que causa a Doença de Crohn, mas até agora nenhuma foi provada. Uma delas é que algum agente, talvez um vírus ou uma bactéria, afeta o sistema imunológico para desencadear uma reação inflamatória da parede do intestino. Apesar de saber-se que pacientes com essa doença tem o sistema imunológico com funcionamento anormal, os médicos não sabem se os problemas imunológicos são a causa ou o resultado da doença.

Quais os Sintomas?

Os sintomas mais comuns são, dor abdominal, freqüentemente na parte baixa e a direita do abdomen , diarréia ou constipação. Há também sangramento retal, perda de peso e febre. Se o sangramento for abundante e constante, leva a anemia. As crianças podem ter o seu desenvolvimento retardado.

Qual o melhor Tratamento?

Muitas drogas existem para ajudar no controle da doença, mas nenhuma leva a cura. · que se faz é usar uma dieta nutricional, controlar a inflamação e diminuir a dor abdominal, a diarréia e o sangramento retal. A sulfasalazina freqüentemente diminue a inflamação , especialmente a do colon. Pode ser usada por longos períodos e juntamente com outros remédios. · pacientes que não suportam a sulfasalazina, freqüentemente se dão bem com outras drogas como as mesalaminas ou 5-ASA · Ainda pode-se usar juntamente com esses medicamentos, drogas como corticóides, antibióticos ou aquelas que afetam o sistema imunológico como a azathioprina ou 6-MP.

Dietas ?

Dizem não existir dietas específicas para prevenir ou tratar a doença. Mas, algumas pessoas tem seus sintomas diminuídos evitando tomar álcool, leite e seus derivados, comidas apimentadas, frituras, ou fibras. Como cada pessoa reage diferente, é aconselhável que se procure um nutricionista que conheça bem a doença, e evitar as comidas que percebe fazerem mal. Não se deve tomar grandes doses de vitaminas, porque além de desnecessárias podem causar efeitos indesejáveis.

O paciente com doença crônica, precisa de uma boa alimentação, para que possam ser repostos no organismo nutrientes, vitaminas e minerais que são perdidos devido a dificuldade de absorção dos alimentos, diarréia, apetite reduzido.

Apesar dos médicos dizerem que o paciente de Crohn pode comer de tudo, aconselha-se que sejam evitados alimentos condimentados, com gordura, açucares, leite e seus derivados, alimentos que contenham fermento.

Existem Pesquisas ?

Existem alguns laboratórios pesquisando não só a cura da doença, como também remédios que tratem melhor os sintomas, tornando a vida do paciente mais fácil.

A Isis Pharmaceutical e a Boehringer Ingelheim possuem uma pesquisa sobre um antinflamatório chamado Isis 2302, na segunda fase de testes.

O Interleukin 10 que atua como imunossupressor e antinflamatório. Os resultados dos testes indicam que o IL10 administrado diariamente por uma semana é seguro e bem tolerado sendo clinicamente eficiente.

Mycobacterium, Paratuberculosis?

Existem várias frentes de pesquisas no sentido de se encontrar a causa da doença. Os tratamentos usados atualmente só tratam dos sintomas, tentando trazer aos pacientes um pouco mais de conforto. Em 1913, o cirurgião Dr.Dalziel, descreveu uma doença que se hoje chamamos de doença de Crohn. Ele acreditava que ela era originaria de uma bactéria chamada "Mycobacterium paratuberculosis". Essa bactéria causa tuberculose intestinal e paratuberculose, doenças com sintomas similares ao Crohn. No entanto, ele não pode provar a ligação . Em 1932, Burrill B.Crohn , o primeiro a documentar a doença de Crohn, não pode encontrar uma origem bacteriana da doença.

As pesquisas continuam ainda hoje, no sentido de se estabelecer uma ligação entre a citada bactéria e a doença.

Qual a relação de TENSÃO E ANSIEDADE com as doenças intestinais?

A ansiedade - problema causado pelas pressões da vida - é talvez a emoção que mais pesa nos indícios científicos que a ligam ao começo da doença e ao curso da recuperação. Quando a ansiedade serve para que nos preparemos para lidar com algum perigo (uma suposta utilidade na evolução humana) , está nos prestando um bom serviço. Mas a vida moderna a ansiedade é, na maioria das vezes, fora de propósito e dirigida para o alvo errado - a raiva se torna patológica quando ocorre em circunstâncias triviais ou quando é invocada pela mente como reação equivocada, dirigida ao alvo errado. Repetidos ataques de ansiedade indicam altos níveis de estresse. A mulher cuja preocupação constante lhe causa problemas gastrintestinais é um exemplo didático de como a ansiedade e o estresse exacerbam problemas clínicos. Num comentário de 1993, nos Archives of Internal Medicine, sobre a extensa pesquisa sobre a correlação estresse-doença, Bruce McEwen, psicólogo de Yale, observou um largo espectro de efeitos: comprometimento do sistema imunológico a ponto de disparar a metástese do câncer; aumento da vulnerabilidade a infeções virais,; exacerbação na formação de placas que levam à arteriosclerose e à obstrução do sangue que causa enfarte do miocárdio; aceleração do início da diabete Tipo I e do curso da Tipo II; e piora ou provocação de uma crise asmática. O estresse também pode levar à ulceração do trato gastrointestinal, provocando sintomas como colite ulcerativa e doenças inflamatórias do intestino. O próprio cérebro está sujeito aos efeitos de longo prazo do estresse constante, incluindo danos ao hipocampo e, portanto, à memória. De um modo geral, diz McEwen, "crescem os indícios de que o sistema nervoso está sujeito a "desgaste e rompimento"como resultado de experiências estressantes. Indícios particularmente fortes do impacto clínico da perturbação vieram de estudos sobre doenças infecciosas como resfriados, gripes e herpes. Vivemos constantemente expostos a esses vírus, mas em geral nosso sistema imunológico os mantém à distância - só que, sob estresse emocional, essas defesas na maioria das vezes falham. Em experimentos nos quais a robustez do sistema imunológico foi avaliada diretamente, descobriu-se que o estresse e a ansiedade o debilitam, mas a maioria desses estudos não deixa claro se a gama de enfraquecimento imunológico tem significado clínico - ou seja, se é suficientemente grande para abrir caminho à doença. Por esse motivo, mais fortes ligações científicas entre tensão e ansiedade com vulnerabilidade clínica vêm de estudos em perspectiva: aqueles que começam com pessoas saudáveis e monitoram primeiro um aumento de perturbação, seguido por um enfraquecimento do sistema imunológico e o início da doença. ( Inteligência Emocional - Daniel Goleman, PhD ) - Vale ler esse livro.


Viajar ?

Os portadores da doença de Crohn podem viajar para onde quiserem. Precisam somente ter a mão alguns recursos, tais como; levar os remédios não só em quantidade suficiente para o tempo da viagem, como também ter um pouco a mais, caso seja necessário aumentar a dose. A mudança de fuso horário, hábitos alimentares, stress de viagem podem gerar a necessidade de se ter a dose de medicamentos aumentada, durante esse período; ter o telefone do médico assistente para qualquer eventualidade; ter por escrito a medicação que usa, no caso de ter que procurar um médico local.


Stress e Crohn ?

Cientistas já relacionaram o stress com a doença. A tensão emocional pode influir no curso da doença. O acompanhamento de um psicoterapeuta, com conhecimentos das enfermidades intestinais é muito recomendado, ajudando no controle da doença e até fazendo com que os sintomas desapareçam.


Fonte: http://www.geocities.com/hotsprings/8065/paginas/perguntas.html



Bactérias vindas do leite seriam a causa do Crohn? Será Verdade?

A paratuberculose por microbactérias provoca uma doença bovina conhecida como "Mal de Johne". Vacas diagnosticadas com esta doença têm diarreia e intensa eliminação fecal de bactérias. Estas bactérias multiplicam-se no leite, e não são destruídas pela pasteurização. Por vezes as bactérias vindas do leite passam a crescer no hospedeiro humano, e daí resulta a síndrome do intestino irritável, ou doença de Crohn.

Fonte: http://www.centrovegetariano.org/Article-73-Lactic%25EDnios%2Be%2Ba%2Bsa%25FAde.html

Paratuberculose é ameaça e prejuízo certo para o rebanho leiteiro

"A paratuberculose é a mais recente e perigosa ameaça à sanidade dos rebanhos leiteiros. Não tem cura, e sua presença já está confirmada em cerca de 22% das fazendas dos EUA", declarou a médica veterinária Patty Scharko, da Universidade de Kentucky-EUA, ao abordar o tema durante o 4º Simpósio Internacional sobre Produção Intensiva de Leite, evento realizado em julho último, em Caxambu- MG. Como especialista, ela disse que o mais preocupante, da também conhecida como Doença de Johnes, é sua ação silenciosa, pois quanto mais tempo ela passa despercebida, maior é o número de animais que se tornam infectados. "Cada caso clínico confirmado dentro de um rebanho pode representar até 15 outros em estágio subclínico".

Segundo sua definição, a nova doença apresenta-se como uma infecção bacteriana contagiosa que ataca o trato intestinal dos ruminantes. A bactéria Mycobaterium paratuberculosis é o agente transmissor, sendo capaz de se desenvolver principalmente no interior do organismo dos animais. Contudo, se o solo ou água estiverem contaminados com esta bactéria, ela será capaz de sobreviver por período de até um ano, dada a sua alta resistência ao frio, calor e ressecamento. A veterinária conta ainda que geralmente a vaca se infecta quando bezerra, através do contato com esterco, leite e colostro contaminados ou, então, durante a vida intra-uterina. Um quadro que faz com que os animais com menos de seis meses de idade sejam os mais susceptíveis.

Diante disso, é comum a doença se incubar, mostrando os sinais somente aos três anos de idade, geralmente após situações de estresse, como a parição. Sua ação contagiosa, que causa sérios danos ao intestino, tem como principais sintomas a diarréia, perda progressiva de peso, sem perder o apetite, e queda na produção de leite. Um estudo recente realizado pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos anuncia que os prejuízos com a doença chegam a uma redução de 25% na produção de leite, sem contar os custos veterinários e o descarte prematuro de fêmeas em período de produção. Outra chance de se ter contato com a doença é através de aquisição de animais adultos infectados, sem sinais clínicos evidentes. Dessa forma, o produtor só se vai dar conta quando surgirem os primeiros sintomas da doença.

As vacas infectadas são capazes de eliminar a bactéria através do leite e das fezes. O Mycobaterium paratuberculosis leva a um espaçamento da parede intestinal do animal, reduzindo a capacidade absortiva de nutrientes e promovendo uma disfunção intestinal. A bactéria é extremamente resistente ao sistema imunológico do hospedeiro, mostrando-se por enquanto incurável. De acordo com a veterinária Scharko, alguns tratamentos possíveis foram realizados em cabritos e ovelhas, mas se mostraram inviáveis pelo seu alto custo. "O melhor, então, é se voltar para a prevenção", anuncia. A doença tem sinais positivos em várias regiões dos EUA e países da Europa, além de mostrar uma prevalência crescente nos rebanhos leiteiros da Nova Zelândia e da Austrália. No Brasil, o primeiro estudo foi realizado no início deste ano, e os resultados foram alarmantes.

Como a doença se desenvolve no animal? A resposta, dada pela veterinária de Kentucky, divide a paratuberculose em quatro estágios. O primeiro, quando os animais apresentam uma infecção inaparente (sub-clínica), o que acomete quase sempre bezerras e novilhas. Essa fase é muito difícil de ser identificável por exames. O segundo estágio, que acomete novilhas mais velhas, faz com que estes animais ainda saudáveis eliminem as bactérias pelas fezes. Isso significa um sério risco para o rebanho, pois os resultados dos testes diagnósticos são bastantes inconsistentes, variando em função do número de microorganismos disseminados. No terceiro estágio, os animais apresentam sinais clínicos evidentes como diarréia aquosa aguda e sistêmica, e as perdas em produção de leite são bastante aparentes. O diagnóstico laboratorial é preciso nesta fase. Em caso positivo, o quarto estágio é irreversível, e, ao atingi-lo, o animal morrerá em três semanas.

A DOENÇA NÃO TEM CURA, MAS TRÊS SÃO OS TESTES PARA O DIAGNÓSTICO

O médico veterinário Christian Campos Pereira, que vem estudando a doença no campus de Pirassununga-SP, da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia USP, alerta para os produtores atentarem especialmente para o caráter subclínico ou inaparente da doença. Conta que alguns estudos estimam que, num rebanho de 100 vacas adultas, a presença de um quadro clínico avançado (estágio quatro), indica a existência de um a dois animais no estágio três; quatro a oito no estágio dois e 10 a 14 animais na fase um, ou seja, no início do quadro subclínico. "Isso significa que para cada caso clínico agudo tem-se de 15 a 25 animais infectados dentro do rebanho", estima. Lembra que a doença tem um aspecto perverso, ao apresentar a forma sub-clínica por um longo período nos estágios iniciais da infecção, o que determina uma limitação para identificação dos animais.

O diagnóstico para certificar a presença da Doença de Johnes pode ser feito através de três testes: cultura de fezes, teste de DNA nas fezes e sorologia. O primeiro é bastante demorado e requer até 16 semanas para se obter o resultado. Já a utilização do DNA recombinante nesse mesmo teste pode ajudar a identificar as bactérias nas fezes, mas é preciso que haja um número expressivo de microorganismos e a fase da doença não seja inicial. Respectivamente, custam em média R$30 e 45, por amostra. A sorologia, por sua vez, é a opção mais recomendada para identificar a presença de anticorpos contra o agente causador. A melhor opção é o Elisa (Enzyne Linked Immunoabsorbent Assay), um teste bastante rápido, tendo uma especificidade de 95 a 99%, ou seja, com poucas chances de apresentar falso positivo.

"Entretanto, apresenta aproximadamente 56% de sensibilidade nos casos sub-clínicos e 85% em casos clínicos, o que significa que pode haver um número considerável de falso negativo quando se estiver fazendo uma análise sorológica de todo rebanho", observa Scharko, explicando que desta forma alguns animais positivos nunca serão positivos neste exame. Por outro lado, considera que tais testes são muito bons para diagnosticar animais afetados clinicamente, podendo subestimar o número de animais em estágios iniciais de controle. Em termos práticos, o teste Elisa é adequado para se fazer um levantamento inicial da prevalência da doença na propriedade, podendo-se utilizar a cultura de fezes ou o teste de DNA para confirmar a presença do agente apenas em animais positivos. Nos EUA, o Departamento de Agricultura recomenda que os testes sejam feitos a partir do segundo ano, e o produtor não paga nada por eles.

Para o médico veterinário Pereira, da FMVZ-USP, o produtor deve ter em mente que a paratuberculose é uma doença altamente contagiosa e que as vacinas existentes são ainda muito ineficazes. "Por isso, o controle da doença e suas chances de erradicação do rebanho devem se basear em estratégias de manejo e descarte de animais positivos", ensina. Concordando com ele, Patty Scharko discorre sobre sua identificação e o descarte mais rápido possível. A propósito, orienta para que a compra de gado seja feita somente de rebanhos livres da doença, não permitindo que vacas positivas venham a parir na fazenda. Outro alerta: "O criador não deve emprestar touros para outras propriedades. Há o risco de contágio, e o agente transmissor pode ser transmitido através do esperma". Tal possibilidade implica que o touro deve ser submetido periodicamente aos testes que detectam a doença. Sugere ainda que todo o instrumental utilizado em inseminação artificial e transferência de embriões deve ser cercado da máxima assepsia possível.

MANTER O REBANHO FECHADO: A PREVENÇÃO MAIS EFICAZ

Princípios de higiene devem também ser aplicados em todos os espaços da propriedade. Os alimentos, antes de serem fornecidos, devem ficar distantes dos animais e jamais deve se usar o mesmo equipamento para manejar fezes e comida. Ao mesmo tempo, deve-se estar atento a possível contaminação fecal da fonte de água. Outra boa dica é reduzir o contato entre animais adultos e bezerros, o que significa inclusive não fornecer sobras da dieta de um para o outro. O tratador deve estar sempre de botas limpas ao trabalhar com os bezerros e, principalmente, seguir atentamente o que determina o programa previamente preparado para o controle específico da paratuberculose na fazenda. Para isso, cabe ao produtor convocar um veterinário que conheça as técnicas de manejo de prevenção da doença.

"A manutenção de um rebanho fechado é o melhor método para evitar a contaminação do rebanho" , ressalta Patty Scharko. Diz isso, levando em conta que os atuais métodos diagnósticos não conseguem detectar todos os animais positivos. Nos Estados Unidos, o Sistema Nacional de Monitoramento da Saúde Animal mostrou que 22% das propriedades leiteiras apresentavam pelo menos 10% de vacas infectadas com Mycobacterium paratuberculis. Os resultados apontaram que a prevalência está relacionada com o tamanho do rebanho. Cerca de 40% dos rebanhos com mais de 300 vacas tinham taxas de infecção de pelo menos 10%. O mesmo estudo apontou que cada animal infectado causa um prejuízo em produção de leite de US$227 por vaca/ano, além de significar perda de animais geneticamente valiosos, gastos veterinários e dificuldades na comercialização de animais.

No Brasil, o único experimento realizado sobre a presença da paratuberculose foi realizado no primeiro trimestre deste ano por pesquisadores da FMVZ-USP em propriedades dos municípios de Pirassununga, Descalvado e São Carlos, no interior paulista. Foram escolhidos 20 rebanhos especializados de diferentes sistemas de exploração. Ao todo, o estudo envolveu 403 vacas, com duas ou mais lactações, as quais foram submetidas ao teste Elisa, para identificar através do sangue a presença de anticorpos contra o agente transmissor da doença. O médico veterinário Christian Pereira, um dos coordena dores do estudo, revela que 153 dos animais da amostra apresentaram resultados positivos, ou seja, 38% estavam infectados. E pior: das 20 fazendas visitadas, apenas uma delas não apresentou nenhuma vaca com a doença. Uma outra apontou 75% de animais infectados com o agente.

"O resultado é alarmante, mas deve-se considerar que é apenas o primeiro levantamento feito no país", observa o veterinário. Lembra, no entanto, que uma fazenda gaúcha de leite tipo A, próxima a Porto Alegre, encerrou as atividades no ano passado em virtude da disseminação da doença em seu rebanho Holandês. Destaca ainda que, ao contrário do que se pensa, a doença não é recente. "O primeiro registro de paratuberculose é datado de 1895, na Alemanha. Hoje, ela está espalhada no mundo inteiro, mas a mídia veterinária só veio valorizá-la nos últimos cinco anos", observa. Talvez por isso, muitos produtores e também veterinários ainda tenham dificuldades de identificar seus sintomas dentro do rebanho, confundindo-a com outras enfermidades.

Por exemplo, paratuberculose nada tem a ver com a tuberculose. Seus agentes causadores são diferentes. No primeiro caso, a ação se dá pelo Mycobacterium paratubeculosis, que se aloja no intestino, gerando diarréia e perda de peso, enquanto no segundo, pelo Mycobacterium tuberculosis, que se estabelece no pulmão, promovendo problemas respiratórios. O estudo da FMVZ-USP deve ter prosseguimento ainda este ano, voltando-se agora para o isolamento do agente infeccioso e para a identificação de novas recomendações de manejo que orientem a prevenção. Uma delas foi sugerida por Scharko, ao apontar experimentos realizados em Michigan (EUA), cujos resultados indicaram que a redução dos níveis de ferro no solo, elevando-se o pH, contribui para que as bactérias tenham dificuldades para se multiplicarem.

Por outro lado, Pereira lembra que a potencial ligação da paratuberculose com a Doença de Crohn, que acomete o homem, tem perturbado a comunidade científica. "O M. paratuberculosis tem sido isolado em 70% dos pacientes humanos com a Doença de Crohn, que é caracterizada por sintomas muito parecidos com os da doença de Johne, como diarréia e perda de peso", explica. A semelhança entre os dois processos patológicos não se resume apenas à sintomatologia, mas também à epidemiologia, pois ambas são de caráter crônico, promovendo lesões teciduais graves no epitélio intestinal, com os sinais iniciais nos primeiros anos de vida. "Se realmente houver uma relação direta entre as duas doenças, pode acontecer o mesmo que vem ocorrendo com a síndrome da vaca louca. Muitas pessoas vão deixar de beber leite, comer carne, e os prejuízos mais uma vez vão afetar os produtores", alerta a veterinária de Kentucky.

Mais informações sobre a Doença: ccpereira@yahoo.com

FONTE:
Revista Balde Branco – Número 419 – Set/99

R Gomes Cardim, 532 – CEP 03050-900 – São Paulo-SP

Dietoterapia e Doença de Crohn

O tratamento da Doença de Crohn é individualizado de acordo com as manifestações da doença em cada paciente. Como não há cura, o objetivo do tratamento é o controle dos sintomas e das complicações.

Não existe um padrão dietético para pacientes com Crohn, mas alguns parâmetros nutricionais podem auxiliar os pacientes a evitar erros na dieta. Doces e frutas em compota com alto grau de açúcar exacerbam a atividade da doença em muitas pessoas. Pão branco, pão de forma e comidas altamente condimentadas não fazem parte da dieta para pacientes com doença de Crohn e deveriam ser substituídos por alimentos com alta quantidade de fibras. Importantes fontes de fibra podem ser encontradas em pão integral e em muitos tipos vegetais. As fibras vegetais auxiliam as funções intestinais.

Entretanto, nos casos de constricção intestinal ( redução da luz intestinal ou estenose ); uma dieta pobre em fibras deve ser seguida.

Médicos e nutricionistas precisam estar atentos à possibilidade de má nutrição, que pode ocorrer no ataque inflamatório ou mesmo no curso crônico da doença.

Uma deficiência protéica pode ocorrer:

- Na presença de dieta desbalanceada ou quando o paciente se recusa a se alimentar por causa do medo da dor.
- Segmentos inflamados do intestino falham na absorção adequada de nutrientes.
- Secreções inflamatórias com alta quantidade protéica são excretadas através do intestino.
- Aumento da excreção protéica por envolvimento renal.

Uma deficiência de ferro ocorre como resultado de perda sangüínea severa. Entretanto, mesmo na fase crônica da doença pode ocorrer distúrbio na utilização do ferro. Ele é um elemento muito importante na formação do sangue e no transporte de oxigênio. Por essa razão a dosagem regular e anual de ferro no sangue é necessário.

Devido a perda de fluídos propiciada pela diarréia, distúrbios do metabolismo de água eletrólitos podem ocorrer. Estas perdas devem ser repostas pela dieta e por líquidos contendo eletrólitos.


Alimentos Permitidos

- arroz;
- purês;
- carnes magras;
- legumes cozidos;
- ovo cozido;
- gelatina;
- banana maçã;
- maçã;
- chuchu;
- mandioquinha;
- batata;
- cenoura;
- abobrinha;
- espinafre, agrião;
- óleo de peixe, sardinha, atum, salmão.

** As refeições devem ser freqüentes e de pequeno volume. Para obter as quantidades adequadas de cada um dos alimentos citados, consulte seu(sua) nutricionista.

Alimentos Restringidos

- feijão;
- verduras cruas;
- mamão, pêra, laranja, ameixa;
- leite, iogurte, queijos;
- mel;
- aveia;
- carne de porco, lingüiça, salsicha;
- carnes gordas, banha;
- biscoitos amanteigados, doces folhados, chocolate;
- frituras, gratinados, preparações sauté, maionese;
- pratos prontos, industrializados;
- manteiga, margarina, creme de leite.

Fonte: http://www.nutricaoativa.com.br/conteudo.php?id=185
27/03/2007 - 23:13. Por Francine Sarturi Prass.

Maçã na gravidez 'pode reduzir risco de asma em bebês'

Bebês de mães que comem muita maçã durante a gravidez têm menos chance de desenvolver asma, segundo estudo feito por uma universidade escocesa.

Os pesquisadores da Universidade de Aberdeen entrevistaram duas mil grávidas sobre os hábitos alimentares delas e depois acompanharam a saúde dos filhos por cinco anos.

Eles constataram que mães que comeram quatro ou mais maçãs por semana eram menos predispostas a ter um filho asmático do que aquelas que comeram a fruta menos de uma vez por semana.

O estudo foi apresentado na conferência da Associação Torácica Americana.

Peixe e eczema

A pesquisa também sugere que comer peixe durante a gravidez diminui os riscos de a criança desenvolver eczema.
Os filhos de mulheres que tenham comido pelo menos uma porção por semana de qualquer tipo de peixe durante a gravidez, cortaram pela metade o risco de desenvolvimento de eczema, pelas crianças, nos primeiro cinco anos de vida.

O estudo não fornece nenhuma indicação consistente sobre os motivos para maçãs e peixes terem estes efeitos positivos sobre a saúde das crianças. Nenhuma outra comida parece estar ligada a quedas nos índices de asma e eczema.

No entanto, nutricionistas e médicos já sabem há muito tempo que a maçã pode ter efeitos positivos sobre a saúde pulmonar dos adultos, possivelmente por conta de suas propriedades antioxidantes. E peixes – particularmente aqueles mais oleosos – contém o elemento Ômega 3, que também tem aparentes efeitos positivos sobre a saúde.

Mas pesquisadores sabem que é uma tarefa muito difícil revelar as ligações entre dieta materna e saúde do bebê, devido ao grande número de outros fatores que influenciam no desenvolvimento da criança.

Vitaminas

O projeto da Universidade de Aberdeen – financiado pela entidade beneficente “Asma no Reino Unido” já tinha, no passado, revelado uma conexão entre a ingestão de vitaminas durante a gravidez e a redução nos aparecimento da asma em bebês.

Desta vez, eles admitem que a ligação entre maças e asma não é suficiente para provar em definitivo que o consumo da fruta diminui a incidência da doença, mas é um forte argumento a favor de uma dieta balanceada durante os meses de gravidez.

“Pode haver outros fatores na saúde dos fetos destas mulheres que comem bastante maçã mas claramente há uma associação (entre a doença e o consumo da fruta)”, disse um dos líderes da equipe de pesquisadores, Graham Devereux.

“E certamente é bem menos polêmico aconselhar mulheres a comerem mais fruta do que sugerir que elas tomem mais vitaminas”, conclui.

Saiba por que o chocolate faz bem

Desde a infância, a comemoração da Páscoa vem associada ao consumo de chocolate. Quase sempre, pelo que significa a data, na forma de ovos. Consumido com moderação, o chocolate traz benefícios tanto ao corpo quanto à mente, pois transmite sensação de prazer, promovendo o bem-estar e aliviando tensões.

A responsável é a feniletilamina, que estimula a produção de serotonina, substância naturalmente presente no cérebro, sedativa, calmante e que melhora o humor. Indiretamente, o coração também é beneficiado pelo chocolate, pois a presença do ácido oléico existente no cacau ajuda a controlar os triglicérides (gorduras) e aumentar o bom colesterol (HDL).

E a presença de substâncias antioxidantes (flavonóides) ajuda a combater os radicais livres, que em excesso, comprometem o bom funcionamento do organismo e aceleram o envelhecimento. Nesse quesito, o chocolate preto supera em muito o chá verde, também muito consumido pela sua potencialidade antioxidante. Mesmo assim, o consumo excessivo pode ser prejudicial à saúde. Nesse sentido, vale citar Hipócrates, o patrono da Medicina, que há séculos atrás aconselhava: "Faz da comida o teu remédio”. Ou, “Somos aquilo que nós digerimos”, segundo o Ayurveda.

Os exageros de consumo do chocolate, especialmente o branco pela maior concentração de lactose e gorduras saturadas presentes no leite, podem causar enxaquecas, irritações na pele, no estômago e na mucosa intestinal.

Por ser extremamente calórico, recomenda-se aos obesos o consumo moderado e aos diabéticos a observação que devem consumir apenas os produtos especialmente para eles preparados. Para as pessoas obesas, o consumo deve ser moderado, por conta de seu alto valor calórico e gorduras. Pessoas acometidas de intolerância a lactose ou a algum componente da fórmula devem evitar a ingestão dos chocolates ao leite. Assim, é indicado que, para os intolerantes à lactose e os pacientes diabéticos, o consumo seja de chocolates e ovos de páscoa especiais.


Escolha saudável

Uma excelente e saudável alternativa pode ser encontrada no chocolate de soja, 100% vegetal, feito com extrato de soja, sem lactose ou glúten. É especialmente indicado para vegans, pessoas com intolerância à lactose e celíacos (pessoa intolerante ao glúten, proteína encontrada na aveia, cevada). A soja é rica em proteínas de boa qualidade, possui ácidos graxos poliinsaturados e compostos fitoquímicos como isoflavonas, saponinas, fitatos, dentre outros. Também é uma excelente fonte de minerais, como cobre, ferro, fósforo, potássio, magnésio, manganês e vitaminas do complexo B. “Outra opção é a alfarroba, vagem utilizada no lugar do cacau. Tem apenas 0,7% de gordura, é rica em fibras e não contém cafeína, glúten ou lactose,” afirma a nutricionista do Mundo Verde Alessandra Toledo. Tem de todo o tipo e para diferentes gostos. Fique atento aos valores calóricos e boa Páscoa!

Em 100g:
Tipos de chocolate - Energia (Kcal)
Ao leite - 540
Amargo - 537
Meio amargo - 550
Branco - 550
Diet - 480


Fonte: Sociedade Brasileira de Nutrição Parenteral e Enteral (SBNPE).

Fármaco para Artrite Reumatóide eficaz no tratamento da Doença de Crohn

Resultados de um ensaio clínico demonstraram que o fármaco certolizumab pegol, da UCB SA, para a Artrite Reumatóide, mostrou-se eficaz no tratamento de pacientes com Doença de Crohn que são intolerantes ou que já não respondem ao infliximab.

O fármaco foi aprovado como tratamento para a Doença de Crohn na Suíça em Setembro de 2007. Contudo, em Novembro, o Comité de Medicamentos de Uso Humano (CHMP), da Agência Europeia do Medicamento (EMEA), adoptou uma opinião negativa relativamente à tentativa da UCB conseguir que o fármaco fosse aprovado para esta indicação. A companhia apresentou um recurso e é esperada uma decisão ainda em 2008.

Em comunicado de imprensa, a companhia reforça os dados do ensaio clínico "WELCOME" de Fase IIIb, com 539 pacientes. A empresa refere que, às seis semanas demonstraram que o fármaco certolizumab pegol, “primeiro e único anti factor de necrose tumoral (TNF) alfa peguilado”, foi efectivo em 61% dos pacientes, tendo 39% apresentado uma remissão.

Os resultados foram apresentados no 3º Congresso Anual da Organização Europeia da Doença de Crohn e Colite Ulcerosa (ECCO).

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

Descoberto gene chave da doença de Crohn

Judy Cho assinala mudanças na compreeensão de variações genéticas

:: 2006-10-27


Investigadores norte-americanos e canadianos d escobriram um gene chave da doença de Crohn - uma inflamação abdominal crónica rara em Portugal - que poderá abrir caminho a tratamentos mais eficazes para a combater, indica hoje a revista Science. A descoberta explica um importante mecanismo inflamatório que muda a compreensão das doenças ligadas a variações genéticas, segundo Judy Cho, professora de medicina e genética na Universidade de Yale (Connecticut), e co-autora da investigação.



Enquanto a maioria das variações do gene em causa está fortemente associada à doença de Crohn, uma delas parece conferir uma protecção importante contra a infecção, assinalou. Este avanço permite definir um alvo para o desenvolvimento de novos medicamentos que poderão ajudar a controlar melhor a doença de Crohn ou retocolite hemorrágica.

"Esta doença afecta profundamente a qualidade de vida dos pacientes", explicou Richard Duerr, professor de medicina na Universidade de Pittsburgh (Pensilv ânia). Além disso, acrescentou, "a doença de Crohn afecta muitas vezes membros de uma mesma família em certas comunidades, como os judeus asquenazes (de origem leste-europeia), o que levou a pensar que se trataria de uma disfunção genética".

"Esta descoberta importante faz realçar o potencial oferecido pelo projecto do genoma humano para compreender as causas de doenças complexas e desenvolver tratamentos mais eficazes", sublinha um comunicado do departamento de doenças do sistema digestivo dos Institutos Nacionais de Saúde (NIH) dos Estados Unidos, que financiou este projecto de investigação.

A doença de Crohn pode afectar todo o tubo digestivo, especialmente o íleo , o cólon e a região anal, e ser acompanhada de manifestações extra-intestinais (articulares, cutâneas, oculares...) e até de localizações extra-digestivas.

As principais manifestações clínicas são sobretudo dores abdominais e diarreia que pode durar semanas ou meses, por vezes com complicações graves, como oclusões e perfurações intestinais que requerem intervenção cirúrgica. Considerada rara em Portugal, esta doença afecta mais de um milhão de nort e-americanos.

DOENÇA DE CROHN

A doença de Crohn é uma doença crônica, uma doença digestiva inflamatória de repetição. O trato intestinal tem 4 partes principais: o esôfago, o estômago, intestino fino, cólon e o reto. Os dois principais locais da doença de Crohn são o íleo (que corresponde à última porção do intestino fino), e no cólon (intestino grosso). A condição começa como um pequeno, microscópico ninho de inflamação no revestimento intestinal que persiste e pode progredir para uma úlcera e a parede do intestino tornar-se espessa. Eventualmente, o intestino pode tornar-se estreitado ou obstruído e a cirurgia pode ser necessária.

QUAIS SÃO AS CAUSAS DA DOENÇA
Há evidências genéticas que a doença de Crohn freqüentemente se apresenta em grupos familiares. Acrescentando, há evidências que uma bactéria anormal cresce na porção inferior do intestino, e desta maneira age promovendo inflamação. O sistema imune do organismo produz anticorpos que protegem contra diferentes tipos de infecção, mas por causas desconhecidas, este mesmo anticorpo age contra o intestino. Ainda há um numero desconhecido de causas da doença. Felizmente a maioria das causas são conhecidas e especialmente seus tratamentos. Em negros o risco é diminuído, que indica o elo genético desta doença.

SINTOMAS
Os sintomas dependem do local do trato digestivo onde a doença aparece. Quando o íleo é envolvido, a dor mais freqüente é na parte inferior direita do abdômen. Algumas vezes, simula uma apendicite aguda. Quando o cólon é o local, diarréia (algumas vezes com sangue), pode ocorrer, com febre e perda de peso. A doença de Crohn pode afetar a área anal, formando uma complicação chamada fístula. Quando a doença está em atividade, indisposição e letargia aparecem. Em crianças e adolescentes há dificuldade de ganho ou manutenção de peso.

DIAGNÓSTICO
Não há qualquer exame diagnóstico conclusivo para doença de Crohn. A queixa do paciente e o exame do médico sempre ajudam. Certos tipos de exame de sangue e fezes são úteis para se chegar ao diagnóstico. Os raios-X do intestino delgado e cólon usualmente são solicitados. A colonoscopia (endoscopia do intestino) é freqüentemente a melhor maneira de diagnosticar o problema, quando a doença está no cólon.

COMPORTAMENTO DA DOENÇA E COMPLICAÇÕES
A desordem geralmente permanece silenciosa e facilmente controlada por longos períodos. Na maioria das pessoas com a doença continuam com o propósito de conseguir seus objetivos na vida, na escola, no casamento, na família e no trabalho com poucas limitações ou inconveniências. Alguns problemas, fora do intestino podem ocorrer. Artrites, olhos e problemas na pele (em raras circunstâncias), doença crônica no fígado. Como citado anteriormente, a doença pode ocorrer na região anal. Estas são a fissura (freqüentemente dolorosa) e a fístula. Quando a inflamação persiste no íleo ou cólon, um estreitamento e uma obstrução parcial pode ocorrer. Nesta situação, a cirurgia é requerida para tratar deste problema. Quando a doença de Crohn está presente por muitos anos há um aumento do risco de câncer.

TRATAMENTO
O tratamento da doença pode ser com medicamentos ou cirúrgico. É particularmente importante manter-se saudável através de uma nutrição balanceada e exercícios adequados. Os seguintes medicamentos são utilizados:
A- Corticóide: é uma droga poderosa que proporciona um efeito eficaz. Inicialmente, é utilizada uma dosagem alta para controlar a doença quando os sintomas são severos. Após o controle dos sintomas, a droga é gradativamente diminuída e há manutenção com baixa dosagem. Há possibilidade de parar totalmente a utilização da droga. Este medicamento é administrado por comprimidos ou enema. O nome genérico é predinisona.

B- Drogas antiinflamatórias: Sulfasalazina (azulfidine) pertence ao grupo 5 - aminosalicilados. Estas drogas são úteis quando a pessoa está sem sintomas, uma vez que mantém a doença sob controle. Eles são mais eficazes quando a doença está presente no cólon. São disponíveis em preparações orais e enema.

C- Supressores do sistema imunológico: Estas medicações suprime o sistema imunológico, que parece ser um fator agravante, importante para a doença. O nome dos dois medicamentos mais usado são azatioprina e 6mp. Estas drogas são utilizadas por longo tempo. Há outras drogas mais potentes que podem ser usadas em casos mais difíceis.

D- Antibióticos: desde que há freqüentemente infecção bacteriana associada, os antibióticos são freqüentemente usados para o tratamento deste problema. Dois medicamentos são comumente utilizados: ciprofloxacina e metronidazol.

DIETA E EMOÇÕES
Não há alimentos conhecidos que agridem o intestino. Entretanto, durante a fase aguda da doença muita fibra, leite e derivados podem aumentar a diarréia e a cólica. O paciente é aconselhado a comer uma dieta balanceada com adequada proteína e caloria. O seu médico pode lhe recomendar suplementos multivitamínicos e ferro. Stress, ansiedade e emoções extremas pode agravar os sintomas mas não causar ou piorar a doença.

CIRURGIA
A cirurgia é comumente necessária durante o curso da doença de Crohn. Pode envolver a remoção de uma porção do intestino, ou simples drenagem de um abscesso ou fístula. O princípio que guia o tratamento é para realizar o mínimo possível de cirurgia. A cirurgia não cura a doença de Crohn.

RESUMO
Muitas pessoas com doença de Crohn vivem com poucas restrições. Embora não é conhecida a causa da desordem, pode ser controlada com tratamentos atuais. Em exceções o curso da doença pode ser mais difícil e complicado, necessitando de vários exames e múltiplas terapias. A cirurgia algumas vezes é necessária. Em todos os casos o acompanhamento médico é essencial para tratar a doença e prevenir as complicações que podem aparecer.


"Trabalhar mais de 40 horas semanais faz mal à saúde, diz estudo"

Uma pesquisa do governo de Barcelona concluiu que uma jornada de trabalho de mais de 40 horas semanais causa danos físicos e emocionais à saúde, principalmente no caso das mulheres.

O estudo, que será publicado nesta semana na revista Scandinavian Journal of Work, Environment & Health, indicou que o excesso de horas de trabalho tem conseqüências como ansiedade, depressão e problemas cardíacos.

Os pesquisadores acompanharam 2.792 pessoas de diversas profissões e classes sociais durante um ano.

A Agência de Saúde Pública de Barcelona concluiu que as mulheres são as mais prejudicadas porque acumulam mais funções entre casa e trabalho e "emocionalmente respondem pior à pressão".

Sono e ansiedade

De acordo com os cientistas, uma longa jornada de trabalho, a partir de 40 horas por semana, afeta os homens principalmente por meio de distúrbios no sono.

Já as mulheres mostram mais sintomas como hipertensão, ansiedade, aumento de probabilidade de fumar, restrição de outras atividades de ócio e de prática de exercício e uma insatisfação geral. Também foram observados transtornos psíquicos e hormonais.

A pesquisa chamada Perspectiva de gênero na análise da relação entre longas jornadas de trabalho, saúde e percepção do próprio estado de saúde, demonstrou que os homens têm cargas horárias maiores: 30,4% deles disseram trabalhar por mais de 40 horas, contra 17,1% de mulheres.

Mas as trabalhadoras dividem mais o tempo entre as tarefas domésticas e o trabalho fora de casa: 34,4% contra 9,2% de homens.

Classe

Em relação ao nível sócio-econômico, as mulheres de classes mais baixas são as que trabalham mais horas.

No caso dos homens é o contrário. Quanto mais alto o cargo de responsabilidade e o status salarial, maior é a carga horária. Na mesma proporção aumentam os riscos de problemas de saúde, já que segundo o estudo, são trabalhadores que dormem menos de seis horas ao dia.

Horas extras e falta de condições adequadas (baixos salários, excesso de pressão, carência de materiais, ambiente ruim) afetam a saúde das mulheres de pior qualificação profissional, principalmente do setor de serviços, segundo a pesquisa.

"As funcionárias de comércios, pequenas empresas, indústrias, bares e restaurantes são o coletivo mais vulnerável que precisaria de maior atenção pública em atividades de prevenção", afirmaram os cientistas.

O estudo indicou ainda que as mulheres separadas e divorciadas triplicam as horas de trabalho comparadas com os homens no mesmo estado civil.

Fonte: BBC Brasil 09/03/2008

Doença de Crohn - Dr. Drauzio Varela entrevista Dr. Aytan Sipahi


Dr. Aytan Sipahi é médico gastroenterologista , chefe do Grupo de Intestino do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo.

Doença de Crohn

Durante milhões de anos, nosso sistema imunológico de defesa foi preparado pela evolução para atacar todos os agentes estranhos que penetrem em nosso organismo e para proteger o que é próprio de cada um de nós.
Certas alterações nesse sistema provocam mudanças nessa regulação de tal forma que as células imunológicas se confundem e passam a agredir os tecidos que deveriam proteger.
É mais ou menos isso que acontece com a doença de Crohn, descrita pelo médico Burril B Crohn, em 1932. Células imunologicamente ativas acabam agredindo o aparelho digestivo, da boca até o ânus, em especial a parte inferior do intestino delgado (íleo) e o intestino grosso (cólon) provocando lesões importantes das quais as mais freqüentes são aumento da velocidade do trânsito intestinal, diarréia, esfoliação, dificuldade para absorver os nutrientes e enfraquecimento.

Características da doença

DrauzioO que caracteriza a doença de Crohn

Aytan Sipahi – A doença de Crohn compromete todo o trato digestivo, da boca ao ânus. Advém de um processo inflamatório extremamente invasivo que acomete todas as camadas da parede intestinal: mucosa, submucosa, muscular e serosa.
A doença de Crohn é provocada por desregulação do sistema imunológico, ou seja, do sistema de defesa do organismo. No organismo normal, células que fazem parte desse sistema, os linfócitos, assumem certo estado de vigilância e controlam o processo inflamatório. Na doença de Crohn, em virtude do comprometimento dessa função celular, que implica mediadores inflamatórios e imunidade adquirida, o processo inflamatório passa a ser intenso, provocando lesões no aparelho digestivo.

Drauzio Esse sistema imunológico extremamente alterado vai agredir o próprio organismo.

Aytan Sipahi – É o oposto do que acontece com o HIV. Paciente com HIV tem CD-4 baixo (linfócitos que coordenam a resposta imunológica). Na doença de Crohn, CD-4 está estimulado. Atualmente se imagina que, por predisposição genética, quando o organismo entra em contato com substâncias estranhas, ou antígenos, que podem existir numa bactéria da flora normal do intestino humano, esse sistema imunológico seja muito estimulado.

DrauzioQuando tem contato com uma bactéria que entra pelo aparelho digestivo, a pessoa normal destrói a bactéria e, pronto, está acabada a resposta imunológica. Na doença de Crohn, haveria uma resposta exagerada que agridiria não só a bactéria, mas o aparelho digestivo?

Aytas Sipahi - Na pessoa normal, a membrana da bactéria estimula uma resposta inflamatória de defesa e, posteriormente, um processo de tolerância. O organismo acaba não reconhecendo a bactéria como corpo estranho e se acostuma a conviver com ela.
Na doença de Crohn, não existe esse processo de tolerância. O organismo desencadeia a desregulação do sistema imunológico que leva à agressão das paredes do trato digestivo. É interessante notar que pacientes infectados pelo HIV melhoram do Crohn, portanto, quando estão com a resposta imunológica debilitada. Isso prova que a doença de Crohn ocorre mesmo por desregulação do sistema imunológico.

Fatores de risco

Drauzio Você disse que há fatores genéticos envolvidos na doença de Crohn. Há famílias com mais casos da doença?

Aytan Sipahi – A probabilidade de uma pessoa que têm um parente com Crohn apresentar a doença é de 10% e aumenta um pouco se o parentesco for pelo lado materno. Nos gêmeos homozigotos, por exemplo, se um deles apresentar a doença, em quase 85% dos casos, o outro também terá Crohn.
Já se contatou que uma alteração no gene Nod-2 Card 15 do cromossomo 16 determina a produção de uma proteína que, nos monócitos (células de defesa), produz hiper-sensibilidade de resposta às bactérias do próprio trato digestivo. Está provado também que nem todos os pacientes com doença de Crohn apresentam essas mutações gênicas. Por isso, a discussão hoje é saber se existe uma ou várias doenças de Crohn, uma vez que as alterações dos genes que determinam a resposta inflamatória são extremamente complexas.

Drauzio Quais os outros fatores de risco para a doença de Crohn?

Aytan Sipahi - Sabe-se que nos países nórdicos, norte da Itália, Canadá, Estados Unidos e nos judeus que foram para Israel, a incidência de Crohn é mais elevada. Isso faz supor que, além da predisposição genética, certas etnias e condições ambientais sejam também fatores de risco.

DrauzioApesar de fatores genéticos guardarem relação com a doença e a suspeita recair especificamente sobre determinados genes, sozinhos eles não explicam sua ocorrência. Quais são os fatores ambientais que também exercem influência?

Aytan Sipahi – Crohn é uma doença dos grandes centros urbanos também relacionada com o uso de xenobióticos, tais como conservantes, corantes para alimentos, pesticidas, etc. Nas pessoas com predisposição genética, essas substâncias que no Brasil são adicionadas à comida em grande quantidade porque não existe vigilância sanitária capaz de deter os abusos, podem estimular o sistema imunológico e provocar a eclosão da doença. Fala-se, ainda, que o uso de estrógeno estaria entre os fatores desencadeantes, mas isso ainda não foi cientificamente comprovado. Não se discute, porém, que a incidência de Crohn é mais alta nos fumantes do que nos não-fumantes.
Embora não comprovados, há outros dois fatores interessantes a mencionar. O primeiro é a “teoria do sujinho”. Em Londres, quando melhoraram as condições de higiene graças à construção de banheiros e à maior oferta de água para banho, as crianças deixaram de entrar em contato com os antígenos na infância e não desenvolveram sistema de tolerância eficiente nessa fase, o que justificaria a maior incidência de doença de Crohn. O outro foi observado na Alemanha. A incidência da doença aumenta entre as pessoas que trabalham em ambientes fechados, como os cabeleireiros, por exemplo. A hipótese é que, nesse caso, a menor exposição aos antígenos retarda o desenvolvimento do processo de tolerância e a pessoa fica mais suscetível à enfermidade.

DrauzioA doença é mais comum em homens ou em mulheres?

Aytan Sipahi – A doença afeta praticamente número igual de homens e mulheres. Talvez, um pouco mais de mulheres do que de homens.

Sintomas

Drauzio Quais são os principais sintomas da doença de Crohn?

Aytan Sipahi – Os principais sintomas são diarréia, às vezes, sinais de muco ou sangue, dor abdominal, febre, emagrecimento. No exame clínico, aparece massa palpável na fossa ilíaca do quadrante inferior direito do abdômen, porque a doença compromete mais o íleo terminal (85% dos casos) e o cólon.
Os pacientes podem apresentar também manifestações à distância, como dores articulares, aftas, lesões de pele do tipo pioderma gangrenoso (ferida com a aparência de um vulcão) e eritema nodoso (doença que provoca ligeira lesão vermelha na sub-epiderme) e uma inflamação dos olhos chamada uveíte.
Outra complicação são as fístulas, perfurações no intestino que podem drenar para a região perineal, para a vagina e para a bexiga urinária. Às vezes, podem ocorrer pneumatúria (gases na bexiga) e presença de fezes na urina. Na verdade, 30% dos pacientes com doença de Crohn formam fístulas.

Prevalência da doença

DrauzioO número de casos de doença de Crohn é maior no momento porque aumentou a eficácia do diagnóstico ou porque a população está mesmo ficando mais doente?

Aytan Sipahi – Essa é uma resposta que ainda não temos. Se considerarmos serviços como o da Faculdade de Medicina de Belo Horizonte (MG), Juiz de Fora (MG), Ribeirão Preto (SP), centros de referência como o Hospital das Clínicas que atende pessoas do Brasil todo, veremos que vem aumentando o número de pacientes em atendimento ambulatorial. Em Ribeirão, foi feito um trabalho com os pacientes admitidos no hospital-escola que demonstrou ter havido aumento de casos de doença inflamatória.
Pergunta-se, então, qual é a prevalência da doença de Crohn? Na Europa e nos Estados Unidos, de 10 a 40 em cada 100.000 habitantes desenvolvem a doença. Na Austrália e na América do Sul esse número é menor. A América do Sul, aliás, é conhecida por existirem poucos casos, mas ainda não temos dados que fundamentem essa suposição. Como é uma doença que, na maior parte das vezes, exige internação em hospital, a casuística hospitalar ajuda a calcular a freqüência.

Drauzio Qual é a situação do Brasil em relação à doença de Crohn?

Aytan Sipahi - Antigamente, a incidência da doença de Crohn era menor nos países da América do Sul. Hoje, pelo menos no Brasil, é uma enfermidade mais freqüente. Não podemos dizer, porém, que tenha aumentado o número de casos, pois só agora foi criado um protocolo nacional em que serão inseridos os dados de todos os grupos que estudam essa doença no país e as informações dos serviços especializados. Só assim será possível determinar a real prevalência da doença de Crohn em nosso país.

Grupo etário vulnerável

Drauzio Em que idade a doença costuma instalar-se?

Aytan Sipahi – A doença se instala normalmente entre os 20 e os 40 anos, mas pode ocorrer também entre os 50 e os 80 anos. No Hospital das Clínicas, a idade média dos pacientes é 25 anos. Por isso, Crohn é considerada uma doença bimodal, ou seja, com dois picos de incidência. Já foi também descrito aumento de casos em adolescentes e em crianças de quatro ou cinco anos.
Não há dúvida de que a freqüência da doença de Crohn está aumentando e os casos ficando mais graves. Nos Estados Unidos é um problema de saúde pública. Quase 600.000 pessoas são portadoras da doença. Embora de baixa mortalidade (os serviços de óbito dificilmente a registram como causa mortis), é de alta morbidade. Os pacientes necessitam de internação hospitalar e de tratamentos sofisticados. Hoje, existem drogas caríssimas que interferem no processo inflamatório.

Diagnóstico

Drauzio Como é feito o diagnóstico da doença de Crohn?

Aytan Sipahi – Como a doença de Crohn pode comprometer todo o aparelho digestivo, é preciso localizar as partes acometidas pela doença. Para examinar esôfago e estômago - apenas 2% ou 3% dos casos ocorrem nessa região - podemos contar com a endoscopia digestiva alta. Já a colonoscopia permite ver o cólon e o limite entre o ceco e o íleo, parte terminal do intestino delgado onde ocorrem 80% das lesões (ulcerações serpiginosas que caminham lineares ou aftóides que têm um halo ao redor). Depois, lançamos mão de outro exame de imagem: raios X do trânsito intestinal. A pessoa toma contraste baritado e seu trajeto pelo intestino vai sendo acompanhado para localizar possíveis lesões. Por fim, podemos recorrer à tomografia, um método mais caro, mas que dá informações não só sobre o interior da alça intestinal, mas também sobre a parede, se está espessada, com gânglios ou alterações da gordura ao redor das alças intestinais.
Em última instância, quando o exame de raios X não localiza lesões, podemos recorrer a uma sofisticada cápsula endoscópica que bate 5.000 fotografias. A pessoa ingere a cápsula, que vai fotografando por onde passa. Depois é feito um software para estudo detalhado. Esse método facilita o diagnóstico de lesões típicas da doença de Crohn, como a angiodisplasia, ou seja, a alteração dos vasos sangüíneos na parede interna do tubo digestivo.
Alguns exames de sangue também são fundamentais para determinar anemia por deficiência de ferro, proteínas da fase reativa ligadas ao processo inflamatório e se há albumina suficiente para evitar a desnutrição.
Se todos esses exames não bastarem para esclarecer o diagnóstico e houver séria suspeita de que o paciente tem doença de Crohn, pode-se realizar uma intervenção cirúrgica para olhar diretamente a região afetada.

Drauzio
A desnutrição é provocada basicamente pela diarréia...

Aytan Sipahi – Pela diarréia e porque a doença interfere em todo o processo de absorção dos alimentos. Podem ocorrer comprometimentos em várias áreas do organismo como o pâncreas, no processo linfático de absorção da gordura, nos enterócitos que absorvem os alimentos, nos sais biliares que facilitam a emulsificação das gorduras. Além disso, o crescimento bacteriano anômalo pode provocar estenoses (diminuição do diâmetro) do intestino delgado, dificultando a passagem dos alimentos.
Do diagnóstico preciso depende a terapêutica e o tratamento da doença.

Tratamento

Drauzio Feito o diagnóstico, como se orienta o tratamento?

Aytan Sipahi – O tratamento pode ser feito em etapas. Existe um sistema de mensuração da atividade da doença baseado no número de evacuações, dor abdominal, indisposição geral, ocorrência de fístulas e de manifestações patológicas à distância, que permite classificar a doença em leve, moderada ou grave. Se a doença é leve, o clínico apenas acompanha a evolução do paciente.
Toda a terapêutica, porém, se volta para reprimir o processo inflamatório desregulado. Com o objetivo de debelá-lo, são primeiro introduzidas as drogas mais comuns: mesalasina, sulfassalazina e dois antibióticos, ciprofloxacina e metrinidazol. Nas fases agudas, indica-se corticóide por via oral ou um corticóide novo, a budezonida, que não tem efeitos colaterais e sistêmicos indesejáveis. Essa substância está contida numa cápsula que, sob certas condições do trato digestivo, se abre e a droga age apenas no local onde foi liberada.
Se o paciente não responder a esse tratamento, existem drogas imunossupressoras, usadas para evitar a rejeição nos transplantes, como a azatioprina ou a mercaptopurina.

Drauzio Qual é a via de administração dessas drogas e quanto tempo dura o tratamento?

Aytan Sipahi – São drogas administradas por via oral e precisam de controle. O tratamento pode ser feito por 4 ou 5 anos. Apesar de haver casos em que ele foi mantido até por 10 anos, a literatura registra algumas evidências de que não funciona depois de 4 anos. No entanto, nos congressos internacionais, pesquisadores afirmam que nunca suspendem o uso dessas drogas.

Drauzio A pessoa consegue levar vida normal tomando essas drogas?

Aytan Sipahi – A maioria dos doentes, quando entra em remissão, leva vida praticamente normal. Casos mais graves podem acarretar dificuldades no exercício profissional e na freqüência ao trabalho.
Um interrogatório que se faz para orientar o tratamento ajuda a avaliar a qualidade de vida. Às vezes, os índices estão alterados, mas a qualidade de vida é tão boa que sugere o controle do paciente sobre a doença.

Drauzio Existe alguma outra opção de tratamento?

Aytan Sipahi – Existe a terapia biológica que conta com a droga chamada anticorpo anti-TNF (fator de necrose tumoral). Quando há um processo inflamatório na mucosa ou em qualquer outra parte do corpo, linfócitos, monócitos e macrófagos do trato digestivo produzem TNF e, como conseqüência, o processo inflamatório aumenta. Se introduzirmos um anticorpo contra o TNF, haverá bloqueio e interrupção desse processo. Às vezes, porém, podem surgir efeitos colaterais e resistência ao anticorpo.
Essa droga está à venda no mercado, mas seu preço é alto. No entanto, o estado brasileiro está arcando com a despesa porque o medicamento tem a vantagem de evitar a internação hospitalar o que elevaria muito os custos. Pacientes graves podem ser submetidos à cirurgia porque apresentam complicações como estenose ou perfuração com peritonite, quadro agudo de abdômen.

Estilo de vida

Drauzio Que estilo de vida deve adotar o paciente com doença de Crohn?

Aytan Spahi – Na fase aguda, quando está recebendo medicamentos, o paciente precisa controlar a dieta. Na fase de remissão, deve restringir apenas a ingestão dos alimentos que lhe fazem mal.

Drauzio A dieta tem que conter mais fibra?

Aytan Sipahi – Nem sempre. Alguns pacientes, por exemplo, desenvolvem intolerância à fibra e devem evitar sua ingestão. Paciente de Crohn pode fazer exercícios físicos moderados e levar vida saudável, mas precisa saber que tem uma doença crônica e está tratando os sintomas.

DrauzioO estresse influi sobre o aparecimento da doença de Crohn?

Aytan Sipahi – O estresse interfere, mas não é causa, embora exerça ação sobre o hipotálamo e possa desencadear o processo. Antigamente, tudo era considerado psicossomático. Hoje, sabemos que isso não é verdade.

DrauzioVocê acha que os médicos estão preparados para identificar os casos de Crohn?

Aytan Sipahi – No Brasil, é preciso conhecer a real prevalência da doença de Crohn. Os próprios médicos sabem pouco a respeito dessa doença, mas os laboratórios farmacêuticos estão interessados no levantamento desses dados.
O grupo do qual participo tomou para si o encargo de promover cursos de divulgação científica e atualização dos médicos para que tenham condições de tratar desses doentes com eficiência.
Os Estados Unidos estão investindo grandes somas na pesquisa referente à doença de Crohn. Muitas perguntas ainda não encontraram resposta. Como questionou o especialista Cláudio Ficchi aqui no Brasil, será que devemos usar todo o arsenal terapêutico de uma vez? Por que os doentes que se tornam crônicos deixam de responder a alguns medicamentos? Que mudanças ocorrem na fisiologia da doença, em seu mecanismo interno que induzem essa falta de resposta?
Crohn é uma doença que exige visão geral de toda a clínica médica porque provoca alteração em muitos órgãos. Para melhorar o paciente com doença de Crohn, é preciso investir muito em biologia molecular e em engenharia genética.

Fonte: http://drauziovarella.ig.com.br/entrevistas/dcrohn8.asp

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